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10/03/2009 - 10:10

 

O PSDB de Campinas e o "doutor" prefeito

 

Um tucano de alto coturno, ao saber da aproximação do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB) com o prefeito de Campinas, “doutor” Hélio de Oliveira Santos, disse que a única pessoa que acredita no Hélio deve ser o Dário Saadi (DEM). A frase, jocosa, e feita por alguém que até gosta do vereador, mas não deixa de notar que ele saiu-se mal nas suas escolhas recentes, reflete o espírito de boa parte do PSDB em relação ao ôba-ôba que se criou em torno de encontros pontuais entre o prefeito e alguns tucanos.
Como os governos estadual e municipal têm interesses que se completam, é natural que, em muitos casos, esses interesses provoquem encontros que nada mais são do que a arrumação política de determinados pleitos que a cidade vai ter atendidos. Políticos vivem dessas “conquistas” e é claro que, quando a conquista é boa para a cidade, todos queiram aparecer como um dos “pais da criança”.
Assim, benefícios bancados pelo governo do Estado – que é tucano – para Campinas – governada por um prefeito do PDT – atraem membros das duas entidades partidárias (às vezes até de outras que também querem tirar uma lasquinha do doce), criando um cenário que tanto a imprensa quanto os cidadãos que costumam acompanhar a vida política da cidade estão cansados de presenciar. Mas os fatos estão longe de esvaziar o PSDB, como afirma reportagem de hoje do Correio Popular.
De resto, o presidente do PSDB de Campinas, o vereador Artur Orsi, declara, na mesma reportagem, que sua postura continua a mesma. Eleito com o slogan “A Voz da Oposição”, de fato Orsi vem mantendo sua fiscalização em relação ao governo do “doutor”. Esteve em São Paulo com o ex-governador Geraldo Alckmin, hoje secretário estadual de Desenvolvimento, encontro do qual participaram outros quatro tucanos de Campinas e o prefeito, para tratar do caso Fatec, mas foi só. Na Câmara tem sido crítico ferrenho das andanças municipais e teve mais de 20 requerimentos rejeitados pela base aliada, que construiu uma barreira cerrada às pretensões de Orsi de fiscalizar o poder Executivo de Campinas. Além disso, o vereador conseguiu na Justiça a primeira derrota do ano do governo do “doutor” que se viu obrigado a dar transparência às demissões e contratações de assessores na passagem de um mandato para outro. E ele prepara outras ações.
Na mesma reportagem, o líder da bancada tucana Biléo Soares, afirma que não pretende “fazer uma oposição radical, rancorosa, burra e cega”, se referindo provavelmente ao PT de outros tempos quando, para chegar ao poder, não admitiam nada que viesse dos seus adversários, mesmo que fosse bom para a cidade. A falsidade dos petistas hoje é facilmente constatável: no poder, fazem tudo que criticavam nos outros. Biléo rejeita essa postura que engana o eleitor. E o outro vereador tucano, Valdir Terrazan, embora tenha obrigações de vice-presidente de um poder, o Legislativo, que é quase que totalmente alinhado ao governo do “doutor”, garante ser oposição, sem se negar a promover conquistas para Campinas.
De resto, a grande novidade da reportagem do Correio é a postura definitiva do deputado Carlos Sampaio em relação ao seu futuro. Ele declarou que não será candidato à sucessão de Hélio, talvez calejado pelas três derrotas seguidas que sofreu ao tentar ser prefeito. Sua saída dessa disputa abre espaço para que o PSDB de Campinas se centre em outros nomes que tragam renovação ao partido, que unam tucanos em torno de um objetivo maior sem, claro, desmerecer a liderança natural do deputado federal no partido.
Claro que as definições de nomes e estratégias passam pela eleição de 2010, com a eleição do novo presidente da República, do novo governador do Estado, de senadores, deputados federais e estaduais. Os escolhidos nas urnas, que assumirão seus postos em janeiro de 2011, definirão os rumos das eleições de 2012, quando Campinas escolherá um novo prefeito. Até lá, há tempo suficiente para que os tucanos construam sua candidatura, bem distante do populismo barato do “doutor” Hélio e sua turminha de aproveitadores matogrossenses.
Por fim, uma última – e necessária – observação à reportagem do Correio, assinada pelos competentes jornalistas Ricardo Alécio e Rose Guglielminetti: o título (Relação Hélio-Sampaio esvazia o PSDB) deve ter sido feito antes e a reportagem depois. Além do primeiro parágrafo, onde se reafirma o título sem qualquer fato que o comprove, nada mais há na reportagem que configure esvaziamento do PSDB na cidade. Afinal, o partido tem hoje o candidato preferido das pesquisas para a sucessão de Lula e, possivelmente, terá também o preferido para suceder Serra no governo do Estado. E, se formos analisar realmente o que ocorre, veremos que há mais uma aproximação do prefeito Hélio de Oliveira do governo do Estado (talvez de olho no preferido hoje das pesquisas para presidente da República) do que de tucanos à Prefeitura de Campinas.

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