|
Um tucano de alto coturno, ao saber da aproximação do deputado
federal Carlos Sampaio (PSDB) com o prefeito de Campinas, “doutor” Hélio de
Oliveira Santos, disse que a única pessoa que acredita no Hélio deve ser o Dário
Saadi (DEM). A frase, jocosa, e feita por alguém que até gosta do vereador, mas
não deixa de notar que ele saiu-se mal nas suas escolhas recentes, reflete o
espírito de boa parte do PSDB em relação ao ôba-ôba que se criou em torno de
encontros pontuais entre o prefeito e alguns tucanos.
Como os governos estadual e municipal têm interesses que se completam, é natural
que, em muitos casos, esses interesses provoquem encontros que nada mais são do
que a arrumação política de determinados pleitos que a cidade vai ter atendidos.
Políticos vivem dessas “conquistas” e é claro que, quando a conquista é boa para
a cidade, todos queiram aparecer como um dos “pais da criança”.
Assim, benefícios bancados pelo governo do Estado – que é tucano – para Campinas
– governada por um prefeito do PDT – atraem membros das duas entidades
partidárias (às vezes até de outras que também querem tirar uma lasquinha do
doce), criando um cenário que tanto a imprensa quanto os cidadãos que costumam
acompanhar a vida política da cidade estão cansados de presenciar. Mas os fatos
estão longe de esvaziar o PSDB, como afirma reportagem de hoje do Correio
Popular.
De resto, o presidente do PSDB de Campinas, o vereador Artur Orsi, declara, na
mesma reportagem, que sua postura continua a mesma. Eleito com o slogan “A Voz
da Oposição”, de fato Orsi vem mantendo sua fiscalização em relação ao governo
do “doutor”. Esteve em São Paulo com o ex-governador Geraldo Alckmin, hoje
secretário estadual de Desenvolvimento, encontro do qual participaram outros
quatro tucanos de Campinas e o prefeito, para tratar do caso Fatec, mas foi só.
Na Câmara tem sido crítico ferrenho das andanças municipais e teve mais de 20
requerimentos rejeitados pela base aliada, que construiu uma barreira cerrada às
pretensões de Orsi de fiscalizar o poder Executivo de Campinas. Além disso, o
vereador conseguiu na Justiça a primeira derrota do ano do governo do “doutor”
que se viu obrigado a dar transparência às demissões e contratações de
assessores na passagem de um mandato para outro. E ele prepara outras ações.
Na mesma reportagem, o líder da bancada tucana
Biléo Soares, afirma que
não pretende “fazer uma oposição radical, rancorosa, burra e cega”, se referindo
provavelmente ao PT de outros tempos quando, para chegar ao poder, não admitiam
nada que viesse dos seus adversários, mesmo que fosse bom para a cidade. A
falsidade dos petistas hoje é facilmente constatável: no poder, fazem tudo que
criticavam nos outros. Biléo
rejeita essa postura que engana o eleitor. E o outro vereador tucano, Valdir
Terrazan, embora tenha obrigações de vice-presidente de um poder, o Legislativo,
que é quase que totalmente alinhado ao governo do “doutor”, garante ser
oposição, sem se negar a promover conquistas para Campinas.
De resto, a grande novidade da reportagem do Correio é a postura definitiva do
deputado Carlos Sampaio em relação ao seu futuro. Ele declarou que não será
candidato à sucessão de Hélio, talvez calejado pelas três derrotas seguidas que
sofreu ao tentar ser prefeito. Sua saída dessa disputa abre espaço para que o
PSDB de Campinas se centre em outros nomes que tragam renovação ao partido, que
unam tucanos em torno de um objetivo maior sem, claro, desmerecer a liderança
natural do deputado federal no partido.
Claro que as definições de nomes e estratégias passam pela eleição de 2010, com
a eleição do novo presidente da República, do novo governador do Estado, de
senadores, deputados federais e estaduais. Os escolhidos nas urnas, que
assumirão seus postos em janeiro de 2011, definirão os rumos das eleições de
2012, quando Campinas escolherá um novo prefeito. Até lá, há tempo suficiente
para que os tucanos construam sua candidatura, bem distante do populismo barato
do “doutor” Hélio e sua turminha de aproveitadores matogrossenses.
Por fim, uma última – e necessária – observação à reportagem do Correio,
assinada pelos competentes jornalistas Ricardo Alécio e Rose Guglielminetti: o
título (Relação Hélio-Sampaio esvazia o PSDB) deve ter sido feito antes e a
reportagem depois. Além do primeiro parágrafo, onde se reafirma o título sem
qualquer fato que o comprove, nada mais há na reportagem que configure
esvaziamento do PSDB na cidade. Afinal, o partido tem hoje o candidato preferido
das pesquisas para a sucessão de Lula e, possivelmente, terá também o preferido
para suceder Serra no governo do Estado. E, se formos analisar realmente o que
ocorre, veremos que há mais uma aproximação do prefeito Hélio de Oliveira do
governo do Estado (talvez de olho no preferido hoje das pesquisas para
presidente da República) do que de tucanos à Prefeitura de Campinas. |