Matérias


16/01/2011

 
PODER MUNICIPAL ||| LIDERANÇA
 

Serafim quer trazer debate sobre TAV e Viracopos para Câmara

 

Milene Moreto
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
milene@rac.com.br

Há 14 anos como vereador, o médico Pedro Serafim (PDT) assume pela primeira vez a presidência da Câmara de Campinas. Ele vai comandar o Legislativo no biênio 2011/2012. O período é de discussão de projetos importantes, como as macrozonas, que deve tomar tempo dos vereadores este ano. Um tema ainda mais polêmico promete esquentar os debates entre os parlamentares e trata do aumento dos salários. O valor será consolidado pelo atual presidente e passa a valer para o próximo mandato. Em entrevista concedida ao Correio, Serafim falou sobre a importância da proximidade da Câmara com a população e da atenção dos parlamentares para temas importantes no município como a ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos e a implantação do trem de alta velocidade (TAV). O pedetista defende que sejam criadas comissões para acompanhar os dois assuntos de interesse da população campineira.

Sobre o aumento dos salários, depois de uma análise ainda precoce do Orçamento, Serafim não acredita que o reajuste seja igual ao previsto na Lei Orgânica do Município, de 75% do valor dos vencimentos de um deputado estadual.
Mas prevê um reajuste que nivele o índice de inflação.

Correio - O senhor havia dito, quando foi eleito presidente no final do ano passado, que buscaria uma aproximação da sociedade com a Câmara de Campinas. Como isso deve acontecer?

Pedro Serafim - Eu vou estudar a viabilidade de voltar a fazer aquelas sessões itinerantes. Talvez agora com o implemento da TV Câmara isso se torne um pouco mais difícil, mas eu quero estudar essa viabilidade. Eu quero investir muito nas comissões permanentes e cobrar uma atuação mais junto da população. Nós temos comissões de política social, educação, meio ambiente e eu gostaria que essas comissões se aproximassem da população indo lá na periferia, junto às comunidades.

O senhor acha que hoje os vereadores trabalham de forma isolada?
... (silêncio) Isso pode até levar a um crescimento pessoal do vereador, mas nós temos que investir na instituição. Nós temos que levar o Legislativo a participar das grandes discussões que estão sendo realizadas, por exemplo, a ampliação do aeroporto de Viracopos, a do trem-bala.

O senhor pretende criar duas novas comissões para esses assuntos?
Criar uma comissão permanente não. Mereceria uma comissão que tratasse do plano viário e macroviário e de transportes. Esse tema sim mereceria a criação de uma comissão permanente. Mas poderíamos fazer comissões especiais para o acompanhamento da questão de Viracopos e para a instalação do trem-bala, que são temas que vão influenciar diretamente a vida dos cidadãos de Campinas.

APROXIMAÇÃO
Eu vou estudar a viabilidade de voltar a fazer aquelas sessões itinerantes

A Câmara tem pouco envolvimento nesses assuntos?
Não é que a Câmara tenha pouco envolvimento. Não envolveram a Câmara nessas discussões. Como não são assuntos que dizem respeito ao poder municipal, todas essas discussões passaram à margem da Câmara. Só que nós temos um sentimento diferente. Não diz respeito ao poder público municipal, mas diz respeito à população de Campinas. A Câmara precisa se envolver nesses assuntos muito mais, que são temas de execução de longo prazo. Nós temos que pensar em uma Campinas que vamos deixar para os nossos netos. Não temos só que pensar no atendimento das pessoas de hoje. Nós temos que planejar Campinas para amanhã. Por causa disso é que nós temos que participar dessas discussões. As discussões sobre as macrozonas também são muito importantes e nós temos que levar ao público, fazendo audiência pública para que todos possam opinar.

O senhor pretende contratar uma equipe técnica para analisar esses projetos?
Desde que seja legal, sim. Por exemplo, quero ver se existe suporte de legalidade para a contratação de um macroplano viário para Campinas. Para isso precisamos ver primeiro o orçamento. Ver o que temos disponível de recursos e serviços. Porque às vezes temos aqui dentro da Casa mesmo e nem precisamos contratar.

O senhor também disse que gostaria de aproximar mais o Ministério Público da Câmara. Qual é o objetivo?
O promotor do Meio Ambiente (José Roberto Albejante) já tem uma ideia ou estudo e ele pode esclarecer para a gente muita coisa. Teríamos que complementar apenas o que fosse necessário. O mais interessante é a troca de informações e de ideias. As exposições desse promotor na Câmara foram muito positivas e me inspirou bastante a querer esse projeto.

Um dos grandes problemas para Campinas foi a aprovação de alterações no zoneamento pela Câmara em 2003 que causaram um enorme entrave jurídico na cidade. Essa aproximação também tem o objetivo de evitar que situações como essa voltem a ocorrer?
Não tem esse objetivo exclusivo. Mas sempre é muito melhor você ter a segurança da legalidade dos seus atos, de que eles não vão gerar nenhum ato jurídico imperfeito e que possa ser questionado posteriormente pela Justiça. É importante você ter um aval legal sobre essas matérias.

PLATAFORMA
Transparência, legalidade, respeito ao povo de Campinas e resgatar a imagem da Câmara Municipal.

A Promotoria já sabe desse interesse?
Não, ainda não. Pretendo ir visitá-lo, como fui visitar o chefe do Poder Executivo. Quero ir visitar o nosso chefe do Poder Judiciário de Campinas, o presidente do Fórum, o Ministério Público, os chefes das polícias Civil e Militar e quero visitar alguns líderes religiosos de Campinas como forma de aproximar um pouco mais da população.

Qual a sua relação com o prefeito de Campinas?
É uma relação de respeito. Sou do mesmo partido do prefeito, mas tenho uma postura de absoluta independência. Acredito que a Câmara possa ajudar muito o prefeito ou possa também atrapalhar, o que não é nossa intenção.

O seu antecessor, Aurélio José Cláudio (PDT), assumiu a Câmara há dois anos numa situação um pouco diferente. Na época, a base do prefeito contava apenas com 12 vereadores. O senhor assume num cenário mais consolidado. Como serão os próximos dois anos?
Nessa eleição o prefeito não interferiu no processo de eleição da mesa. Ele não fez nenhum movimento nem favorável nem contrário a nenhuma candidatura. Nem na minha nem nas outras. A gente conseguiu, entre os seis candidatos que se apresentaram, construir a nossa candidatura convencendo um por um dos outros candidatos de que a nossa plataforma seria a melhor para a Câmara de Campinas.

Qual foi a sua plataforma?
Transparência, legalidade, respeito ao povo de Campinas e resgatar a imagem da Câmara Municipal.

O senhor acha que a imagem está desgastada?
Não a imagem só da Câmara de Campinas, mas a imagem do político em geral.

Existe alguma modificação que o senhor pretende fazer na Câmara?
Nada como um dia após o outro. A gente tem que ter cautela e verificar como a coisa funciona. Apesar de eu ser vereador há 14 anos, a posição de presidente é muito diferente da posição de vereador. A gente tem que sentar aqui na cadeira de presidente e olhar como as coisas funcionam agora deste ângulo e ver o que precisa de ajuste ou modificação drástica, do nosso ponto de vista e, se houver consenso, realizar o que for necessário. Nunca eu passarei por cima dos outros para implantar qualquer coisas. Eu sou uma pessoa aberta ao diálogo. Meu relacionamento com todos os vereadores sempre foi ótimo. Inclusive, com os vereadores que não votaram em mim, que são os vereadores do PSDB. Foram os meu colegas no PSDB, colegas de partido e eu os considero como amigos, os três. O vereador Biléo Soares é inclusive meu amigo de infância, de família. Artur Orsi também é meu amigo de família.

Existia uma expectativa de que o vereador Biléo Soares fosse o seu vice-presidente nessa chapa. O que houve entre vocês?
O Biléo era um nome que agradava muito a mim. Mas a coisa se tornou impossível quando o PSDB declarou que não iria votar na chapa porque a chapa era na sua grande maioria da situação. Então, eu não conseguiria justificar a posição do Biléo na mesa. Foi por isso que o Biléo não participou da mesa. Agora, o meu nome de escolha era o dele.

SALÁRIO
Tudo depende desse orçamento e do impacto que esse aumento causará.

O senhor acha que a composição desta mesa foi igualitária?
Apesar da oposição falar que nós não fizemos uma mesa pluripartidária, não é verdade. O único que ficou excluído foi o PSDB porque eles decidiram ficar excluídos. Eles decidiram que não iriam votar na chapa. Mas a representatividade partidária continuou mantida. Os partidos fora do PDT que têm mais vereadores, tem três vereadores. Então, nada mais justo do que o PDT, que tem oito vereadores, participasse com dois cargos. Os partidos que têm três vereadores participaram com um cargo. Quer dizer, nós temos uma mesa pluripartidária e acredito que nós temos grandes nomes na mesa que serão capazes de representar o Legislativo em todas as situações.

A cidade acompanhou a votação do projeto dos alvarás que gerou grandes discussões. Este ano temos as macrozonas e também outro projeto polêmico, o dos vazios urbanos, que vão entrar na pauta. Como o senhor acha que será a tramitação desses projetos no Legislativo?
O PDT tem na Câmara sete votos. Isso porque o presidente não vota. Então, o prefeito já parte com qualquer projeto dele com sete votos. Eu não sou a favor ou contra a taxa de renovação de alvará. Eu sou do partido do prefeito e eu sigo as orientações do meu partido. Então, como vereador do PDT, eu votei a favor da taxa de renovação do alvará, mesmo sendo ela uma taxa que eu pessoalmente vou ter que pagar duas vezes. Eu não gosto tanto quanto qualquer outra pessoa de pagar mais uma taxa, porém eu tinha a obrigação partidária de votar porque o meu partido tomou essa decisão. Com sete votos não aprovamos nenhum projeto e a base não é partido. O prefeito conta com sete votos. Todos os outros precisam ser conquistados. Os vereadores precisam estar convencidos de que estão fazendo o melhor. Agora, nós podemos aqui na Câmara, dependendo da autorização legal, fazer estudos e explicar para os vereadores quais são as modificações e o que essas modificações vão afetar na vida dos cidadãos.

A questão do aumento de salários dos parlamentares já é tema discutido em diversas câmaras. Em Campinas, já que o senhor precisa votar esse projeto até o final do seu mandato, como essa discussão deve seguir?
Em especial na Câmara Municipal de Campinas, o reajuste de salário é um tema muito complicado. Não pelo reajuste do salário do vereador, porque isso não representa um gasto muito grande no orçamento geral da Câmara. Mas nós temos na Câmara um universo muito grande de vereadores aposentados que são pagos pela Câmara e esse reajuste vai repercutir em cima das aposentadorias também. A nossa Lei Orgânica do Município prevê que o salário do vereador seja até 75% do salário do deputado estadual. Sempre foi assim, até a gestão do Signorelli. Mas nessa ocasião, foi fixado um salário inferior ao que previa o limite da Lei Orgânica do Município. Existe uma obrigação legal do presidente, de fixar o salário, e esse tema tem que vir à discussão.

O senhor pretende retornar aos 75%?
Eu não sei. Como eu falei para você anteriormente, até para administrar a Câmara e ver a possibilidade de readequação administrativa é preciso estudar o orçamento da Câmara. E tudo depende desse orçamento e do impacto que esse aumento causará. Os vereadores poderão ou não realizar um aumento acima da inflação. No meu ponto de vista, ponto de vista pessoal do presidente, nós não vamos conseguir chegar aos 75% do salário do deputado estadual, o que seria legal. Mas não seria nem defensável eticamente nem financeiramente absorvível pela tesouraria da Casa. Aliás, a Câmara também tem os precatórios, com os aposentados, que é uma dívida judicial que compromete muito o orçamento. Tudo precisa ser estudado para que seja feito um planejamento financeiro para os próximos dois anos. Temos que ter responsabilidade, legalidade e transparência no trato com a coisa pública.

Copyright (c) 2009 - www.bileosoares.com.br - Todos os direitos reservados