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15/02/2011

Cidades

CRISE ||| ALTERNATIVAS

Saúde aprova socorro à Maternidade

 

Depósito de R$ 1,5 milhão é anunciado pela Prefeitura em meio a ameaça de greve no hospital

 

Milene Moreto
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
milene@rac.com.br

A Prefeitura de Campinas depositou ontem R$ 1,5 milhão do Fundo Municipal da Saúde na conta da Maternidade de Campinas. A instituição passa desde o ano passado por sérias dificuldades financeiras, que podem culminar em uma greve dos funcionários caso o adiantamento dos salário não seja pago hoje.

Funcionários param amanhã, caso não recebam adiantamento

O anúncio do depósito foi feito ontem durante uma reunião da Comissão Especial de Estudos da Câmara, que avalia alternativas para retirar a Maternidade da crise. O hospital, porém, não informou se usará o dinheiro para pagar o adiantamento de salários. Os vereadores que integram o grupo informaram que também vão encaminhar ao Executivo um pedido de reavaliação do contrato
com o Sistema Único de Saúde (SUS) para que o hospital passe a operar com um caixa mais próximo da realidade das suas contas.

Segundo o presidente da Maternidade, Carlos Alberto Cortez, a instituição espera rever os valores do contrato com o SUS, principalmente no custeio da unidade de tratamento intensivo (UTI) neonatal, cujo repasse por internação é de R$ 1.053,00 por mês. “Nós queremos receber R$ 470,00 por dia de internação para cobrir o gastos. Quando um bebê precisa ser internado na UTI neonatal, somente os remédios que ele precisa tomar em um dia já ultrapassam o valor pago por todo o período de internação”, disse.

O presidente do SinSaúde, Edson Laércio de Oliveira, disse que entende a crise dentro da Maternidade, mas afirmou que os funcionários não podem ser prejudicados por isso. “Eu sei de toda a dificuldade desses trabalhadores e também que a paralisação traria uma preocupação muito grande à sociedade, mas não é justo que eles paguem por isso. Não dá para atender sem receber os salários.”

O secretário municipal de Saúde, José Francisco Kerr Saraiva, afirmou que a ordem para o pagamento de R$ 1,5 milhão foi encaminhada ontem. “A situação é transitória e não um planejamento de médio ou longo prazo. Vamos auxiliar a Maternidade a levantar o custeio”, disse.

Hoje a Maternidade conta com 900 funcionários. Todos acordaram na última semana em realizar uma greve amanhã casos os adiantamentos não sejam pagos hoje. A Maternidade disse que possui dinheiro para bancar apenas o salário nos valores integrais, até o quinto dia útil do mês, e que já havia avisado sobre o não pagamento do adiantamento.

Sobre a crise financeira da instituição, os diretores acreditam que a renovação do contrato, que vence em abril, precisa ser reajustado pela inflação para que as contas cheguem mais próximas da realidade do hospital. Hoje a Maternidade possui um déficit operacional em torno de R$ 100 mil e uma dívida bancária de R$ 15 milhões.

O hospital recebe um valor fixo para qualquer tipo de internação do SUS, independentemente do procedimento médico que será realizado. Para cada parto e a internação da mãe, que é em média de três dias, o valor é de R$ 1.053,00. Caso a criança precise ser encaminhada para a UTI neonatal, o tempo de permanência é de pelo menos 70 dias e o governo federal repassa R$ 1.053,00 por mês.

Sobre o terreno da antiga Rodoviária, que é de propriedade da Maternidade mas ainda não pode ser vendido devido a entraves burocráticos, Cortez afirmou que a ideia do hospital hoje é vender essa propriedade e, com o dinheiro, quitar dívidas.

SAIBA MAIS

A Comissão de Estudos da Câmara é formada pelos vereadores Dário Saadi (DEM), Biléo Soares (PSDB) e Francisco Sellin (PDT) e foi criada após o anúncio de greve dos funcionários da Maternidade no início desse mês.

“Não queremos participar de lucros de empreendimentos que vierem a se instalar na antiga rodoviária. A ideia é vender e usar o dinheiro para pagar as contas. O negócio ainda não foi feito porque existe um problema de documentação com o local que pertence à Prefeitura, onde está o esqueleto do prédio”, afirmou.

Demanda
Dos 20 mil partos feitos em Campinas anualmente, 8 mil são realizados na Maternidade, o que corresponde a 60% são atendimentos feitos pelo SUS. O hospital é o centro de referência regional em UTI Neonatal com 36 leitos —ante dez disponíveis no hospital da PUC-Campinas e 15 no da Unicamp, as outras duas instituições que também oferecerem esse tipo serviço. A Maternidade informa ter hoje um déficit de R$ 500 mil por mês no atendimento do SUS. O custeio do hospital é de R$ 4 milhões por mês e a receita tem ficado frequentemente abaixo desse valor. O resultado é uma dívida que já chega a R$ 15 milhões.

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