Discurso


16/11/2009

 

69a Reunião Ordinária, realizada aos 16 de novembro de 2009

 

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Sr. Presidente, tucano, desta Sessão, Vereador Valdir Terrazan, Vereadores presentes, senhoras e senhores presentes aqui no Plenário da Câmara Municipal de Campinas, telespectadores da TV Câmara.
Outro dia estivemos aqui Vereadores para comemorar os 20 anos da queda do Muro de Berlim, o muro de vergonha, da discórdia, um mundo que era bipolar, felizmente, hoje é multipolar. Lutamos lá atrás também, durante a ditadura militar, tantos e tantos companheiros políticos para o fim, Cida, do bipartidarismo, para que o Brasil fosse plural e, hoje, convivemos com o pluralismo partidário.
Ontem, comemoramos os 20 anos de depois da redemocratização de termos o 15 de novembro de 1989 votamos e escolhermos o nosso Presidente da República.
Então, se nós éramos contra o bipartidarismo, votamos há 20 anos uma comemoração maravilhosa, com 16 candidatos a Presidente da República. Eu lá votei no meu candidato tucano, Mário Covas, foi o primeiro voto num Presidente da República que todos nós temos que a maioria é mais jovem e etc., conseguimos votar antes que teria sido lá atrás Jânio Quadros.
E, por essas e outras, a democracia brasileira começa a sair desse, vamos dizer assim; desse momento reticente e começa a se envolver de tal ordem que a gente hoje comemora nesse Parlamento, que estamos vivenciando mais do processo democrático, que hoje existe um debate mais interessante na conjugação de forças, forças dentro de um contexto plural, um movimento absolutamente natural esse que brotou aqui.
Temos aí a situação, temos um grupo de onze Vereadores que querem manifestar seus pensamentos, querem colocar suas ideias, que querem fazer, debater política e temos a oposição, como sempre falo, não é uma oposição light, mas não é uma posição sistemática, é uma oposição a favor de Campinas, responsável, aditivada, equilibrada. Eu acho que é um cenário com contornos diferenciados, que nós temos aqui hoje, no nosso parlamento.
E eu quero dizer também, Vereador Aparecido Santos (Cidão Santos), que a crise não é do legislativo, porque o legislativo está produzindo, tem uma produção legislativa diferenciada.
O debate aqui aflora, as comissões temáticas estão funcionando, as comissões de estudos especiais estão funcionando, os projetos de lei, os requerimentos estão à toda hora sendo votados aprovados ou não, o debate aqui é uma coisa fundamental nessa Casa, nesse parlamento palatável e nesse Parlamento que, na verdade, preconiza o processo democrático.
A crise está no 4º andar, então, não vamos trazer essa crise para dentro do Parlamento, o Parlamento está tranquilo, com suas posições muito claras, com as posições corretas, com os pilares e pilastras mostrando o posicionamento de cada um de nós.
Então, eu vejo todo esse processo e lembro do Governador Montoro quando dizia os três segredos da democracia: Primeiro, descentralização e participação, segundo pressão, democracia é pressão e terceiro organização.
Eu vi agora um manifesto do grupo dos 11, eu achei muito interessante. Até tem uma frase de Sun Tzu; que era estrategista de quatro mil anos antes de Cristo que eu estudei muito, li e reli “A arte da guerra”. Que tem uma frase que ele fala: “O segredo ta vitória está em vencê-la sem desferir um tiro qualquer”. Vocês não estão dando tiro em ninguém, vocês só estão clamando pela verdade que tem que interagir um parlamento, que é a independência que é a harmonia dos poderes constituintes que é autonomia é isso que nós queremos. E o debate vai nos levar aos melhores caminhos e, obviamente, que estarão sintonizados com a vontade da maioria da população.
Hoje, nós temos 33 Vereadores que representam as mais distintas e mais variadas comunidades de nossa terra. São 33 Vereadores, temos que respeitar esses 33 Vereadores e temos que respeitar esse bloco que nasce, que nasce como naturalmente, dentro de um contexto democrático de uma nova democracia, que toma forma, conteúdo e consistência no país.
Então são vários blocos que temos aqui que vão discutir. É ruim isso? Isso é muito bom. Hoje tivemos aqui um dia singular, histórico, com votações acirradas, apertadas, democráticas.

SR. VEREADOR JAIRSON V. DOS ANJOS (CANÁRIO) (PT): Um aparte, nobre Vereador?

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): E, sobretudo, com respeito, tivemos todos aqui, todos nós respeitando os outros e respeitando o posicionamento de cada Vereador, de cada bloco, de cada grupo, enfim, quer dizer esse é o caminho, vamos respeitar esse caminho. Quer dizer não é ser contra isso é ser a favor de Campinas, o Parlamento tem que mostrar sua cara, tem que escancarar as portas e trazer a sociedade para debater aqui, porque aqui é que a gente tem conversar e aqui que temos que definir. Obviamente, que os grupos têm posicionamentos políticos e precisam ser respeitados.
Às vezes um ou outro Vereador, eu falo muito em público e todos nós temos escorregões, às vezes, escorregões verbais, uma frase inserida aqui e outra acolá, inoportuna aqui e inoportuna acolá, a gente tem que entender, a gente tem que preservar o Parlamentar também, mas preservar o Parlamento antes de tudo é preservar a instituição, eu acho que esse bloco veio para preservar a situação, como faz a oposição e a situação.
A gente tem que ter um discurso ecumênico, no sentido de, realmente, galvanizar, revitalizar, revigorar cada vez mais o Parlamento e passo a palavra para o Vereador.

SR. VEREADOR RAFAEL ZIMBALDI (PP): Só um minutinho, Vereador, eu como o próximo Vereador inscrito cedo até dois minutos.

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Com a palavra Vereador Jairson V. dos Anjos (Canário).

SR. VEREADOR JAIRSON V. DOS ANJOS (CANÁRIO) (PT): Eu quero pedir desculpas por não ter agradecido o tempo cedido e quero parabenizá-lo pela questão do Muro de Berlim.
Mas eu gostaria não agora, que não tem quase Vereador aqui, mas vai ter um certo momento que eu gostaria de fazer uma pergunta assim: Sabe o que é democracia? Porque nós passamos por um processo de ditadura, fomos para as ruas, brigamos muito, muitos militantes perderam a vida pela democracia, porque com certeza o Parlamento não era democrático, mas o que é democracia? Só para que todos entendam a democracia é a coisa mais linda que tem, mas eu começo a pensar assim será que nós vivemos uma ditadura camuflada dentro da democracia?
[palmas]

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Eu acho que hoje nós estamos vivendo um momento muito especial democrático, eu acho que é um ápice, porque na verdade tudo que nós fizemos de 64, meus antepassados, os companheiros que vieram antes, Vereadores e Deputados e Prefeitos, de 64 a 84, foi dar o direito de nós nos expressarmos, de nós nos posicionarmos, de nós colocarmos, de fazer política, da gente se entender, buscar através da divergência, a convergência em favor do povo, democracia é o governo do povo, para o povo, com o povo, como dizia Franco Montoro. Essa democracia pelo povo. Essa democracia, na verdade, que nós estamos participando e sentindo isso.
Você imagina se fosse na ditadura militar, além dos Parlamentos estaremos fechados, os atos institucionais foram 19 atos institucionais, sobretudo o AI-5, que foi o pior deles, de 12 de dezembro de 1968, nós tivemos muita dificuldade. Tinha como eu falei o bipartidarismo é assim ou não. Há uma gama, um leque de situações que estão sendo verificadas, você não pode ser ou é oito ou 80, nada disso, certo?
Então é muito importante essa movimentação dos Srs. Vereadores, como eu acho que é importante a movimentação da oposição, no sentido de estar a favor e daí é da situação. Eu acho que esse discurso é um discurso que precisa granjear o Parlamento, o Parlamento tem um momento raro para fazer realmente aquilo que a democracia exige e pede, ou seja, participação da comunidade é isso que nós temos aqui e participação dos Parlamentares.
Obrigado.

 

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