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Prefeito endurece o discurso e espera, a partir de hoje na volta
do recesso parlamentar, uma base mais alinhada neste segundo semestre, quando
devem ser votados projetos de interesse do Executivo
Anderson Botan
Campinas
O prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) endureceu o discurso e
espera uma base mais alinhada na Câmara neste segundo semestre, quando devem ser
votados projetos de interesse do Executivo. O Executivo espera que os vereadores
apresentem projetos que estejam afinados com a linha governista, para evitar um
desgaste do prefeito em vetar projetos aprovados também pela base, como o
projeto de Artur Orsi (PSSB), que dava transparência às nomeações na
administração direta e indireta. Os trabalhos no legislativo serão retomados
hoje, após um mês de recesso.
No primeiro semestre, o líder do governo na Casa, Francisco Sellin (PDT),
enfrentou dificuldades para manter o grupo alinhado, que começaram na eleição do
presidente da Câmara, Aurélio Cláudio (PDT), que, mesmo sendo do partido, não
era o candidato de Hélio, que apoiou Dário Saadi (DEM).
Sellin teve que se esforçar para manter a base unida, pois os vereadores estavam
mais resistentes em votar de acordo com as orientações do Executivo. Somente nas
proximidades do recesso é que os resultados da articulação apareceram, contudo
em diversas oportunidades, seja pela pressão popular ou mesmo da oposição,
alguns integrantes não seguiram as determinações de Sellin.
Desafios
Sellin acredita que a base terá bastante trabalho neste semestre, quando serão
apresentados para votação alguns projetos importantes para o município e de
grande interesse do Executivo. “São projetos conflituosos, que vão gerar alguns
debates entre a oposição e o governo, mas estes debates devem ter como foco os
interesses para a população”, considera.
Entre os projetos estão as mudanças no Plano Diretor, para criação das
macrozonas 5 e 7, na região do Aeroporto de Viracopos, as mudanças na
regulamentação dos taxistas, o orçamento municipal para 2010 e também as
alterações para formação de loteamentos fechados e bolsões de segurança no
município, que também devem atingir os loteamentos já existentes, como CAPITAL
informou com exclusividade.
Para Sellin, são projetos nos quais há descontentamento de parte da população e
que precisam ser debatidos para chegar a um consenso e, em caso de divergências
com a oposição, ter uma postura firme para garantir a aprovação.
“São projetos importantes, nos quais há descontentamento e isso exige um debate
amplo. A votação do orçamento deve gerar embates importantes, pois os vereadores
devem discordar quanto o direcionamento de verbas, o que é natural. Mas as
argumentações devem usar de bom senso e sustentar a discussão”, aponta Sellin.
Para alinhar o discurso neste semestre, o líder informou que tenta marcar uma
reunião com o prefeito, que pode ocorrer ainda hoje. Os discursos recentes de
Hélio direcionados para os vereadores, durante inaugurações de obras, são
encarados por Sellin não como um puxão de orelhas, mas sim um recado do prefeito
para que a base esteja mais articulada para analisar os projetos e ter um
discurso afinado.
Um dos componentes da base, Luis Yabiku (PDT), concorda que o semestre será de
muito trabalho e a Comissão de Constituição, Legalidade e Redação, a qual
preside, está preparada para analisar e receber os projetos dos vereadores e do
Executivo, que irão para votação. Yabiku acredita que a base não terá
dificuldades para aprovar os projetos, até mesmo os mais polêmicos.
“O prefeito está respondendo bem aos anseios da população e a tendência da
Câmara é caminhar junto. Não vejo focos de muita resistência neste semestre. A
Câmara é um palco de debates e ideias e estamos abertos às discussões, para
chegar a um resultado final que seja bom para a população”, diz o vereador.
Ele garante que a base não aprovará projetos somente por determinação do
Executivo, sem antes realizar uma discussão clara e aprofundada. “Agora os
vereadores novatos já têm conhecimento de como conduzir os trabalhos e isso vai
facilitar o andamento das sessões, as discussões dos projetos, esclarecendo
todos os pontos para a imprensa e à população”, salienta.
Oposição
De acordo com Biléo Soares (PSDB), a oposição manterá a mesma linha adotada no
primeiro semestre, o que lhe garantiu vitórias importantes em alguns projetos,
com o apoio da população e até mesmo de vereadores da base aliada. “Vamos manter
uma oposição coerente, de equilíbrio e que dialoga os temas propostos para a
cidade, estudando as matérias e, o que for ruim, não será apreciado e os
projetos bons terão o nosso apoio”, garante o tucano.
Para o vereador, não se pode aprovar os projetos simplesmente pelos interesses
do Executivo, sem antes analisar se trarão benefícios ou prejuízos para a
população, a maior interessada. “Por isso, a oposição deve ser responsável, a
favor de Campinas, nem light e nem sistemática, com conteúdo para enfrentar
todas as matérias que passarem pelo plenário, pois foi uma linha vitoriosa, que
deu no primeiro semestre”, afirma.
Para a base aliada, o tucano deixa um recado: “a base não pode ser cega e
aprovar todos os projetos sem analisá-los. Não pode aprovar simplesmente porque
é de interesse do governo. Espero que ocorram debates na casa, com relação aos
projetos, para que na discussão política se chegue aos melhores caminhos para a
cidade, apontando os erros e acertos. Sou uma pessoa conciliadora e acredito que
esse é o caminho, conversar e dialogar os projetos, mas estaremos atentos a
quaisquer interesses obscuros”, afirmou.
Um dos embates já agendados, segundo Biléo, será quanto ao veto ao projeto de
transparência nas nomeações de cargos de confiança na administração indireta, do
seu colega de partido, Artur Orsi. “Nós da oposição discordamos da justificativa
do Executivo e lutaremos para derrubar o veto, pois é um projeto importante e de
grande interesse para a população”, disse.
Articulações
As articulações para as eleições de 2010, das quais alguns vereadores devem
participar como candidatos a deputado estadual e federal, não deverão interferir
nos trabalhos do Legislativo já neste semestre. De acordo com Yabiku, seria
prematuro que os vereadores-candidatos já começassem a pleitear votos por meios
de trabalhos e projetos, em um momento que ainda não é propício para isso.
A mesma opinião é compartilhada por Sellin e
Biléo, pois consideram que neste
semestre os vereadores ainda estarão focados nos trabalhos do Legislativo. Sellin ressalta que o cenário também pode mudar, caso a Reforma Política seja
sancionada este ano, podendo ocorrer trocas de partido. Para ele, as
articulações só devem ter reflexo na Câmara no próximo semestre. |