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Fábio Gallacci
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
gallacci@rac.com.br
Após o retorno de Demétrio Vilagra (PT) à Prefeitura
de Campinas por força de uma decisão judicial e a suspensão da Comissão
Processante (CP) que investigaria o chefe do Executivo, a oposição na Câmara
Municipal já tem na manga aquilo que pode ser
considerado o seu contragolpe: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da
Corrupção. O vereador Artur Orsi (PSDB) conseguiu reunir 11 assinaturas de
colegas da Casa para, assim que possível, protocolar a nova investigação que
promete vasculhar as contas da atual Administração. O tucano aguarda apenas a
entrega do relatório final da Setec e a sua votação em plenário para aproveitar
o espaço surgido no Legislativo para outra comissão e apresentar o seu pedido
oficialmente. Os parlamentares só podem trabalhar em três CPIs simultâneas. As
outras duas são a do Trabalho Escravo e dos Radares.
“Vamos continuar trabalhando pela decência e
transparência no poder público. Sempre fui oposição por princípios e mantenho a
minha posição por considerar o aparelhamento que o PT sempre faz em qualquer
governo que ocupa abominável”, afirmou Orsi, que tem apoio de toda a sua
bancada, além de vereadores do DEM, PSB, PP, PPS, PTB e PMN. O presidente do
Legislativo, Pedro Serafim (PDT), também teria assinado o documento.
Ainda de acordo com o tucano, o objetivo é fazer um
amplo e profundo levantamento de informações sobre as supostas irregularidades
em contratos firmados na cidade pelo governo municipal nos últimos anos da
gestão Hélio de Oliveira Santos (PDT). As questões da instalação de antenas de
telefonia celular em terrenos de propriedade de ex-servidores da Prefeitura, o
dinheiro que teria sido desviado da Sociedade de Abastecimento de Água e
Saneamento S.A. (Sanasa) e o suposto enriquecimento ilícito de integrantes do
primeiro e segundo escalões do Executivo também estão na mira da CPI.
“Quero esclarecer que essa movimentação já estava
sendo feita antes da volta de Demétrio ao Paço, mas, como conseguimos agora as
assinaturas necessárias, vamos trabalhar pela instalação da comissão”, comentou
Orsi. Material levantado
pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do
Ministério Público (MP), também poderá ser aproveitado. Orsi informou ainda que
existiriam informações novas da Promotoria, que não estão incluídas no Caso
Sanasa, que poderiam servir para abastecer a comissão.
Ex-secretários também poderão ser alvo da CPI e ter
sua situação financeira verificada após a passagem pelo governo. A ideia é
apurar se há uma eventual elevação de patrimônio além do que poderia ser
considerado normal. “Precisamos tentar saber qual foi o real montante dos
desvios na Administração e rastrear para onde todo esse dinheiro foi. Assim,
poderemos colaborar com a Justiça para que essas quantias voltem aos cofres
públicos”, disse Orsi. O
colega de legenda Biléo Soares
reagiu de forma veemente ontem ao saber da notícia da volta de Demétrio ao Paço
e antecipou o possível cenário que o petista poderá enfrentar na Câmara caso
permaneça no governo a partir de agora. “Ele (Demétrio) vai apanhar mais do que
gato em desenho animado. Vamos trabalhar para que não passe nada dele aqui.
” Petterson Prado (PPS) também não escondeu o
descontentamento. “A cidade está em uma situação complicada no sentido de
credibilidade política. O Pedro (Serafim, presidente da Câmara, que ocuparia o
lugar de Demétrio) representa o novo, o diferente, a condição de chamar toda a
sociedade civil para participar do governo. Tenho certeza que muitas pessoas que
poderiam participar de um governo do Pedro se neguem a colaborar com um governo
do Demétrio devido a tudo o que nós estamos vendo nos últimos tempos em relação
às acusações feitas pelo MP.”
Aliado
Depois de participar de uma reunião na presidência com outros vereadores, Sérgio
Benassi (PCdoB), que votou contra o afastamento temporário de Demétrio e a
criação da CP, ressaltava que a legalidade foi mantida e que a decisão do juiz
Mauro Fukumoto, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, não foi nenhuma
surpresa. “Nós (da base
governista) tomamos todas as precauções de avisar, nos dois requerimentos que
fizemos na sessão de ontem (anteontem), sobre os riscos que as decisões do
afastamento e da comissão implicavam. Não me surpreende porque era flagrante a
arbitrariedade, a ilegalidade, a inconstitucionalidade de instaurar uma comissão
processante com alguém que não exercia a função de prefeito (ao ser
investigado)”, avaliou, chamando os colegas para o diálogo e a retomada da
normalidade no Legislativo.
“Que a gente retome o ambiente de tranquilidade, de
recomposição da vida administrativa. Respeitamos todo o jogo político de quem
queira ser oposição.” |