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O momento é importante para a
Prefeitura, que tem o objetivo de aprovar leis de peso o mais rápido
possível, como a que altera a cobrança para a emissão de alvarás, o projeto
que regula os vazios urbanos — ambos retirados da pauta pelo Executivo — e,
até mesmo as macrozonas, que não devem chegar a tempo para a votação ainda
este ano, já que passam, com atraso, por discussões junto às comunidades.
Para o presidente da Câmara, Aurélio José Cláudio (PDT), o “esvaziamento”
das últimas sessões foi notado em votação pontual, em projetos específicos.
“Eu tenho um posicionamento separado do grupo, por isso, não percebo a
movimentação. Não vejo ligação direta com o processo eleitoral, já que a
maioria dos vereadores que vão concorrer estão presentes nas sessões. Talvez
haja um descontentamento, o que provoca a falta de quórum em projetos
específicos”, afirmou.
Na semana retrasada, por falta de quórum, um dos projetos do Executivo, o
Jovem.com chegou a ser adiado. Para existir a votação é necessário a
presença de, no mínimo, 17 vereadores. Orsi declarou, na semana seguinte,
quando o projeto foi recolocado em votação, que o prefeito teria de
agradecer a oposição do governo na Câmara. “Graças a nós o projeto foi
aprovado. Costumo dizer que somos oposição com ternura. Não vou no quarto
andar (gabinete do prefeito) tomar café. Vocês nunca vão me encontrar lá.
Votamos pensando nos benefícios para a sociedade”, afirmou, mandando um
recado para a base do governo na Câmara.
Vetos do prefeito a projetos de autoria da base também causaram irritações,
como ocorreu com Sérgio Benassi (PCdoB) na última semana. Hélio vetou a
proposta do reuso da água da chuva. Durante a sessão, Benassi chegou a
declarar: “Se a Sanasa (Sociedade de Abastecimento e Saneamento de Campinas)
afirma que não pode disciplinar o sistema de reuso da água, a quem devemos
recorrer? Ao vaticano? À pastelaria da esquina?”, questionou Benassi, que
chegou a ser o líder do governo da Câmara antes do vereador Francisco Sellin
(PDT) assumir o posto, no ano passado. Arly de Lara Romeo (PSB) também usou
a tribuna para dar o seu recado aos parlamentares. Afirmou que a Câmara era
criticada por não produzir projetos consistentes e, em contrapartida, também
não derrubava os vetos do prefeito a propostas importantes para o município.
Valdir Terrazan (PSDB), que teve um requerimento rejeitado pelos vereadores
quando tentava cobrar explicações sobre os contratos do Departamento de
Parques e Jardins (DPJ) afirmou, na tribuna, que “se a base já é tratada
como capacho, imagina a oposição?” Mesmo assim, o vereador disse que sua
principal barreira em relação ao requerimento foi criada pela própria base,
que dificultou os trabalhos no Legislativo. “Pela primeira vez tive um
requerimento vetado. Fui até a Prefeitura pedir informações e obtive sem
problema. A questão foi dificultada apenas na Câmara”, afirmou.
Ao menos 12 vereadores disputarão as eleições
As agendas dos vereadores candidatos nas eleições deste ano estão
movimentadas, o que também pode causar um esvaziamento. A campanha começa
oficialmente em julho. Pelo menos 12, dos 33 vereadores, serão candidatos a
deputado. Enquanto isso, muitos parlamentares aproveitam a primeira parte da
sessão para comentar suas visitas e seus encontros. Alguns vão além, falam
um pouco sobre o trabalho do partido e suas atuações.
Biléo Soares (PSDB),
um dos vereadores que mais utiliza a tribuna, afirma que o fato do tempo ter
sido ampliado, segundo o novo regimento interno da Câmara, tem ajudado a
promover o debate e o tempo deve ser utilizado para esta finalidade.
(MM/AAN) |