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03/08/2009

Opinião - A Corte

 

Hélio não vai tolerar infidelidade da base no 2o. semestre

 

Prefeito endurece o discurso e espera, a partir de hoje na volta do recesso parlamentar, uma base mais alinhada neste segundo semestre, quando devem ser votados projetos de interesse do Executivo

Anderson Botan
Campinas

O prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) endureceu o discurso e espera uma base mais alinhada na Câmara neste segundo semestre, quando devem ser votados projetos de interesse do Executivo. O Executivo espera que os vereadores apresentem projetos que estejam afinados com a linha governista, para evitar um desgaste do prefeito em vetar projetos aprovados também pela base, como o projeto de Artur Orsi (PSSB), que dava transparência às nomeações na administração direta e indireta. Os trabalhos no legislativo serão retomados hoje, após um mês de recesso.

No primeiro semestre, o líder do governo na Casa, Francisco Sellin (PDT), enfrentou dificuldades para manter o grupo alinhado, que começaram na eleição do presidente da Câmara, Aurélio Cláudio (PDT), que, mesmo sendo do partido, não era o candidato de Hélio, que apoiou Dário Saadi (DEM).

Sellin teve que se esforçar para manter a base unida, pois os vereadores estavam mais resistentes em votar de acordo com as orientações do Executivo. Somente nas proximidades do recesso é que os resultados da articulação apareceram, contudo em diversas oportunidades, seja pela pressão popular ou mesmo da oposição, alguns integrantes não seguiram as determinações de Sellin.

Desafios
Sellin acredita que a base terá bastante trabalho neste semestre, quando serão apresentados para votação alguns projetos importantes para o município e de grande interesse do Executivo. “São projetos conflituosos, que vão gerar alguns debates entre a oposição e o governo, mas estes debates devem ter como foco os interesses para a população”, considera.

Entre os projetos estão as mudanças no Plano Diretor, para criação das macrozonas 5 e 7, na região do Aeroporto de Viracopos, as mudanças na regulamentação dos taxistas, o orçamento municipal para 2010 e também as alterações para formação de loteamentos fechados e bolsões de segurança no município, que também devem atingir os loteamentos já existentes, como CAPITAL informou com exclusividade.

Para Sellin, são projetos nos quais há descontentamento de parte da população e que precisam ser debatidos para chegar a um consenso e, em caso de divergências com a oposição, ter uma postura firme para garantir a aprovação.

“São projetos importantes, nos quais há descontentamento e isso exige um debate amplo. A votação do orçamento deve gerar embates importantes, pois os vereadores devem discordar quanto o direcionamento de verbas, o que é natural. Mas as argumentações devem usar de bom senso e sustentar a discussão”, aponta Sellin.

Para alinhar o discurso neste semestre, o líder informou que tenta marcar uma reunião com o prefeito, que pode ocorrer ainda hoje. Os discursos recentes de Hélio direcionados para os vereadores, durante inaugurações de obras, são encarados por Sellin não como um puxão de orelhas, mas sim um recado do prefeito para que a base esteja mais articulada para analisar os projetos e ter um discurso afinado.

Um dos componentes da base, Luis Yabiku (PDT), concorda que o semestre será de muito trabalho e a Comissão de Constituição, Legalidade e Redação, a qual preside, está preparada para analisar e receber os projetos dos vereadores e do Executivo, que irão para votação. Yabiku acredita que a base não terá dificuldades para aprovar os projetos, até mesmo os mais polêmicos.

“O prefeito está respondendo bem aos anseios da população e a tendência da Câmara é caminhar junto. Não vejo focos de muita resistência neste semestre. A Câmara é um palco de debates e ideias e estamos abertos às discussões, para chegar a um resultado final que seja bom para a população”, diz o vereador.

Ele garante que a base não aprovará projetos somente por determinação do Executivo, sem antes realizar uma discussão clara e aprofundada. “Agora os vereadores novatos já têm conhecimento de como conduzir os trabalhos e isso vai facilitar o andamento das sessões, as discussões dos projetos, esclarecendo todos os pontos para a imprensa e à população”, salienta.

Oposição

De acordo com Biléo Soares (PSDB), a oposição manterá a mesma linha adotada no primeiro semestre, o que lhe garantiu vitórias importantes em alguns projetos, com o apoio da população e até mesmo de vereadores da base aliada. “Vamos manter uma oposição coerente, de equilíbrio e que dialoga os temas propostos para a cidade, estudando as matérias e, o que for ruim, não será apreciado e os projetos bons terão o nosso apoio”, garante o tucano.

Para o vereador, não se pode aprovar os projetos simplesmente pelos interesses do Executivo, sem antes analisar se trarão benefícios ou prejuízos para a população, a maior interessada. “Por isso, a oposição deve ser responsável, a favor de Campinas, nem light e nem sistemática, com conteúdo para enfrentar todas as matérias que passarem pelo plenário, pois foi uma linha vitoriosa, que deu no primeiro semestre”, afirma.

Para a base aliada, o tucano deixa um recado: “a base não pode ser cega e aprovar todos os projetos sem analisá-los. Não pode aprovar simplesmente porque é de interesse do governo. Espero que ocorram debates na casa, com relação aos projetos, para que na discussão política se chegue aos melhores caminhos para a cidade, apontando os erros e acertos. Sou uma pessoa conciliadora e acredito que esse é o caminho, conversar e dialogar os projetos, mas estaremos atentos a quaisquer interesses obscuros”, afirmou.

Um dos embates já agendados, segundo Biléo, será quanto ao veto ao projeto de transparência nas nomeações de cargos de confiança na administração indireta, do seu colega de partido, Artur Orsi. “Nós da oposição discordamos da justificativa do Executivo e lutaremos para derrubar o veto, pois é um projeto importante e de grande interesse para a população”, disse.

Articulações
As articulações para as eleições de 2010, das quais alguns vereadores devem participar como candidatos a deputado estadual e federal, não deverão interferir nos trabalhos do Legislativo já neste semestre. De acordo com Yabiku, seria prematuro que os vereadores-candidatos já começassem a pleitear votos por meios de trabalhos e projetos, em um momento que ainda não é propício para isso.

A mesma opinião é compartilhada por Sellin e Biléo, pois consideram que neste semestre os vereadores ainda estarão focados nos trabalhos do Legislativo. Sellin ressalta que o cenário também pode mudar, caso a Reforma Política seja sancionada este ano, podendo ocorrer trocas de partido. Para ele, as articulações só devem ter reflexo na Câmara no próximo semestre.

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