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O câncer que resultou na morte do
vereador Biléo Soares foi
diagnosticado em 2005 e desde então, foram nada menos que 36 sessões de
quimioterapia, 14 cirurgias, 250 exames e cinco meses de quimioterapia oral. Com
altivez, lutou contra um câncer na uretra, outro no períneo, mais um no pulmão
que levou ao processo de metástase para a cabeça, o fêmur e a escápula.
Desde setembro, Biléo
vinha com uma agenda restrita. Estava proibido pelos médicos de acompanhar os
jogos da Ponte, participar de reuniões políticas ou mesmo de ir ao teatro ou
cinema. Os médicos só não conseguiram impedir que participasse as sessões da
Câmara. Dizia que se sentia revigorado quando conseguia trabalhar e debater da
tribuna os principais problemas da cidade e do País. |

Vereadores Biléo Soares |
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Nos últimos meses, já bastante
debilitado pela doença, se locomovia em uma cadeira de rodas. Durante as
sessões, lhe era permitido que usasse a palavra no Plenário, a partir da própria
mesa de trabalho. Sua última participação em sessão ocorreu no dia nove de
novembro, uma quarta-feira, quando discursou sentado do plenário e foi rodeado
pelos colegas.
TRANSPARENTE - Biléo nunca
tentou esconder a doença. Na tribuna, chegou a dizer que até nestas situações a
pessoa precisa ser transparente. “Quando você não esconde a sua doença, e é
transparente também na sua doença como você o é na vida pública, só coisas boas
podem acontecer”, disse certa vez.
Ele advertiu que a luta contra a doença não era uma tarefa fácil, porque além
dos problemas físicos que provoca, ainda pode produzir efeitos psicológicos
severos.
“Essa é uma doença que solapa; é sorrateira, traiçoeira, virulenta, terrível e
que, por vezes, te abala psicologicamente. Por tudo isso, é preciso ter
estrutura; ter um exército que cerra fileiras e que assuma com você a luta pela
cura”, afirmou o vereador.
Lembrou que, justamente por ser uma luta difícil, é preciso ter vontade de
viver. "Não adianta ter fé se você não tem vontade de viver”, afirmou.
Resignado, disse que sua doença poderia servir de exemplo para que as pessoas e
as autoridades percebessem a necessidade de se fazer a prevenção. Por conta
disso, foi um dos autores de uma lei que incentiva os homens a fazerem prevenção
do câncer de próstata.
LEGISLADOR - Biléo é autor
de mais de 80 projetos de lei – alguns dos mais importantes nesta sua segunda
passagem pela Câmara, quando aprovou o projeto de combate ao bullying nas
escolas, muito antes de acontecer a tragédia da escola de Realengo no Rio. É
dele também o projeto que institui na rede pública, o programa da saúde do
homem, o que identificava problemas oftalmológicos em crianças das escolas
públicas.
Gostava muito de usar a tribuna e até poucos meses atrás, havia contabilizado
mais de 450 discursos proferidos.
Em recente entrevista ao jornal jornal Correio Popular, disse que estava
preparado para tudo.
“Se me perguntarem qual o meu grau de felicidade, eu vou dizer que sou o cara
mais feliz do mundo. Sou reconhecido no meu trabalho como homem público e pela
luta que estou travando pela cura, em busca de vida e pela mensagem para que
outros sigam seus caminhos, sejam felizes. O que me move é o amor pela minha
família e o amor muito grande que tenho por Campinas", disse ele.
"Estou com as mãos limpas e, embora, graças a Deus, minha família tenha alguma
posse, eu sustento minha família com meu salário. Mostro para meus filhos como é
ser honesto, o que aprendi com meus pais e com Magalhães Teixeira. O dinheiro
não é dos vereadores. Fomos eleitos para zelar pela cidade e somos pagos pelo
dinheiro de milhares de contribuintes”, conclui. |