Matérias


06/12/2011

 

Biléo enfrentou 36 sessões de quimioterapia e 14 cirurgias

 

O câncer que resultou na morte do vereador Biléo Soares foi diagnosticado em 2005 e desde então, foram nada menos que 36 sessões de quimioterapia, 14 cirurgias, 250 exames e cinco meses de quimioterapia oral. Com altivez, lutou contra um câncer na uretra, outro no períneo, mais um no pulmão que levou ao processo de metástase para a cabeça, o fêmur e a escápula.

Desde setembro, Biléo vinha com uma agenda restrita. Estava proibido pelos médicos de acompanhar os jogos da Ponte, participar de reuniões políticas ou mesmo de ir ao teatro ou cinema. Os médicos só não conseguiram impedir que participasse as sessões da Câmara. Dizia que se sentia revigorado quando conseguia trabalhar e debater da tribuna os principais problemas da cidade e do País.


Vereadores Biléo Soares

Nos últimos meses, já bastante debilitado pela doença, se locomovia em uma cadeira de rodas. Durante as sessões, lhe era permitido que usasse a palavra no Plenário, a partir da própria mesa de trabalho. Sua última participação em sessão ocorreu no dia nove de novembro, uma quarta-feira, quando discursou sentado do plenário e foi rodeado pelos colegas.

TRANSPARENTE - Biléo nunca tentou esconder a doença. Na tribuna, chegou a dizer que até nestas situações a pessoa precisa ser transparente. “Quando você não esconde a sua doença, e é transparente também na sua doença como você o é na vida pública, só coisas boas podem acontecer”, disse certa vez.

Ele advertiu que a luta contra a doença não era uma tarefa fácil, porque além dos problemas físicos que provoca, ainda pode produzir efeitos psicológicos severos.

“Essa é uma doença que solapa; é sorrateira, traiçoeira, virulenta, terrível e que, por vezes, te abala psicologicamente. Por tudo isso, é preciso ter estrutura; ter um exército que cerra fileiras e que assuma com você a luta pela cura”, afirmou o vereador.

Lembrou que, justamente por ser uma luta difícil, é preciso ter vontade de viver. "Não adianta ter fé se você não tem vontade de viver”, afirmou.

Resignado, disse que sua doença poderia servir de exemplo para que as pessoas e as autoridades percebessem a necessidade de se fazer a prevenção. Por conta disso, foi um dos autores de uma lei que incentiva os homens a fazerem prevenção do câncer de próstata.

LEGISLADOR - Biléo é autor de mais de 80 projetos de lei – alguns dos mais importantes nesta sua segunda passagem pela Câmara, quando aprovou o projeto de combate ao bullying nas escolas, muito antes de acontecer a tragédia da escola de Realengo no Rio. É dele também o projeto que institui na rede pública, o programa da saúde do homem, o que identificava problemas oftalmológicos em crianças das escolas públicas.

Gostava muito de usar a tribuna e até poucos meses atrás, havia contabilizado mais de 450 discursos proferidos.

Em recente entrevista ao jornal jornal Correio Popular, disse que estava preparado para tudo.

“Se me perguntarem qual o meu grau de felicidade, eu vou dizer que sou o cara mais feliz do mundo. Sou reconhecido no meu trabalho como homem público e pela luta que estou travando pela cura, em busca de vida e pela mensagem para que outros sigam seus caminhos, sejam felizes. O que me move é o amor pela minha família e o amor muito grande que tenho por Campinas", disse ele.

"Estou com as mãos limpas e, embora, graças a Deus, minha família tenha alguma posse, eu sustento minha família com meu salário. Mostro para meus filhos como é ser honesto, o que aprendi com meus pais e com Magalhães Teixeira. O dinheiro não é dos vereadores. Fomos eleitos para zelar pela cidade e somos pagos pelo dinheiro de milhares de contribuintes”, conclui.

Texto e Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Copyright (c) 2009 - www.bileosoares.com.br - Todos os direitos reservados