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SR. VEREADOR GILBERTO
BILÉO SOARES (PSDB): Sr. Presidente, Vereador Valdir Terrazan, Srs.
Vereadores, senhoras e senhores presentes aqui no Plenário da Câmara,
telespectadores da TV Câmara.
Primeiro eu gostaria de enaltecer, destacar, sei que o nosso projeto tem mais de
50% do Vereador Dário, sua capacidade e que representa um mérito no município de
Campinas.
Mas, eu venho à tribuna desta Câmara e na quarta feira, que nós vamos discutir
em segundo turno esse projeto, nós haveremos de voltar à tribuna para discutir
essa matéria, uma matéria hoje é a nacional, da questão da política de saúde do
homem, agenda do homem. Mas, na verdade, hoje nós ouvimos aqui uma discussão
sobre figuras ilustres, Guilherme Campos, sobre a Jandira Pamplona,
infelizmente, que eu acho que a gente deveria buscar uma alternativa, sem
discutirmos, buscar uma alternativa para isso como administrar a Cidade, como
administrar a Câmara.
Mas eu venho a essa tribuna, por que nossa família está em luto, nós perdemos na
segunda-feira passada a Madre Helena Soares, uma tia muito especial, muito
querida, ela fazia parte da Congregação de Nossa Senhora do Calvário, do Colégio
Sagrado Coração de Jesus, do Colégio Madre Cecília, e morreu aos 101 anos, dois
meses e dez dias de vida, na verdade, de amor, buscando sempre uma maneira
gentil, educando as pessoas e etc.
Como sabemos, o Colégio Coração de Jesus, ele educa com a verdade, para a
autonomia, para o amor, para a vida, buscando uma consciência crítica, buscando
uma consciência política, intervir na realidade. E a tia, na verdade, não é? Em
1962, ela foi a primeira Madre Provincial do Brasil. É uma mulher que, na
verdade, como já disse, centenária, é um século, e ela participou, na verdade,
como Madre, de uma revolução igualitária, que foi uma Revolução Feminina, que
foi a maior revolução que nós tivemos ao longo dos anos. E ela, na verdade, ela
foi a primeira Madre Provincial, porque a Congregação da Calvarianas é francesa,
ensinada por Madres francesas, ela foi a primeira, em 1962, depois de dar
demonstrações inequívocas e cabíveis de comando, como Diretora do Colégio
coração de Jesus, edificando esse colégio que está aí hoje, quer dizer, que
busca, na verdade, a formação dos nossos dirigentes do amanhã.
Então, a Madre Helena, na verdade, foi a primeira provincial do Brasil. E hoje,
dentro da Congregação das Calvarianas, nós temos duas brasileiras, uma aqui no
Brasil, que é provincial, e outra na França, que é brasileira. Por quê? Porque a
minha tia, na verdade, não era adepta do monólogo que se fazia na educação à
época, aquele blá, blá, blá, que entrava por um ouvido e saía pelo outro. Ela
era, na verdade, aberta de um diálogo, de uma participação, de um processo de
aprendizagem, um processo que existe hoje de participação das pessoas.
Então, ela foi uma revolucionária ao seu tempo, e uma mulher de um século
vivenciou tudo, Vereador Josias Lech. Ela viu as guerras, presenciou as crises,
as depressões, as festas, as confraternizações dos povos, enfim é uma mulher
que, com todo esse brilho e com toda essa experiência, ajudou a construir uma
cidade mais humana, mas solidária e mais fraterna. Eu digo para vocês, ela era
um tesouro inesgotável de conselhos, seus conselhos eram retos, seus sentimentos
eram puros, suas reflexões eram perfeitas, sua firmeza era invencível,
inabalável, suas resoluções eram precisas, sua autoridade era venerável e suas
razões irrefutáveis. Para ela, o amor não se alegra com a injustiça, o amor se
alegra com a verdade. O amor busca a união. O amor é a tolerante, é prestativo,
tudo pode, tudo crê, tudo espera, jamais passará.
Então, essa a mensagem que essa tia maravilhosa que ajudou a construir a Cidade,
as ex-alunas a chamavam “Esmeralda, mão de fada” porque ela pintava como
ninguém, além de pintar com muita competência, desenhava e bordava, e tinha o
comando, tinha administração para mudar. Em 1962, a condição da mulher, não mais
subserviente, não mais submissa, não querendo ocupar o lugar do homem, mas
ocupando o seu espaço na comunidade, e hoje nós temos duas provinciais na
Congregação das Calvarianas.
A minha família, para quem não sabe, ajudou a construir essa Cidade, foram mais
de 22 Vereadores, dezenas de médicos, advogados, funcionários públicos de todos
os matizes e colorações, mas ninguém fez o que a minha tia fez, deixou um legado
de bondade, de amor ao próximo, ela dava as mãos as pessoas que não podiam
andar, emprestava os olhos para quem não podia enxergar e falava para quem não
podia falar ou não tinha coragem de falar. Falava pouco, comedida, foi um
exemplo, um símbolo para Campinas.
Então, eu gostaria de registrar, nos anais da Câmara Municipal, que Campinas
perde uma figura muito especial, muito querida, que fez muito pela educação do
povo de Campinas, educar com a verdade, e fez muito para nossa família, uma
pessoa que aos 89 anos, quer dizer, quando tinha 89, quando tinha 99 anos e
quando tinha 101 anos, a lucidez, o aceno, a sinalização com a família e com o
povo de Campinas foi sempre grande. Por isso, na segunda-feira, a Igreja Nossa
Senhora das Dores tinha mais de 500 pessoas, a Esmeralda estava lá e hoje a
missa super lotou, uma pessoa de 101 anos, que nós pensamos que era eterna, mas
é eterna nos braços do Senhor.
Então, eu queria contar uma última história que foi pessoalmente comigo, muito
especial, que quando eu ganhei a eleição, ela me chamou, toda semana eu estava
lá, conversava com ela e etc, ela me chamou e me fez três pedidos. Eu falei:
“Puxa, tia, mas três pedidos?” Isso foi agora, faz um ano, ela já tinha 100
anos, já tínhamos comemorado o centenário dela, foi no Coração de Jesus, ela me
fez três pedidos, e eu pensei: “Mas, puxa, três pedidos, o que é isso, não é? O
primeiro pedido, humildade; segundo pedido, humildade; terceiro pedido,
humildade, e disse o seguinte: “Sempre se coloque a favor dos fracos, oprimidos,
os deserdados da herança, se inquiete com o opressor e conforte o oprimido.
Então, esta é a lição que eu tive dessa senhora de 101 anos, que deu muito amor
a Campinas, e deixou um século de vida e só fez o bem para o povo de Campinas;
educando muitas pessoas e deixando um exemplo de dignidade, de honradez
absoluta, de sinceridade, de dignidade, de ética, de amor ao próximo, de
conforto às pessoas, de solidariedade, enfim, todos os adjetivos possíveis e
imagináveis, essa minha querida tia tinha.
Então, eu estou muito triste, na semana passada eu não pude vir às Sessões,
porque isso me gerou desconforto, em que pese todo o tratamento, mas eu quero
dizer que eu estou muito bem, estou no fim do tratamento, mas essa perda me
balançou, mas vai me dar mais coragem ainda, porque no último contato nosso, um
momento antes de sua morte, ela pegou na minha mão e falou assim: “A sua saúde
está comigo”.
Então, eu quero agradecer a essa minha tia por tudo o que fez por Campinas, por
tudo que fez por nossa família, e dizer que a amo muito e estará sempre
perenemente no meu coração.
Muito obrigado.
[palmas]
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