Discurso


03/02/2010

 

2a Reunião Ordinária, realizada aos 03 de fevereiro de 2010

 

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Sr. Presidente, Srs. Vereadores, distinto, seleto e digno público presente aqui nas galerias do Plenário da augusta Câmara de Vereadores de Campinas, telespectadores que nos assistem agora pela TV Câmara.
Olha, eu, com muito pesar, com muita dor no coração, eu volto ao discurso e ao tema cultura. E já quero dizer que esse será o meu quinto pronunciamento e esse pronunciamento, Vereador Tadeu Marcos, eu tenho me pautado sempre pelo equilíbrio e vou continuar assim.
Quero dizer que na Sessão passada, Vereador Vicente, falava do Teatro São Carlos, que foi inaugurado em 1850. O terreno da municipalidade, com recursos da comunidade de então, apresentou várias peças, óperas, músicas de toda a natureza e as famílias faziam cortejo pela cidade para levar as cadeiras.
E até 1875, nos 25 anos seguintes, ele foi iluminado por luz de velas e candeeiros a gás. E em 1886 foi apresentada a peça “A dama das camélias”. Então, Campinas sempre esteve sempre como berço de cultura do nosso país, do nosso Estado de São Paulo.
Naquela época, Vereador Tadeu Marcos, não tinha água, luz e rede de esgoto, mas tinha o teatro, hoje, felizmente, nós temos tudo isso, mas não temos teatros.
Então, eu quero dizer que Vereador Líder do Governo, Vereador dos mais simpáticos e mais brilhantes desta Casa, eu quero dizer o seguinte, tem uma frase eu aprendi muito com o Governador Montoro, quando eu era Presidente da Juventude Latina Americana pela Democracia, toda segunda-feira eu estava em São Paulo e o Montoro me dava os livros de Jacques Maritain, eu lia muito Jacques Maritain. E tem uma frase que eu pincei aqui hoje: “Quando a gente eleva a discussão, a gente se encontra”. Então essa discussão eu acho que tem que ser sintonizada no que representa a cultura no seio do povo campineiro.

SR. VEREADOR THIAGO FERRARI (PMDB): Um aparte, Sr. Vereador?

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Eu acho... Daqui a pouco, Vereador.
Eu acho que textos infantis, grosseiros, dantescos, desconectados não levam a lugar algum. E reproduzindo as palavras do Prefeito Dr. Hélio, quando disse do respeito que ele tem pela oposição desta Casa, ela falava: “Essa oposição tem cara, vai ao debate e aponta as alternativas para a cidade”. Então é importante que o Dr. Hélio, inclusive que a gente possa montar uma comissão falar com o Dr. Hélio, para mostrar a precariedade, a falta de manutenção de serviços dos teatros de Campinas.
Por exemplo, Vereador Tiago, o Castro Mendes. O Castro Mendes, hoje está cercado por um tapume, cujas pichações já estão amareladas em função do tempo, não é? Felizmente está cercado por tapumes, está cercado com tubo de concreto como fora no passado na prefeitura. Mas, na verdade, encontra-se com a marquise quebrada, com os vidros quebrados, em petição de miséria.
O Teatro Centro de Convivência, já estive aqui em outras quatro ou cinco oportunidades para falar isso em alto e bom som, o ator global Thiago Lacerda disse que é um chiqueiro, tem infiltrações e nós fizemos um trabalho em cima disso
Quer dizer, então é o momento de nós, Vereadores, de uma maneira institucional, não queremos aqui industrializar o pavor, mas de uma maneira institucional conversarmos com o prefeito, que eu tenho certeza que o prefeito vai entender esse drama que vive os teatros de Campinas, não podem continuar assim.
Quer dizer desde que o Rui Novaes, de uma maneira abrupta, desastrosa, demoliu o Teatro Municipal, que fora construído por Orozimbo Maia, em 1930, depois de ter derrubado o Teatro São Carlos, aquele Teatro São Carlos que era muito importante à época para Campinas.
Então, na verdade, Vereador Thiago Ferrari, é o momento de profunda reflexão. Nós precisamos mobilizar a sociedade, sair do imobilismo e conversarmos com o prefeito, para que possamos de uma maneira veemente, clara, óbvia, buscar uma alternativa concreta, palpável, para que nós possamos ter um teatro digno, que esteja à altura das dimensões, das tradições e das grandezas de Campinas.
Com a palavra Vereador, nobre colega que sempre me aparteia aqui e sempre está debatendo assuntos da cultura, Vereador do PMDB, Vereador Thiago Ferrari. Eu quero dizer Vereador, que, em 1970, o Teatro Castro Mendes, foi inaugurado pelo Governo do PMDB, era o Cine Casa Branca, datado de 1953, pelo Governo do PMDB, e depois o Centro de Convivência. E também nós todos fazíamos parte do PMDB naquela época.
Desde então fez-se pouco, então está no momento de nós descruzarmos os braços e abraçarmos na verdade essa causa, que é uma causa de todos nós, que a cultura gera independência, emancipação, conhecimento e um povo com memória e não um povo com amnésia total, como às vezes a gente sente por falta de cultura.

SR. VEREADOR THIAGO FERRARI (PMDB): Vereador Gilberto Biléo Soares, eu gostaria de fazer duas reflexões com relação a sua fala.
Primeiro lugar é importante a cultura, que a cultura é a alma da nossa cidade, tanto é que no meu gabinete eu tenho as fotos--

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): É seu projeto, não é Vereador?

SR. VEREADOR THIAGO FERRARI (PMDB): --da demolição do Teatro São Carlos, porque eu acho que a gente não pode jogar fora, não pode deixar que aconteça isso com a história da nossa cidade.
Isso para os meus Assessores, para as pessoas que vão me visitar, e para mim mesmo, lembrar disso daí, para a gente sempre estar construindo e não destruindo.
Com relação a sua fala, Vereador, eu gostaria de fazer duas ressalvas. A primeira, que eu acho que a questão da cultura, a gente tem que ampliar um pouco, não é só a questão dos teatros, os teatros são simbólicos, mas friso, bato o pé novamente que nós devemos também montar--

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): A organização da sociedade.

SR. VEREADOR THIAGO FERRARI (PMDB): --se organizar para que a gente dê força aos movimentos culturais, força para as pessoas envolvidas como a Tavares, a Regina Tavares que está envolvida, PSDB histórica, para que ela também possa ter voz e contribua na construção dessa política pública para a cultura.

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Esse projeto do senhor, o senhor deveria chamar uma Audiência Pública e convidar os Vereadores para a gente debater a cultura na cidade.

SR. VEREADOR THIAGO FERRARI (PMDB): Estamos fazendo Audiência Pública, agora a gente vai às regiões para que a gente possa respeitar a diversidade cultural de Campinas. Então, vamos também, além dos próprios municipais, olhar também para os movimentos culturais.
Uma segunda coisa que eu gostaria de ressaltar, Vereador, eu tenho certeza, o Vereador Francisco Sellin, Líder de Governo está aqui, eu acho que ele pode se comprometer, e eu falo até por ele, vamos se tiver proposta de melhoria, de parceria até, ou de soluções para que a gente possa resolver a questão dos teatros municipais, V. Exa. vai ser muito bem vinda. Eu tenho certeza e a gente aqui da base aqui convive com a preocupação do Prefeito de recompor a história dos teatros municipais, da caravela, são cartões postais da cidade que não representam apenas um próprio público, representa uma história de uma cidade.
Então, eu estou aqui para reforçar, para estar do seu lado--

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Mais uma vez, não é Vereador?

SR. VEREADOR THIAGO FERRARI (PMDB): --havendo proposta nós estarmos juntos. Nós nos comprometemos, me comprometo em a gente marcar e levar para o prefeito propostas para que a gente possa suprir essa carência da nossa cidade. Obrigado.

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Há propostas de Vereadores, de por exemplo, montar, formar uma Comissão, se não aqui mesmo, formar uma Comissão de Estudos, eu lanço isso para a recuperação dos teatros de Campinas. Podemos formar uma comissão suprapartidária, no sentido de estar estudando, chamando técnicos, profissionais da área para que a gente possa além de organizar a sociedade cultural de Campinas, termos teatros para que as pessoas possam estar ali representando a arte e a cultura de Campinas.
Na terceira parte eu vou voltar à Tribuna para falar sobre as praças públicas de Campinas. Meu médico pediu para ficar em pé hoje, então, vou passar o tempo todo na Tribuna.

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Quatro minutos.
Sr. Presidente, Srs. Vereadores, distinto e seleto público presente, telespectadores da TV Câmara, eu vou ser bem rápido.
Eu fiquei atentamente ouvindo os discursos, hoje eu já me posicionei e fiz o quinto posicionamento no que diz respeito da recuperação dos teatros da nossa cidade e etc., eu fui lá atrás buscar 1850, Teatro São Carlos como é que era antes da água, da luz, nós tínhamos teatro, que Campinas é culta, progressista, até no hino de Campinas a letra está o progresso, para tirar a Carlos Gomes lá atrás, Campinas seria a cidade do progresso, então nossa cidade é uma cidade fértil e, realmente, uma cidade importante no que diz respeito a isso.
Mas o que também motiva aqui é fazer uma avaliação sobre a história do trânsito, acho que tem que ter parcimônia, paciência, isso houve com o Rótula, etc. eu acho que precisa dar tempo ao tempo para a gente na verdade verificar se isso veio para ficar realmente, se precisa ser lapidado, burilado, enfim é importante a gente estar discutindo e essa Casa tem debatido constantemente todos as assuntos pertinentes à cidade, isso é um ponto positivo ao Legislativo Municipal.
Eu queria falar também sobre a questão da Igreja do Rosário. A Igreja do Rosário e o Teatro Municipal são duas coisas que estão dentro do meu coração e meu coração chora quando eu falo sobre isso. Eu fiz alguns estudos e a Igreja do Rosário poderia ter feito, o Prefeito Rui Novaes poderia ter feito ao invés de demolir a Igreja do Rosário, poderia ter feito o carro passar ao largo da Igreja do Rosário, e hoje a Igreja do Rosário estaria aí, não teria investido recursos na Igreja do Rosário que hoje está lá no Chapadão, perto do Castelo. Foi o primeiro erro do Rui Novaes, que era o meu amigo pessoal, mas eu não estou criticando o finado Rui Novaes sobre o ponto de vista pessoal, e sim sob o do ponto de vista político.
E a tragédia total foi a demolição do Teatro Municipal, lá atrás da Catedral hoje lá não nasce mato e não nasce capim, porque eu não sei se foram as pragas do deuses, se isso é possível, que impediram lá, aquilo lá não acontece nada é um buracão ali e lá hoje seria o Teatro Municipal de grandes histórias, grandes espetáculos, óperas, musicais, peças teatrais, enfim, isso que eu queria registrar e gostaria de consignar e assinalar aqui.
E dizer que precisamos fazer alguma coisa pela cultura da nossa cidade. E recuperar a questão física, os nossos teatros é importante, porque lá os grandes artistas vão fazer suas interpretações, vão levar cultura aos rincões de Campinas. Não é possível cair um refletor, só falta morrer alguém para alguém na verdade tomar ciência que precisa arrumar, reformar o Centro de Convivência, reformar, entregar o Teatro Castro Mendes.
Por isso que a gente pensa até em montar uma Comissão de Estudos pela recuperação dos teatros. E também para falar dos museus. Os museus que estão à deriva, tem os Elos(F) aqui, que é um lutador emblemático nessa questão dos museus.
Então gente, a cultura é fundamental é um indutor da cidadania plena. A cultura nos liberta, nos emancipa, quer dizer nos dá independência, enfim, é fundamental que a Câmara volte seu olhos de uma maneira institucional, crie uma Comissão e possa na verdade conseguir mostrar ao prefeito que realmente é uma doença crônica a cultura de Campinas, precisamos colocar o dedo nessa ferida e mudar a cultura de Campinas, porque aí vamos ter um povo mais politizado, mais culto, mais preparado e mais cônscio dos seus direitos e deveres.
Muito obrigado.

 

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