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28/08/2011

Cidades

ADMINISTRAÇÃO ||| GOVERNABILIDADE

 

Prefeito busca o apoio da Câmara

 

Reconstrução da base de sustentação no Legislativo é uma das prioridades de Demétrio Vilagra

 

Governistas hoje se limitam a quatro parlamentares

 

Hoje, sua base de sustentação conta apenas com os três integrantes da bancada petista —o líder do governo Josias Lech, Angelo Barreto e Jaírson Canário dos Anjos—e o vereador do PCdoB Sérgio Benassi. A maior parte dos parlamentares não quer se comprometer neste momento e adota o discurso de independência para se posicionar sobre o novo governante. Do outro lado, Demétrio aposta em uma agenda positiva para tentar arrebanhar o mínimo necessário de votos e aprovar seus projetos.

Em entrevista concedida ao Correio na última sexta-feira, Demétrio rebateu a declaração do tucano Biléo Soares de que o parlamentar criaria dificuldades no Legislativo junto à oposição. “Eu não acredito que o Biléo Soares, que é um campineiro de coração, que ama essa cidade, vai trabalhar nessa linha. Eu tenho certeza que as coisas boas, de interesse para Campinas, o Biléo vai assinar e me ajudar a construir essa governabilidade. Tenho plena convicção de que em tudo o que for bom para Campinas, a Câmara vai me ajudar”, disse o prefeito. Biléo chegou a afirmar na semana passada que, agora, “Demétrio vai apanhar como um gato de desenho animado”.

O petista ainda quer acelerar a votação de projetos importantes para Campinas, como os das macrozonas. Demétrio afirmou que a cidade precisa crescer e, para tanto, depende da aprovação dessas propostas. Desde que a crise se instaurou no Palácio dos Jequitibás, essas matérias foram congeladas na Câmara.

Alguns vereadores afirmam que não existe credibilidade para aprovar o plano de crescimento da cidade com intervenções profundas no urbanismo, uma vez que a própria secretaria responsável pelo setor está envolvida em denúncias de irregularidades. Para o opositor Artur Orsi (PSDB), antes de discutir as macrozonas, é necessária a aprovação da Lei de Uso e Ocupação do Solo que, para ele, seria um primeiro passo básico do Legislativo sobre o assunto.

“Ninguém quer inviabilizar a cidade, muito pelo contrário, mas as macrozonas estão enfiadas no esquema de corrupção mantido pelo Ricardo Cândia (ex-diretor da Prefeitura) e
pela Rosely (Nassim Jorge Santos, ex-primeira-dama e ex-secretária chefe de Gabinete do marido, Hélio de Oliveira Santos, do PDT). Tudo isso ainda está muito nebuloso e não tem a confiança dos vereadores para que seja discutido. Não temos confiança agora e nem vamos ter depois. A dúvida sobre esse esquema de retalhamento da cidade para ter ganhos ilegais sempre permanecerá”, disse o tucano.

Dário Saadi, do DEM, exige um pente-fino nessas propostas. “As macrozonas precisam ser revistas porque foram elaboradas por um governo que não tem credibilidade. Precisamos diferenciar agora o que foi feito pensando no planejamento urbano e o que foi incluído no processo devido a interesses imobiliários.”

Saadi afirmou também que a bancada do DEM permanece com a postura independente no governo. “Vamos apoiar propostas que resgatem a credibilidade na Prefeitura, mas não queremos nenhum vínculo político com o governo do Demétrio”, informou.

Engrossando o coro, Jorge Schneider (PTB) reforçou a condição de independência de seu partido na Câmara. “Precisamos pensar Campinas, independentemente do que a Justiça definir (mencionando possíveis mudanças no Executivo no futuro). Somos ouvidores da população e precisamos levar à discussão as reivindicações das pessoas que representamos. A auto-suficiência não tem mais espaço em Campinas. Temos duas orelhas e uma boca justamente para ouvir mais do que falar”, disse o parlamentar, mandando um recado ao Executivo.

Porta aberta
O líder do PT na Câmara, Angelo Barreto, estende a bandeira do entendimento. “Essa nova fase nos coloca na situação de nos pautarmos pela agenda positiva, que priorize o desenvolvimento da cidade”, afirmou. “Muitas ações estão sendo mantidas pelo governo federal em Campinas e elas têm que continuar. O Demétrio tem que investir o dinheiro federal de forma transparente. Temos que esquecer o interesse da oposição em antecipar a corrida eleitoral”, afirmou o petista. Ele garantiu que, para manter o livre debate de ideias no Legislativo, não vai ser contra qualquer requerimento dos colegas por informações do Executivo. Barreto disse que defende uma “porta aberta” para todos os partidos.

Também trilhando o caminho do diálogo, Benassi, outro integrante na base governista, ressaltou que há atualmente na Câmara um clima para a conversa, mas que ainda há um trabalho árduo por fazer. “Ficou notória essa reclamação dos vereadores (de serem ouvidos pelo Executivo). É uma exigência. Da minha parte, vou ajudar no que for possível”, disse.

 

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