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Lilian de Souza
ESPECIAL PARA A AGÊNCIA ANHANGUERA
cidades@rac.com.br
Moradores de diversas áreas de Campinas estão se mobilizando para adotar um
posicionamento único perante às discussões sobre os planos de zoneamento de
suas regiões. Representantes do distrito de Barão Geraldo (Vale das Garças)
e dos bairros Chácara Primavera, Jardim Chapadão, Taquaral, Santa Cândida e
Mansões Santo Antônio realizaram nesta semana a primeira de uma série de
reuniões para a mobilização contra as alterações que devem ser propostas no
Plano Diretor de Campinas. “O objetivo dessa participação conjunta das
várias associações de bairro foi a união de forças para lutarmos contra as
alterações propostas pelo plano de gestão através da divisão arbitrária da
cidade de Campinas em diferentes macrozonas, totalmente em desacordo com os
interesses dos moradores. O que está em jogo é a qualidade de vida da cidade
de Campinas como um todo”, disse Mary Queiroz, presidente da Associação de
Moradores do Bairro Chácara Primavera.
Para o representante do Vale das Garças, Victor Petrucci, a intenção é fazer
com que o movimento cresça. “Se depender da gente, vamos mobilizar todas as
macrozonas. O que a Prefeitura pretende é um verdadeiro crime contra a
cidadania. Mais uma vez reforçamos que somos contra essa metodologia.
Campinas não pode ser discutida em fragmentos, pois todos os moradores
dependem de todas as partes de Campinas.” De modo geral, os moradores alegam
que a Prefeitura pretende incentivar um desenvolvimento urbano que
prejudicará a qualidade de vida nas regiões.
Em Barão Geraldo, por exemplo, as maiores preocupações referem-se à
urbanização desordenada que poderia comprometer a característica ambiental
do bairro, onde há a maior área verde de Campinas. No Chácara Primavera, os
problemas referem-se ao boom imobiliário que instalou-se no bairro vizinho,
o Mansões Santo Antonio, sem que houvesse infraestrutura urbana necessária
para suportar a demanda gerada pelos novos moradores. Mesmo assim, segundo
os moradores, a Prefeitura pretende alterar o nível de adensamento — de
“baixo”, que só permite a construção de casas, para “médio”, que liberaria
também as construções verticais.
Apoio parlamentar
Os moradores também têm buscado apoio de vereadores para fortalecer o
movimento. Artur Orsi (PSDB) diz que tem acompanhado os problemas da
Macrozona 4, maior da cidade e que abriga o bairro Mansões Santo Antonio.
Ele diz que muitos empreendimentos imobiliários foram aprovados prejudicando
toda a estrutura do bairro. “O que tem acontecido na região é absurdo e a
Prefeitura não tem feito nada para melhorar. O bairro não suporta mais
construções”, afirma.
Outro vereador tucano, Biléo Soares, afirma que também foi procurado pelos
moradores e diz que não haverá tempo hábil para que os estudos de nove macrozonas sejam feitos até dezembro, como ordena a lei. “Até o final do
ano, conseguirmos passar duas, três, quatro zonas, no máximo. Não há tempo
para nove, ainda mais que teremos o período eleitoral”, disse. Já para
Valdir Terrazan (PSDB) não pode haver uma unificação contra os planos
locais. “Não se pode tentar inviabilizar a revisão do Plano Local de Barão
Geraldo, por exemplo, porque ele é nosso direito.”
Mudanças terão de ser adotadas até dezembro
As alterações do zoneamento de Campinas têm até o dia 31 de dezembro para
serem implantadas pelo prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Inseridas
nos nove planos locais de gestão (PLGs), as mudanças estão previstas no
Plano Diretor aprovado em dezembro de 2006, que dividiu a cidade em nove
macrozonas e determinou a elaboração de planos individuais de
desenvolvimento para cada uma delas. Os primeiros projetos devem chegar na
Câmara de Vereadores neste semestre para votação. Entre eles, estarão as
macrozonas 8 (região Norte da cidade) e 9 (região Noroeste). O projeto da
Macrozona 5, na região Oeste da cidade, já chegou a ser encaminhado para o
Legislativo, porém, foi retirado pelo governo no início do ano para
alterações. Antes do envio dos PLGs aos vereadores, a Prefeitura organizou
reuniões nos bairros com a comunidade para explicar as diretrizes e as
mudanças. (Venceslau Borlina Filho/Da Agência Anhanguera)
Propostas ainda não existem, diz Administração
Planos não se restringem ao uso e ocupação do solo, afirma secretário
A Prefeitura de Campinas informa que ainda não existem propostas e que as
reuniões entre a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano e os
moradores tiveram o objetivo de apresentar as diretrizes do Plano Diretor,
esclarecer o que é um plano local e convidar a população a participar do
plano.
“O detalhamento dos planos locais de gestão na verdade não trata apenas de
uso e ocupação do solo (que são definidos pelo zoneamento), mas de
diretrizes ambientais, diretrizes viárias, diretrizes para os planos
setoriais (educação, saúde, assistência social, esportes, segurança pública,
entre outros) e, portanto, reduzir a discussão a zoneamento é uma visão
descolada da realidade”, afirmou o secretário Alair Roberto de Godoy, em
nota.
“A Secretaria de Planejamento vem realizando o seu trabalho, como é sua
atribuição, e em respeito estrito ao Plano Diretor do Município, ao Estatuto
da Cidade e auditada pelos conselhos municipais”, concluiu. (LS/AAN) |