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Aproximação entre o prefeito e o deputado federal, rivais na
eleição, gera desconforto no partido
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Ricardo Alécio -
ricardo.alecio@rac.com.br
Rose Guglielminetti - rose@rac.com.br
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
A súbita aproximação entre o deputado federal Carlos Sampaio, principal
liderança tucana em Campinas, e o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) —
que foram adversários nas eleições municipais —, ampliou o processo de
esvaziamento do PSDB na cidade e o desconforto entre integrantes da legenda.
Sampaio, que até o ano passado adotava um tom crítico à gestão de Hélio, não
apenas amenizou o discurso como também tem elogiado o prefeito campineiro e
até participado de eventos em defesa de ações em conjunto com a Prefeitura. |
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O PSDB já governou Campinas com José Roberto Magalhães Teixeira e
Edivaldo Orsi, mas perdeu as últimas três disputas municipais, todas com
Sampaio.
A bancada de vereadores tucanos na Câmara nega a aproximação com
o governo Hélio e garante a oposição ao prefeito. Porém, é visível o desconforto
de alguns com as visitas de Sampaio ao gabinete do pedetista. O vereador Artur
Orsi (PSDB), principal porta-voz oposicionista e presidente do partido em
Campinas, é o que mais dá sinais do descontentamento. Orsi, no entanto, nega que
o PSDB esteja se aliando com Hélio. “Existe uma determinação de que o partido é
oposição”, disse. Ele afirmou ainda que não se pode confundir uma eventual
aproximação entre Sampaio e o prefeito.
“Não é o partido. Há uma distância imensa que nos separa da forma de governar de
Hélio. Nunca contrataríamos parentes como ele faz. Há uma falta de transparência
na gestão e ele ainda adora um populismo. São características que mostram o
fosso enorme entre o Hélio e o PSDB”, ressaltou Orsi. Nos bastidores, porém,
comenta-se que o vereador chegou até a procurar o secretário de Estado da Casa
Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho. O tom da conversa na reunião, há 20 dias,
teria sido a mudança de postura de Sampaio. “Não falamos sobre Hélio ou Carlão.
Fui para a reunião como um dirigente partidário e falamos sobre conjuntura (da
eleição) estadual”, disse Orsi.
A aproximação também tem causado desconforto entre os filiados que não têm
mandatos. “O PSDB de Campinas perdeu o rumo, não tem referências, virou um clube
de bocha”, afirma um filiado. Orsi, porém, nega que o partido esteja acéfalo. “A
cada dois meses os membros do Diretório se reúnem e sempre discutimos muito.”
No último dia 13 de fevereiro, os três vereadores tucanos acompanharam Sampaio,
Hélio e a deputada estadual Célia Leão (PSDB) em visita ao secretário de Estado
do Desenvolvimento, o tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo. Na pauta, a defesa
da instalação de uma Faculdade de Tecnologia (Fatec) em Campinas.
Fiel escudeiro de Sampaio, o vereador tucano
Biléo Soares prefere
colocar panos quentes no assunto. “O PSDB tem uma posição de oposição. Mas não é
aquela radical, rancorosa, burra e cega. É, sim, inteligente, equilibrada e a
favor de Campinas”, afirmou. Biléo
chegou até a dizer que o partido jamais fez uma oposição sistemática. Porém,
Orsi e Valdir Terrazan nunca compuseram com Hélio na Câmara. Além disso, alguns
vereadores eleitos pelo PSDB — como Francisco Sellin (PDT), Dário Saadi (DEM),
Luiz Riguetti (DEM) e Tadeu Marcos Ferreira (PTB) — chegaram a enfrentar pedido
de cassação de mandato por infidelidade partidária. O argumento era de que eles
não seguiam a orientação partidária — que era de oposição — e integravam a base
governista. “Era um outro momento. Se houver projetos obscuros e apontamento de
mau uso do dinheiro público, serei uma oposição intransigente”, disse
Biléo, que na última
semana passou a utilizar a tribuna da Câmara para criticar o governo Hélio. Mas
só o fez após a reportagem entrevistá-lo sobre a aproximação entre o PSDB e o
prefeito.
Terrazan também contestou a aproximação. “Sou oposição e ponto. As reuniões e as
idas de Carlão (Sampaio) ao gabinete são necessárias porque um é prefeito e o
outro é deputado (federal). E em todos os encontros foram tratados temas
relativos à cidade”, afirmou.
Hélio, por sua vez, diz que a aproximação atende a “interesses republicanos”. O
pedetista age como se tivesse dois senhores. Mantém um relacionamento muito
próximo com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva — que tem sido
generoso ao abrir o cofre para Campinas —, e também com o governador José Serra
(PSDB). Ao Correio, ele admitiu a possibilidade de uma candidatura a governador
depois que encerrar seu segundo mandato na Prefeitura de Campinas.
O NÚMERO
3
MIL
É o total de filiados no PSDB campineiro
Guinada do tucano pode atrapalhar democrata
A guinada de Carlos Sampaio (PSDB) em direção ao prefeito de Campinas, Hélio de
Oliveira Santos (PDT), pode atrapalhar os planos do deputado federal Guilherme
Campos Júnior (DEM), que conta com o apoio do pedetista nas eleições de 2010 e
nutre a expectativa de que Hélio o apoie numa eventual candidatura a prefeito em
2012. Pragmático, o democrata disse que não vê problemas na aproximação. “O
Hélio tem um compromisso comigo e não tenho porque me preocupar”, ressaltou.
Guilherme Campos preferiu contemporizar e disse ainda que o estreitamento do
relacionamento entre Hélio e Sampaio está restrito aos interesses da cidade.
“São dois políticos de Campinas que precisam de entendimento para o melhor de
Campinas”, afirmou. O deputado estadual Jonas Donizette (PSB) é outro que deverá
embolar ainda mais a disputa pelo voto. Como é dado como certo que ele disputará
uma vaga para a Câmara Federal em 2010, a avaliação é de que Sampaio poderá
perder votos com a candidatura de Jonas. Até porque, Jonas teve, em 2008, um
desempenho nas urnas acima do esperado e em algumas regiões da cidade até
superior ao de Sampaio em número de votos. Isso o credencia para ser forte
candidato a prefeito em 2012. “Não vejo problemas. Campinas tem votos para
eleger de três a quatro deputados federais”, afirmou Jonas. (RG/AAN)
‘Alianças não atendem a interesses partidários’
O diretor da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica
de Campinas (PUC-Campinas), Pedro Rocha Lemos, disse que os partidos perderam o
sentido e sua origem. Não há mais a essência pela ideologia. “É o que vemos, por
exemplo, no Congresso Nacional. Lá, o que impera são as formações de blocos em
função dos interesses dos políticos e daquilo que representam suas bases. As
alianças não são formadas por interesses partidários”, explicou.
A fragilidade partidária se intensificou com a vitória de Luiz Inácio Lula da
Silva como presidente. Segundo ele, no Brasil, sempre existiu uma cultura
política voltada para a figura de líder, aquele que concentra os poderes. “No
passado, tínhamos o Jânio (Quadros), o (João) Goulart e agora o Lula”, explicou.
O professor disse ainda que o carisma de Lula é tão intenso que não há uma
oposição ao seu mandato. “Até os oposicionistas se aproximam dele”, disse. E, no
âmbito local, repete o mesmo comportamento. “O governo Hélio não tem identidade
partidária e sim de realizações centradas em sua figura. É personalista e
fincada na imagem do homem”, disse.
O professor ressalta ainda que tanto Lula quanto Serra “adulam” Hélio em razão
da importância eleitoral de Campinas. “A cidade é importante para os dois
candidatos. Ele deve decidir por aquele que apontará para uma vitória”, previu
Rocha Lemos.
A saída para o fortalecimento dos partidos, segundo o professor, passa por uma
reforma política séria e que altere pontos nevrálgicos, como o financiamento
público de campanha. “Ainda temos no País o ranço do coronelismo e do populismo.
Quem está no poder sabe disso”, afirmou. Mas o cenário não é de todo negativo.
“A exigência da fidelidade partidária e o rigor da Justiça na punição de alguns
políticos que cometeram delitos têm sido exemplares.” (RG/AAN)
‘Não serei candidato a prefeito’, afirma Sampaio
Deputado descarta “oposição” a Hélio e nega incoerência na aproximação
Três vezes derrotado nas eleições municipais em Campinas, o deputado federal
Carlos Sampaio (PSDB) revela agora que não será novamente candidato a prefeito
em 2012, quando Hélio de Oliveira Santos (PDT) terá de deixar o comando do
Palácio dos Jequitibás. “O meu caminho é o Legislativo, na Câmara Federal ou no
Senado”, disse o tucano, em entrevista ao Correio. “Eu não serei candidato a
prefeito em 2012, mas o PSDB terá um candidato.”
Sampaio admite que, com a declaração, pode estar se colocando fora do debate
pela sucessão de Hélio, mas disse não ter mais o desejo de disputar a
Prefeitura. “No ano passado, eu sofri certa pressão (para sair candidato), mas
ainda tinha vontade. Agora, eu não tenho mais vontade de ser candidato a
prefeito.”
Ele também afirmou que não vê incoerência em agora estar ao lado de Hélio,
antigo adversário político, na “defesa de Campinas”. “Eu não sou oposição (a
Hélio), a Câmara é. Os vereadores (do PSDB) foram eleitos para serem oposição”,
disse Sampaio. E argumenta que fazer oposição não significa atrapalhar o
Executivo. “A função primeira da oposição é fiscalizar e, a meu ver, fiscalizar
é defender a cidade, e não inviabilizar o prefeito.”
O deputado também não enxerga qualquer problema com a bancada tucana na Câmara —
sobretudo com o vereador Artur Orsi, principal voz da oposição ao prefeito — por
causa da guinada em direção a Hélio. “O Artur (Orsi) sempre tem muito fundamento
e nunca quis inviabilizar o prefeito. Ele pode perfeitamente criticar um fato e,
depois, estar com o prefeito defendendo uma coisa que é boa para a cidade. Não
há incoerência nisso”, afirmou.
Apesar de iniciar a disputa nas eleições do ano passado como o principal
adversário de Hélio e de trocar farpas e ações na Justiça Eleitoral com a
campanha à reeleição do prefeito, o parlamentar disse que sempre deixou claro o
“respeito” que tem pelo chefe do Executivo municipal.
Sem estratégia
Sampaio garante que não há “nenhuma estratégia” por trás da decisão de se
aproximar do pedetista. “Até porque não serei candidato a prefeito”, disse. Nos
bastidores, a “explicação” política para a aproximação entre Sampaio e Hélio é a
existência de um pacto de não-agressão entre ambos que faria parte de um acordo
com vistas à eleição de 2010 e até mesmo à sucessão municipal em 2012.
“O Hélio me convidou para tomar um café depois da campanha. Eu concordei, para
trabalharmos juntos por Campinas”, disse. “No final do ano passado, ele me ligou
de novo cobrando o café. Marquei e fui visitá-lo. Foi quando tratamos da Fatec”,
contou Sampaio, citando o encontro em que ele e o prefeito acertaram a visita ao
Palácio dos Bandeirantes para defenderem, juntos, a instalação da Faculdade de
Tecnologia em Campinas. “O Hélio está muito próximo do (José) Serra (governador
de São Paulo, do PSDB) e o Serra tem um carinho e um respeito muito grandes pelo
Hélio”, disse. (RA/AAN) |