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Fabiano Ormaneze
Agência Anhangüera de Notícias
As escolas municipais de Campinas deverão ter programas para o combate ao
bullying. Como publicado no Diário Oficial (DO) de anteontem (23), o prefeito
Hélio de Oliveira Santos (PDT) sancionou o projeto de lei do vereador
Biléo Soares (PSDB) que
autoriza o Executivo a criar ações interdisciplinares e de participação
comunitária, que tenham como objetivo a conscientização, combate e prevenção das
agressões.
Apesar de não haver qualquer pesquisa sobre o bullying com dados das escolas
campineiras, levantamento realizado pela organização não governamental (ONG)
Planejamento (Plan), ligada à gestão educacional, indica que, no País, um terço
dos estudantes já se envolveu em alguma ação de bullying, como agressor ou
vítima.
A lei prevê ainda a inclusão, nos regimentos das escolas, regras normativas
sobre as agressões. Outra possibilidade é a expansão do projeto Justiça
Restaurativa, que prevê o diálogo entre as pessoas envolvidas nas ações de
violência, com o objetivo de se chegar a acordo.
Como mostrou o Correio Popular no último domingo (21), o projeto já tem
resultados positivos, com a redução de casos levados à delegacia. A Secretaria
de Educação do Município já estuda criar um curso de formação de educadores para
atuar contra a violência nas escolas. O projeto está em análise e pode ser
implantado já em março. Para o psicólogo Rafael Lourenço de Camargo, o combate
ao bullying envolve também uma conscientização dos pais sobre razões que podem
levar às agressões.
“Cada vez mais, as famílias ensinam que os filhos devem vencer sempre. Isso cria
um ambiente de extrema competitividade, que pode se traduzir no desprezo e na
agressão ao outro”, diz. Camargo reforça que os pais devem estar atentos ao
isolamento e à mudança de comportamento, que podem indicar que a criança é
vítima de bullying. “Ela também deve ser incentivada desde cedo a falar de suas
emoções e frustrações”, afirma.
Saiba mais
O que é bullying?
São atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotadas por uma pessoa ou
um grupo, causando dor, angústia e sofrimento.
O que o caracteriza?
Intimidação, humilhação e discriminação; insultos pessoais; apelidos
pejorativos; gozações; acusações injustas; ridicularizarão; exclusão e
isolamento; danos físicos, morais e materiais; uso de tecnologias como blogs e
comunidades no Orkut para hostilizar alguém; comentários depreciativos sobre o
local de moradia, aparência, orientação sexual, religião, naturalidade/
nacionalidade ou nível de renda.
Como se manifesta?
Verbalmente: apelidos, xingamentos, piadas;
Fisicamente: bater, chutar, empurrar ou ferir; Psicologicamente: perseguir,
amedrontar, aterrorizar, intimidar, chantagear e manipular;
Virtualmente: divulgação de imagens, criação de comunidades virtuais, envio de
mensagens via e-mail com conteúdo pejorativo;
Materialmente: estragar, furtar, esconder ou roubar pertences.
Fonte: Cléo Fante, educadora e autora do livro Fenômeno Bullying (Editora
Verus) |