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26/02/2009

Cidades

Acordo ajuda a aprovar "fundo de multa"

 

Projeto que altera órgão para gerenciar receitas passou em primeira discussão
 

Após um acordo entre o líder de governo, Francisco Sellin (PDT), e os vereadores de Campinas, foi aprovada em primeira discussão (legalidade) o projeto de lei que altera o Fundo Municipal de Trânsito e Transportes (FMTT) — instância responsável por gerenciar todas as receitas, inclusive as multas por infrações de trânsito aplicadas em Campinas.

Na costura política, ganhou o Executivo e os parlamentares. O governo porque não precisou retirar o projeto ou ter de amargar uma derrota. Os parlamentares, que tinham muitas dúvidas sobre o conteúdo das mudanças, porque conseguiram o comprometimento do líder de governo de apresentar e fazer aprovar emendas quando for votado o mérito do projeto.

Entre as mudanças propostas, estão a permissão de entrada no fundo de recursos provenientes de concessões públicas, como as da rodoviária e do transporte público, além da transferência do gerenciamento à Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). Em 2004, quando o fundo foi criado, ficou determinado que tanto as receitas de multas como as provenientes de autuações do transporte coletivo e da venda de talões do estacionamento rotativo (Zona Azul), por exemplo, deixariam de entrar no caixa da Emdec. Esses recursos iriam para o fundo passariam a integrar o Orçamento do município com o objetivo de financiar exclusivamente investimentos na infraestrutura de transportes, circulação e sistema viário.

Porém, de acordo com o secretário municipal de Transportes, Gerson Luis Bittencourt, o fundo nunca chegou a ser implantado. “Ele só existe no papel. Estamos fazendo as mudanças necessárias para que, de fato, a gente implante a lei. Há ainda uma recomendação do Tribunal de Contas (TCE-SP)”, ressaltou, referindo-se à rejeição das contas de 2007 da Emdec em razão de os recursos das multas entrarem no caixa da empresa e não no fundo.

O secretário disse ainda que a antiga lei não previa as receitas por concessão pública. Segundo ele, são recebidos cerca de R$ 450 mil entre a concessão da nova rodoviária e do transporte público. “E teremos ainda as receitas que virão quando as garagens subterrâneas foram implantadas. Outra verba que receberemos é o da concessão do mobiliário urbano. São ajustes que têm que ser feitos”, justificou.

Quanto ao gerenciamento pela Emdec, afirmou que é apenas uma forma de desburocratizar o processo. “A atual lei prevê que (a Secretaria de) Finanças tem de repassar cada um dos itens (de receitas) para a Emdec. Isso iria implicar em termos quase que uma sucursal da Emdec dentro da Secretaria de Finanças”, disse.

Os vereadores, por sua vez, tinham mais dúvidas do que certezas. Tanto que vão esperar a audiência pública marcada para segunda-feira, às 9h, para debater o assunto. O vereador Tadeu Marcos Ferreira (PTB) disse ao líder de governo que a existência de uma recomendação não significa que o assunto esteja encerrado. “Não é o fato de o Tribunal de Contas ter apontado a necessidade de ser feita a alteração que a peça esteja lapidada, perfeita. Existem dúvidas.” Biléo Soares (PSDB) criticou a colocação na pauta, em regime de urgência, na sessão que aconteceu um dia após o feriado de Carnaval.

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