Matérias


02/02/2009

 

Investigações marcam retorno dos vereadores

 

Câmara volta aos trabalhos hoje com pedido de investigação no setor da Saúde e de três comissões de estudos para avaliar ações específicas do governo Hélio.

Anderson Botan
Campinas


Os vereadores de Campinas retomam hoje as sessões ordinárias na Câmara e os trabalhos devem iniciar com muita investigação e polêmicas. Até agora, já foram apresentados três requerimentos para abertura de Comissões Especiais de Estudo (CEE) e um para Comissão Especial de Inquérito (CEI).

As CEE envolvem projetos que tramitam na casa e a CEI tem como objetivo investigar o Programa Municipal de DST/Aids.

O pedido de CEI foi feito pelo vereador José Carlos Silva (PDT) logo no início do ano. No requerimento, o parlamentar solicita que sejam investigadas possíveis irregularidades no convênio firmado entre o Programa Municipal de DST/Aids, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde e a ONG Acadec.

O vereador procura analisar se há problemas na prestação de contas deste convênio, já que a verba é federal, vinda do Ministério da Saúde. Zé Carlos, como é conhecido, pretende comparar os repasses feitos pelo programa com a destinação dada aos recursos pela Acadec.

O tema também está sob investigação do Ministério Público Estadual. A denúncia foi feita pelo vereador Petterson Prado (PPS), que apura suposto desvio de verbas e superfaturamento em compras de materiais e realizações das atividades pelo programa, do qual a Acadec é cogestora dos recursos. “Vou me empenhar ao máximo para descobrir a verdade”.

No documento apresentado ao MP, o vereador aponta que as verbas e recursos não tinham registro e controle de saída e destinação, o que pode ter gerado um sistema de corrupção no programa.

A prefeitura, coordenadores do programa e a ONG defendem que não há irregularidades, pois as contas foram auditadas e aprovadas por fiscais da Controladoria Geral da União (CGU) e estão à disposição de qualquer pessoa tanto pela internet, no site www.aids.com.br quanto na sede da coordenação do Programa Municipal de DST/Aids.

Na guerra interna na Casa, entre oposição e situação, há uma avaliação política de que Zé Carlos, tradicional aliado do governo Hélio de Oliveira Santos (PDT), tenha se adiantado em solicitar a apuração com o objetivo de deixar a investigação mais branda para os lados do Executivo. “Não será uma CEI chapa-branca”, defende-se Zé Carlos.

Comissões de Estudo

Já as CEEs pretendem estudar e discutir com a população assuntos que estão diretamente ligados a eles. Na comissão proposta pelo vereador Ângelo Barreto (PT), o objetivo é avaliar o projeto de lei de autoria do Executivo que trata da instalação e construção de antenas de telefonia celular em Campinas.

Neste projeto, o Executivo exclui a participação popular das decisões sobre onde serão instaladas as antenas. Com isso, o vereador espera que na comissão, fique nítida a necessidade da participação popular neste debate.

Barreto pretende estudar também outros temas que já geraram problemas na instalação destes equipamentos na cidade, como a falta de alvará, os riscos para a saúde da população e impactos ambientais que podem ocorrer.

“Vou me comportar como governo, se depender de mim o Dr. Hélio fará um mandado melhor do que o anterior. Porém, meu voto não vai ser de acordo com o que o Executivo quer e sim sempre favorável à população.”

Outra comissão que deve ser votada na Casa pretende fiscalizar a execução das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Campinas. A autoria é do vereador Jairson Canário (PT) e dentre os projetos que pretende fiscalizar está o de inclusão das famílias da região do Aeroporto de Viracopos que terão seus terrenos desapropriados para a ampliação do aeroporto, na qual devem ser destinados cerca de R$ 150 milhões.

Canário considera necessário que se fiscalize de perto as obras, sua realização e conclusão, já que são valores altos destinados e isso favorece a população tanto na geração de empregos quanto nos benefícios que vai proporcionar a eles.

O projeto em estudo pelo governo estadual de reduzir o número de delegacias em Campinas, criando quatro “superdelegacias” é o tema da CEE proposta por Rafa Zimbaldi (PP), que deve ser iniciada tão logo seja aprovada na Casa.

Zimbaldi, que é membro da Comissão Permanente de Segurança Pública da Câmara, acredita que caso os serviços sejam centralizados em delegacias na região central, o acesso se tornará praticamente impossível para moradores de regiões periféricas da cidade, e isso pode contribuir para o aumento da impunidade e da criminalidade nestas regiões.

Zimbaldi pretende levantar quais os benefícios e prejuízos que o projeto estadual pode trazer para o município e no relatório apontar o que é melhor para a cidade.

Rescaldo da eleição

A recondução de Aurélio Cláudio (PDT) à presidência da Casa parece assunto superado entre os vereadores, porém ainda pode ser um motivo de muitas divergências e discussões na Casa.

O vereador foi reeleito com 20 votos, o que causou um racha em seu próprio partido. Cinco vereadores fecharam apoio a Aurélio e três votaram de acordo com a determinação do Executivo, leia-se Hélio de Oliveira Santos, que fechou apoio ao candidato do DEM, Dário Saadi.

Com isso, formaram-se dois blocos na Casa, com 12 vereadores aliados ao Executivo e 21 tecnicamente na oposição, articulados principalmente por Tadeu Marcos (PTB). Alguns dias após o pleito, alguns rebeldes começaram a temer as possíveis reações do 4º andar.

Hélio tirou das mãos dos vereadores a decisão de alguns cargos do 2º e 3º escalão, como presidência das ARs, subprefeituras e deixou nas mãos dos partidos da base aliada. O líder do governo na Câmara, Francisco Sellin (PDT), começou um trabalho de reorganização da base aliada, iniciando pelo próprio partido e estendido aos demais componentes da base.

Na formação das comissões permanentes, ficou claro que este trabalho já teve êxito, pois o Executivo conseguiu frear os anseios da oposição e obteve a presidência da comissão mais importante, a de Constituição, Legalidade e Redação, que é responsável pela avaliação dos projetos que o Executivo envia para a Câmara. O escolhido pelo PDT para a presidência foi o vereador Luis Yabiku.

Conflitos e discussões

Francisco Sellin considera que este ano poderão ser apresentados projetos que gerem alguns conflitos e discussões entre os vereadores, como por exemplo o das Macrozonas, com destaque para a Macrozona 5, que envolve os bairros da região de Viracopos.

“A região ganhará um novo perfil, vai ser urbanizada, sofrerá desapropriações, por isso é necessário garantir que quem vender seus terrenos seja realocado em um lugar com as mesmas características”, diz. Quanto ao racha na base aliada, ele afirma que isso é um assunto superado e que os vereadores estão conscientes do seu papel junto à população.

O líder do PSDB na Casa, Biléo Soares, garante que a oposição pretende fazer um trabalho de lapidação dos projetos, dos debates e das análises antes de emitirem seu voto. “Faremos uma oposição consciente. Não seremos light, mas também não ficaremos somente batendo nos projetos do governo sem antes analisar quais os benefícios e prejuízos que podem trazer para a comunidade”, afirma.

Copyright (c) 2009 - www.bileosoares.com.br - Todos os direitos reservados