Discurso


01/06/2009

 

Discurso do vereador Biléo Soares na CEE de combate à Pichação

 


especialistas durante o encontro

Boa tarde, amigas e amigos, senhor presidente dessa Comissão Especial de Estudos, vereador Antonio F. Dos Santos (O Politizador), a minha querida vereadora Leonice da Paz, a professora amiga, Renata Ferramola, autoridades presentes, sempre vereador ex-vereador Vinicius Gratti, a minha assessora, amiga, colega, comandante da Escola de Governo de Campinas, Piedade, jovens aqui presentes, telespectadores da TV Câmara.

Na verdade nós enveredamos por vários caminhos e me tocou muito a questão da política. O João Ubaldo Ribeiro falava que política é o encaminhamento dos nossos interesses para a formulação de todas as decisões.

E a política, na verdade, é fundamental para a nossa existência e é importante deixar claro que tem de se fazer política com “P” maiúsculo, que nós não podemos deixar a política menor, nós temos de ter a honra de fazer política e incentivar as novas gerações para que também façam política e incentivar as novas gerações para que também façam política. Mostrar que não é um clube de má fé, mas também que não é uma ação entre amigos.

A política, na verdade, é quem dita todos os novos encaminhamentos. O preço da tarifa do ônibus, a questão da saúde, da educação, enfim, todas as políticas públicas, na verdade, nós temos que fazer dentro do contexto da política. E a política tem que ter, na verdade, um vínculo muito forte com a democracia. Dizia nosso amigo Franco Montoro que a democracia não é uma palavra vaga: democracia é um valor fundamental. Gorbachov dizia que é um valor universal. Então, a democracia caminha pari passu à política.

E quando se fala que não há envolvimento, que não há engajamento, que a sociedade não participa, que os jovens não participam porque na política brota e pulsa a corrupção. Na verdade, a política é um reflexo e um espelho, o Congresso Nacional é um espelho do que somos enquanto sociedade e enquanto comunidade. Nós vamos ter uma política levada dessa natureza, dessa linha e nessa direção.

Quer dizer, o Congresso Nacional é o palco das grandes decisões do País e como tal existem os bons e os maus políticos, só que como é cenário das grandes decisões, parecem muito mais do que médico que não faz da prática da medicina o melhor caminho, advogados, engenheiros, quer dizer, então o fundamental é trabalhar o espírito, é trabalhar a sociedade.

E trabalhar a sociedade começa de tenra idade, começando na família, o pilar da educação. Educação não está para apontar e para formar os profissionais do amanhã, está para apontar e formar um homem, o caráter, o homem de valor de ferro, de vontade de aço, está para formar exatamente o democrata, o homem que vai ser instrumento e ferramenta das nossas decisões que vai nos representar.

Então é o exercício pleno da cidadania que tem que ser travado esse embate e exatamente ao longo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. E se nós não tivermos essa prática, não poderemos depois querer evitar o trote violento, os homicídios, os assassinatos, as pichações. Então, a educação é o vinco, é a base da nossa criatividade, da nossa ambição de ter uma geração melhor, sadia, culta, civilizada e inteligente.

E quando um jovem picha um monumento, ele está batendo no rosto de Carlos Gomes, de Campos Salles, de Francisco Glicério, dos nossos antepassados que ajudaram a construir essa cidade. Meu trisavô foi vereador em 1873. Ai, outro dia, um vereador perguntava: “Mas meu Deus, esses jovens não sabem o que é essa história da nossa cidade?” Eles precisam se conscientizar, nós precisamos politizar essa questão.

Porque a partir do momento que eles conheçam a cidade, primeiro tem que saber que ali tem um monumento de alguém que fez alguma coisa pela terra, que é em função do trabalho hercúleo dessas pessoas, que nós aqui estamos hoje, que temos uma cidade cujo povo é diferenciado, locomotiva do Brasil, pólo cultural, econômico, financeiro, educacional, capital tecnológica, capital da grande região metropolitana de Campinas. Cidade pujante, forte.

Se isso aconteceu é porque nós temos um passado, um passado que é palpável, que é concreto e que está ai e se mostra através de gestos. Eu falo de gestos.

Eu não me lembro, vereadora Leonice da Paz, de nenhuma obra inaugurada por Gandhi, o grande pacifista que nós tivemos no século passado, nenhuma obra dele. Eu não me lembro de nenhuma placa do Ghandi que ele inaugurou, mas me lembro de gestos mínimos do Ghandi, quando ele foi em direção ao mar, andando 400 quilômetros, 12h por dia, ele que podia usar qualquer outro meio de locomoção, um animal, um veículo, mas ele caminhou em direção ao mar, o povo junto caminhando com ele crescendo na alma do povo que precisava tocar o mar e mostrar que o sal brotava na Índia, das rochas do mar e não era monopólio Inglês.

Porque ele dizia que a vida cresce devagar. Enquanto ele caminhava com o povo, ia acalentando o sonho do povo de reversão, o sonho do povo de independência, de colocar os pingos nos is e dizer para a Inglaterra que aquele país era da Índia e que os indianos precisavam tomar conta da Índia. E que fez esse gesto? E que faz essa Comissão, o que faz a sociedade civil organizada nesse momento, os segmentos da sociedade, as forças vivas?

Gesto esse liderado pelo Antônio Francisco, de concitar, convidar, convocar toda a sociedade civil organizada de Campinas para estar à frente desse movimento, para dizer um não, um basta para atenuar, minimizar a dor de Campinas que se sente com o coração dilacerado, quando seus monumentos estão sujos, emporcalhados, mas que precisam na verdade, não de prisão, mas que precisam ter um ensino que aponte o melhor caminho, o caminho mais concreto, mais fértil e mais fecundo, para que ele transforme aquela “incestuosidade”, numa boa coisa, num acento positivo, num gesto positivo. Num gesto que fez Ghandi, guardada as devidas e honrosas proporções.

Então, nós precisamos fazer isso, conscientizar, polemizar com toda a sociedade. Através de reuniões como essas, dezenas de reuniões como essa, para que a gente culmine aqui num ato público na Câmara, para que depois na esteira desse movimento a gente vá à praça pública, ao Largo do Rosário, façamos comícios, passeatas, carreatas para mostrar para a sociedade que quando você atira uma pedra, quando você pinta, quando você suja um monumento, você está sujando a sua casa, a história da sua cidade. Você não está preservando a sua memória.

Se você não preserva a sua memória, você não tem nada para contar. Esse é o momento, é o momento de assumirmos esse caminho e essa direção. E depende de nós, depende do Prefeito limpar os monumentos, depende da Guarda Municipal tomar conta dos monumentos, não ainda esperar a coisa acontecer. Temos que trabalhar já.

Louvo e aplaudo, enalteço o trabalho da Secretaria da Educação, através do Amilton, muito bom, porque o grafiteiro tem que fazer da pichação uma obra de arte, estimular, homenagear, mostrar que existe outro caminho, palmilhar outra estrada que vai gerar alguma coisa para alguém, vai dar alguma coisa para alguém, o exemplo, o exemplo que fica.
Também a Secretaria de Cultura nessa direção, mas não posso deixar de dizer, eu sempre falo que a nossa posição é de oposição de equilíbrio, mas a favor da cidade. E a favor da cidade, nesse momento, eu quero dizer para o senhor, Sr. prefeito, que é preciso limpar os monumentos da cidade, é preciso imediatamente colocar a Guarda Municipal atenta aos nossos monumentos, para que nós, simultaneamente a isso, concomitantemente a isso, consigamos levar junto com o prefeito, com os vereadores e com a sociedade civil organizada, um basta à pichação, um chega à pichação. Há coisas mais bonitas para fazer, vamos construir a cidade dos sonhos, uma cidade solidária, justa, fraterna, amiga, companheira, colega, uma cidade que a gente tenha vontade de dizer em alto e bom, esta é a nossa terra e nessa cidade eu quero morar.

É isso, esta é a importância de estarmos aqui, esse debate bom da Piedade, do Gabriel, do Ex-vereador Vinicius Gratti, do Amilton, da professora, dos assessores, dos jovens.

Cada vez que eu vejo um jovem querendo participar da política eu me sinto fortalecido, vocês precisam continuar, mas precisam continuar na política do bem, a política da construção da consciência humana.

Por essas e outras, que eu estou muito feliz de participar desse debate, em que pese as minhas condições físicas não sejam das melhores, eu vou ser operado a semana que vem, mas fiz questão de estar aqui para dar esse testemunho de felicidade, de estar fazendo o que eu gosto, que a minha vocação sendo desenvolvida e estar participando com vocês aqui.

30, 40, 50 pessoas, centenas de pessoas que estão nos assistindo na TV Câmara, não adianta agressão, não adianta nada, ainda é discussão. Vamos para terminar, vamos dar corda, vamos dar fôlego, vamos acenar e sinalizar o diálogo, o diálogo é o nosso caminho, o entendimento, a confraternização das diferenças, esse é o caminho de uma sociedade que nós tanto sonhamos. E essa sociedade pode começar aqui hoje com essa boa reunião.

Muito obrigado.

 

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