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PUC-CAMPINAS
PEDRO BENEDITO MACIEL NETO
O “Pátio dos Leões” é o espaço no prédio central da PUC (Pontifícia Universidade
Católica) Campinas, descoberto e fechado por muros ao qual se tem acesso através
de um grande portão de ferro. O pátio é guardado por dois imponentes leões de
pedra que ficam no alto de colunas que sustentam o portão.
Nesse local, ou a partir dele, nos anos de 1982 a 1986, vivemos e compartilhamos
validamente sonhos e construímos nossa vida profissional, social e política. Eu,
particularmente, devo à sorte - força dívida reguladora dos acasos -, muita
coisa que vivo hoje, pois foi no Pátio dos Leões que conheci meus grandes
amigos, os adversários mais respeitáveis, foi lá que conheci Celinha, meu amor,
e a partir de lá passei a crer na ação política como força legítima necessária
para transformar a realidade.
E há uma história muito legal que aconteceu em 1982, que envolve o vereador
Biléo Soares (PSDB). Eu estava lá e sou testemunha. O ano era 1982, e a
“direita” dominava a política estudantil na faculdade de Direito da PUCC, em
Campinas, e isso nos parecia inadmissível, afinal vivíamos numa época de
reconstrução da democracia. Por conta disso, deixamos de lado as diferenças e
unimos forças para vencer as forças organizadas do atraso. Estavam ombreados: o
PT, PCdoB, PMDB e o ainda embrionário PSB.
As lideranças estudantis progressistas na faculdade de Direito eram Caio
Carneiro Campos, pelo PCdoB, João Roberto Medeiros, pelo PMDB e este escriba
pelo PT. Havia ainda Frida Cristina Barbosa, João Facciolli, Angélica Marinho,
Orlando Bueno, José Antonio Lemos, Miguel Valente Netto, enfim, tanta gente boa
que não vou me lembrar de todos agora.
E numa reunião, da qual Biléo não participou, concluímos que ele deveria ser o
candidato a presidente do DA (Diretório Acadêmico), por seu espírito democrático
e por ter bom trânsito também no campo conservador.
Reunimo-nos, cerca de 20 ou 30 “jovens revolucionários” no Centro Acadêmico de
Psicologia para entregar a Biléo a tarefa. Foram 12 horas de reunião e
Biléo
permaneceu em silêncio a maior parte do tempo. Falávamos, discursávamos,
brigávamos e nos reconciliávamos. Bem, lá pelas 5 ou 6 horas da manhã
Biléo
posicionou-se e não aceitou a indicação. Caio ocupou a cabeça de chapa e
vencemos as eleições com MUITA sobra, para desespero da faculdade - bastante
conservadora naquele momento -, passamos a enviar representantes aos congressos
da UEE (União Estadual dos Estudantes) e UNE (União Nacional dos Estudantes),
além do ENED (Encontro Nacional de Estudantes de Direito) e democratizou as
relações institucionais na faculdade.
Vencemos ainda em 1982 e 1983, mas perdemos em 1984 e 1985 (nesse ano fui
candidato presidente, com uma chapa pura petista). Outra curiosidade: perdemos
para um grupo que julgávamos alienados e conservadores, denominado “Delírio
Acadêmico” e que tinha como um dos seus articuladores o hoje petista, advogado e
ex-secretário dos negócios jurídicos Nilson Lucilio.
Outra história curiosa envolve o deputado federal Carlão Sampaio (hoje no PSDB).
Ele era do nosso grupo, mas na faculdade Carlão era considerado “café com
leite”. Sempre nos lembrávamos dele para o Departamento e Esportes, coisas
assim, ademais, a liderança da família Sampaio era o irmão mais velho Afonsinho
Sampaio.
O interessante é que a orientação política da família Sampaio sempre foi
progressista, de esquerda mesmo, tanto que o Dr. Afonso Celso, pai do Carlão,
foi candidato a vice-prefeito de Campinas em 1982, numa sublegenda do PMDB, na
chapa encabeçada pelo médico sanitarista Sebastião de Morais, todos da esquerda
do PMDB, fortemente influenciado pelo PCdoB. E hoje o advogado do Carlão tenta -
infundada e desesperadamente - caçar o mandato do vereador Sérgio Benassi do
PCdoB.
Há muitas histórias daquele tempo e de pessoas que hoje ocupam importantes
funções políticas no Executivo, Legislativo, na magistratura, na advocacia, no
Ministério Público e nas polícias. Aos poucos eu conto.
Pedro Benedito Maciel Neto é advogado, professor universitário e foi Secretário
Municipal em Campinas (1997 a 1998) e Sumaré (2003 a 2004) |