|
Proposta obriga Administração indireta a
publicar nomes de servidores
Com um acordo costurado nos bastidores para que nenhum vereador
transformasse o fim dos “atos secretos” em palanque, os vereadores de
Campinas aprovaram o projeto de lei que obriga os presidentes das empresas
públicas, fundações e autarquias a publicarem as portarias de nomeação e
exoneração de assessores no Diário Oficial do Município (DO). A medida, se
sancionada pelo prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), irá atingir
empresas como a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa),
a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e a Companhia de
Habitação Popular de Campinas (Cohab), entre outras, que não têm a
obrigatoriedade de relacionar na imprensa oficial os nomes dos
comissionados. |

|
|
O projeto, de autoria do vereador Artur
Orsi (PSDB), foi aprovado sem nenhuma discussão e com 31 votos favoráveis,
com exceção dos votos do vereador Pedro Serafim (PDT), que estava ausente da
sessão de ontem, e do presidente da Câmara, Aurélio José Cláudio (PDT), que
não vota.
Nos bastidores, os parlamentares argumentavam que não havia clima para
rejeitar a proposta de transparência dos atos públicos em razão dos
escândalos que atingem o Senado — nos últimos 14 anos, foram editados 663
atos secretos que escondiam a contratação de parentes de políticos e outros
favorecimentos a políticos na instituição federal.
De acordo com o projeto, os atos deverão ser publicados com o nome do
empregado ou servidor, assim como a designação do cargo de confiança que irá
ocupar. A publicação da relação dos nomes deverá ser feita em janeiro de
cada ano. Apenas neste ano a divulgação deverá ocorrer até o décimo dia
posterior à publicação da lei — se ela for sancionada por Hélio.
O tucano disse que ficou surpreso com a adesão quase total dos
parlamentares. “Foi um passo importante para a transparência e acredito que
o prefeito vai sancionar a lei porque é um mecanismo de controle. Hoje os
presidentes podem criar cargos sem nenhuma restrição”, disse.
O líder do governo, Francisco Sellin (PDT), porém, afirmou que a decisão de
aprovar a matéria é exclusiva da Câmara. “Não conversei com nenhum
integrante do governo sobre o projeto de lei.”
Para o vereador Tadeu Marcos Ferreira (PTB), o cenário político vive hoje
uma tendência “que se sobrepõe à vontade dos parlamentares”. “Alguns podem
até ser resistentes, mas há uma tendência pela transparência”, disse. Já
Biléo Soares (PSDB) disse que a aprovação do projeto é a “prova cabal de que
a Câmara está sensível à opinião pública, que clama pela transparência”.
Mas nem sempre o apelo vem só da opinião pública. Algumas vezes, a cobrança
está dentro da própria casa do parlamentar. É o caso do vereador Josias Lech
(PT). Sua filha de 13 anos não teve dúvidas e o questionou se a Câmara de
Vereadores é igual ao Senado — referindo-se aos atos secretos. “Até minha
filha questionou e a sociedade está cobrando pela transparência e a classe
política tem de estar em sintonia com esse novo momento. Sou pela
transparência”, disse Lech.
Programa de regularização fiscal passa com emendas
Os vereadores de Campinas aprovaram ontem, com duas emendas, o Programa de
Estímulo à Regularização Fiscal (Perf), que vai oferecer várias condições
especiais de pagamento aos contribuintes que têm dívidas tributárias, entre
elas a de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), taxas de lixo e de
sinistro, entre outros impostos. O Executivo pretende arrecadar cerca de R$
200 milhões. Uma das emendas alterou o parcelamento da dívida de 48 para 60
meses e aumentou de 80% para 85% o desconto em multa e juros, se o
contribuinte optar pelo pagamento da dívida em até três vezes, e ainda
alterou o prazo de adesão ao programa de 90 para 120 dias. O que causou
surpresa, porém, foi a emenda apresentada pelo vereador Zé do Gelo (PV), que
reduziu o percentual de 10% para 2% dos honorários recebidos pelos
procuradores nos acordos judiciais. A sucumbência é paga pelo contribuinte
que perdeu a ação contra a Prefeitura. A reportagem não conseguiu contato
ontem com o presidente da Associação dos Procuradores, Osmar Lopes Júnior.
(RG/AAN)
Vereador apresenta proposta mais radical
Democrata quer divulgação de nomes e salários de todos os funcionários
O projeto aprovado ontem pelos parlamentares pode virar “fichinha” perto da
proposta protocolada ontem pelo vereador Alberto Alves da Fonseca, o
Professor Alberto (DEM), que prevê a publicação na internet do salário,
nome, cargo e unidade de trabalho de todos os funcionários — efetivos ou
comissionados — da Prefeitura e da Câmara de Vereadores de Campinas. No
Executivo municipal, a determinação atinge tanto a Administração direta
quanto a indireta (empresas municipais, fundações e autarquias).
A lei é idêntica à proposta apresentada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto
Kassab (DEM), que já causou polêmica e foi parar na Justiça. O democrata
publicou os dados de cerca de 147 mil contratados da Administração direta no
portal da Prefeitura paulistana. A Justiça chegou a conceder uma liminar
proibindo a divulgação, mas a decisão foi cassada pela Administração.
Em Campinas, o vereador argumenta que o projeto dará transparência total. “É
um projeto dos democratas e avalio que o debate será colocado e estamos
abertos a emendas”, disse. O democrata afirmou ainda que a regulamentação do
projeto — se aprovado pelos parlamentares — caberá ao Executivo.
Se aprovado, alguns supersalários que estão acima do teto do prefeito — de
R$ 13,5 mil — virão à tona. “O servidor público sabe que tem esse ônus (da
publicidade). O projeto não está direcionado para ninguém. O objetivo é dar
transparência”, disse.
Os vereadores, por sua vez, ainda não têm opinião formada sobre o projeto.
Sabem apenas que deverá ser uma proposta que irá dar muita polêmica. (RG/AAN) |