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04/03/2009
Opinião - A Corte |
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Projeto do Fundo de Transportes dá "cheque
em branco" a Hélio |
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Texto do projeto que cria o Fundo
Municipal de Transporte e Trânsito prevê que a prefeitura pode, a qualquer
momento, reverter os bens e os direitos do fundo ao município; estimativa é
arrecadar R$ 70 milhões por ano.
Anderson Botan
Campinas
O projeto de lei que cria o Fundo Municipal de Transporte e Trânsito prevê a
possibilidade de o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), a qualquer
momento, reverter os bens e os direitos do fundo ao município, dependendo
somente da aprovação de três membros do conselho gestor do fundo.
O projeto deve ser aprovado hoje na Câmara, em segunda discussão, porém a
oposição deve questionar esta reversão das verbas e também a composição do
conselho antes de dar seu apoio na votação.
O fundo deve garantir o custeio e o investimento no transporte público e no
trânsito da cidade por meio de receitas oriundas da arrecadação de multas de
trânsito, de convênios da Emdec e das empresas prestadoras de serviço, uma
verba estimada em R$ 70 milhões.
Contudo, de acordo com o parágrafo único do projeto de lei, encaminhado pelo
Executivo, os recursos podem ser revertidos novamente para a prefeitura. O
texto, conforme foi redigido, não especifica se este dinheiro deve ser gasto
para o transporte e trânsito ou ser agregado em outras secretarias.
“A reversão de bens e de direitos do FMTT ao município poderá ocorrer a
qualquer tempo, mediante deliberação do Conselho Diretor com voto favorável
de pelo menos três de seus membros”, consta na redação do projeto
encaminhado à Câmara.
O conselho gestor do Fundo Municipal do Transporte e Trânsito terá o diretor
financeiro da Emdec, o secretário de Transportes e os outros dois
representantes serão escolhidos pelo prefeito nas secretarias de finanças e
de assuntos jurídicos.
Todos, portanto, ligado à administração. E o prefeito, caso deseje aplicar o
que diz o projeto, bastaria ter o apoio de apenas três integrantes que
pertence aos quadros da prefeitura. |

Vereador Biléo Soares |
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Falta de clareza
Esta falta de clareza deixou alguns vereadores da oposição preocupados.
Biléo Soares (PSDB)
acredita que com um conselho totalmente escolhido pelo Executivo, a
prefeitura terá carta branca para mexer nos recursos do fundo e reverte-los
para o orçamento municipal.
“Isso é preocupante e precisa de uma discussão profunda, pois não se pode
ter um conselho totalmente neutro, precisamos de transparência na gestão dos
recursos públicos”, afirmou o vereador.
Os vereadores devem tentar hoje aprovar uma emenda ao projeto que determine
que o conselho tenha pelo menos seis membros e dois deles sejam
representantes sem ligações com o governo e a Secretaria de Transportes. Os
vereadores também estranham a velocidade com que o projeto tramitou na Casa.
“Foi tudo muito rápido”, questionou o tucano.
Outro lado
O diretor financeiro da Emdec, Eliel Rodrigues Martins, disse que a reversão
dos recursos do Fundo é uma situação hipotética e extrema, que dificilmente
ocorrerá, visto que todo o dinheiro que entrar já terá uma destinação legal
previamente estabelecida.
Caso a prefeitura solicite a reversão dos bens, deve ser exclusivamente para
investimentos no capital social da Emdec ou de sua sucessora, para
fortalecer o seu capital social para investimentos no setor de transporte e
trânsito.
“Não há possibilidade de estes recursos seres destinados para outros setores
que não sejam para benefício do transporte e do trânsito”, garantiu o
diretor.
O líder do governo na Câmara, vereador Francisco Sellin (PDT), disse que o
projeto foi muito discutido e bem esclarecido durante a audiência pública
realizada na segunda-feira na Casa e deixa claro que o dinheiro do fundo
será destinado exclusivamente para melhorias no transporte e no trânsito.
O único ponto que teve divergências foi quanto a composição do conselho
gestor. “Vou conversar com os vereadores a respeito disso e a gente deve
chegar num consenso, podendo colocar um representante da sociedade no
conselho, caso isso seja legal”, disse Sellin.
O vereador acredita que a oposição possa exercer algum bloqueio esta noite
durante a votação ou tentar criar algumas dificuldades na gestão do fundo,
pois para eles, se aprovado do jeito que está, o projeto seria um cheque em
branco da Câmara para o Executivo. “Mas a essência do projeto e os
benefícios que ele trará provam que ele será de grande valia para a cidade e
deve ser aprovado”, garantiu o vereador.
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