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Milene Moreto
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
milene@rac.com.br
A Prefeitura de Campinas
depositou ontem R$ 1,5 milhão do Fundo Municipal da Saúde na conta da
Maternidade de Campinas. A instituição passa desde o ano passado por sérias
dificuldades financeiras, que podem culminar em uma greve dos funcionários caso
o adiantamento dos salário não seja pago hoje.
Funcionários param amanhã,
caso não recebam adiantamento
O anúncio do depósito foi feito
ontem durante uma reunião da Comissão Especial de Estudos da Câmara, que avalia
alternativas para retirar a Maternidade da crise. O hospital, porém, não
informou se usará o dinheiro para pagar o adiantamento de salários. Os
vereadores que integram o grupo informaram que também vão encaminhar ao
Executivo um pedido de reavaliação do contrato
com o Sistema Único de Saúde (SUS) para que o hospital passe a operar com um
caixa mais próximo da realidade das suas contas.
Segundo o presidente da
Maternidade, Carlos Alberto Cortez, a instituição espera rever os valores do
contrato com o SUS, principalmente no custeio da unidade de tratamento intensivo
(UTI) neonatal, cujo repasse por internação é de R$ 1.053,00 por mês. “Nós
queremos receber R$ 470,00 por dia de internação para cobrir o gastos. Quando um
bebê precisa ser internado na UTI neonatal, somente os remédios que ele precisa
tomar em um dia já ultrapassam o valor pago por todo o período de internação”,
disse.
O presidente do SinSaúde, Edson
Laércio de Oliveira, disse que entende a crise dentro da Maternidade, mas
afirmou que os funcionários não podem ser prejudicados por isso. “Eu sei de toda
a dificuldade desses trabalhadores e também que a paralisação traria uma
preocupação muito grande à sociedade, mas não é justo que eles paguem por isso.
Não dá para atender sem receber os salários.”
O secretário municipal de Saúde,
José Francisco Kerr Saraiva, afirmou que a ordem para o pagamento de R$ 1,5
milhão foi encaminhada ontem. “A situação é transitória e não um planejamento de
médio ou longo prazo. Vamos auxiliar a Maternidade a levantar o custeio”, disse.
Hoje a Maternidade conta com 900
funcionários. Todos acordaram na última semana em realizar uma greve amanhã
casos os adiantamentos não sejam pagos hoje. A Maternidade disse que possui
dinheiro para bancar apenas o salário nos valores integrais, até o quinto dia
útil do mês, e que já havia avisado sobre o não pagamento do adiantamento.
Sobre a crise financeira da
instituição, os diretores acreditam que a renovação do contrato, que vence em
abril, precisa ser reajustado pela inflação para que as contas cheguem mais
próximas da realidade do hospital. Hoje a Maternidade possui um déficit
operacional em torno de R$ 100 mil e uma dívida bancária de R$ 15 milhões.
O hospital recebe um valor fixo
para qualquer tipo de internação do SUS, independentemente do procedimento
médico que será realizado. Para cada parto e a internação da mãe, que é em média
de três dias, o valor é de R$ 1.053,00. Caso a criança precise ser encaminhada
para a UTI neonatal, o tempo de permanência é de pelo menos 70 dias e o governo
federal repassa R$ 1.053,00 por mês.
Sobre o terreno da antiga
Rodoviária, que é de propriedade da Maternidade mas ainda não pode ser vendido
devido a entraves burocráticos, Cortez afirmou que a ideia do hospital hoje é
vender essa propriedade e, com o dinheiro, quitar dívidas.
SAIBA MAIS
A Comissão de Estudos da Câmara é formada pelos vereadores Dário Saadi (DEM),
Biléo Soares (PSDB) e
Francisco Sellin (PDT) e foi criada após o anúncio de greve dos funcionários da
Maternidade no início desse mês.
“Não queremos participar de
lucros de empreendimentos que vierem a se instalar na antiga rodoviária. A ideia
é vender e usar o dinheiro para pagar as contas. O negócio ainda não foi feito
porque existe um problema de documentação com o local que pertence à Prefeitura,
onde está o esqueleto do prédio”, afirmou.
Demanda
Dos 20 mil partos feitos em Campinas anualmente, 8 mil são realizados na
Maternidade, o que corresponde a 60% são atendimentos feitos pelo SUS. O
hospital é o centro de referência regional em UTI Neonatal com 36 leitos —ante
dez disponíveis no hospital da PUC-Campinas e 15 no da Unicamp, as outras duas
instituições que também oferecerem esse tipo serviço. A Maternidade informa ter
hoje um déficit de R$ 500 mil por mês no atendimento do SUS. O custeio do
hospital é de R$ 4 milhões por mês e a receita tem ficado frequentemente abaixo
desse valor. O resultado é uma dívida que já chega a R$ 15 milhões.
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