Discurso


31/08/2009

 

50a Reunião Ordinária, realizada aos 31 de agosto de 2009

 

SR. VEREADOR GILBERTO BILÉO SOARES (PSDB): Sr. Presidente, Vereador Valdir Terrazan, Srs. Vereadores, senhoras e senhores presentes aqui no Plenário da Câmara, telespectadores da TV Câmara.
Primeiro eu gostaria de enaltecer, destacar, sei que o nosso projeto tem mais de 50% do Vereador Dário, sua capacidade e que representa um mérito no município de Campinas.
Mas, eu venho à tribuna desta Câmara e na quarta feira, que nós vamos discutir em segundo turno esse projeto, nós haveremos de voltar à tribuna para discutir essa matéria, uma matéria hoje é a nacional, da questão da política de saúde do homem, agenda do homem. Mas, na verdade, hoje nós ouvimos aqui uma discussão sobre figuras ilustres, Guilherme Campos, sobre a Jandira Pamplona, infelizmente, que eu acho que a gente deveria buscar uma alternativa, sem discutirmos, buscar uma alternativa para isso como administrar a Cidade, como administrar a Câmara.
Mas eu venho a essa tribuna, por que nossa família está em luto, nós perdemos na segunda-feira passada a Madre Helena Soares, uma tia muito especial, muito querida, ela fazia parte da Congregação de Nossa Senhora do Calvário, do Colégio Sagrado Coração de Jesus, do Colégio Madre Cecília, e morreu aos 101 anos, dois meses e dez dias de vida, na verdade, de amor, buscando sempre uma maneira gentil, educando as pessoas e etc.
Como sabemos, o Colégio Coração de Jesus, ele educa com a verdade, para a autonomia, para o amor, para a vida, buscando uma consciência crítica, buscando uma consciência política, intervir na realidade. E a tia, na verdade, não é? Em 1962, ela foi a primeira Madre Provincial do Brasil. É uma mulher que, na verdade, como já disse, centenária, é um século, e ela participou, na verdade, como Madre, de uma revolução igualitária, que foi uma Revolução Feminina, que foi a maior revolução que nós tivemos ao longo dos anos. E ela, na verdade, ela foi a primeira Madre Provincial, porque a Congregação da Calvarianas é francesa, ensinada por Madres francesas, ela foi a primeira, em 1962, depois de dar demonstrações inequívocas e cabíveis de comando, como Diretora do Colégio coração de Jesus, edificando esse colégio que está aí hoje, quer dizer, que busca, na verdade, a formação dos nossos dirigentes do amanhã.
Então, a Madre Helena, na verdade, foi a primeira provincial do Brasil. E hoje, dentro da Congregação das Calvarianas, nós temos duas brasileiras, uma aqui no Brasil, que é provincial, e outra na França, que é brasileira. Por quê? Porque a minha tia, na verdade, não era adepta do monólogo que se fazia na educação à época, aquele blá, blá, blá, que entrava por um ouvido e saía pelo outro. Ela era, na verdade, aberta de um diálogo, de uma participação, de um processo de aprendizagem, um processo que existe hoje de participação das pessoas.
Então, ela foi uma revolucionária ao seu tempo, e uma mulher de um século vivenciou tudo, Vereador Josias Lech. Ela viu as guerras, presenciou as crises, as depressões, as festas, as confraternizações dos povos, enfim é uma mulher que, com todo esse brilho e com toda essa experiência, ajudou a construir uma cidade mais humana, mas solidária e mais fraterna. Eu digo para vocês, ela era um tesouro inesgotável de conselhos, seus conselhos eram retos, seus sentimentos eram puros, suas reflexões eram perfeitas, sua firmeza era invencível, inabalável, suas resoluções eram precisas, sua autoridade era venerável e suas razões irrefutáveis. Para ela, o amor não se alegra com a injustiça, o amor se alegra com a verdade. O amor busca a união. O amor é a tolerante, é prestativo, tudo pode, tudo crê, tudo espera, jamais passará.
Então, essa a mensagem que essa tia maravilhosa que ajudou a construir a Cidade, as ex-alunas a chamavam “Esmeralda, mão de fada” porque ela pintava como ninguém, além de pintar com muita competência, desenhava e bordava, e tinha o comando, tinha administração para mudar. Em 1962, a condição da mulher, não mais subserviente, não mais submissa, não querendo ocupar o lugar do homem, mas ocupando o seu espaço na comunidade, e hoje nós temos duas provinciais na Congregação das Calvarianas.
A minha família, para quem não sabe, ajudou a construir essa Cidade, foram mais de 22 Vereadores, dezenas de médicos, advogados, funcionários públicos de todos os matizes e colorações, mas ninguém fez o que a minha tia fez, deixou um legado de bondade, de amor ao próximo, ela dava as mãos as pessoas que não podiam andar, emprestava os olhos para quem não podia enxergar e falava para quem não podia falar ou não tinha coragem de falar. Falava pouco, comedida, foi um exemplo, um símbolo para Campinas.
Então, eu gostaria de registrar, nos anais da Câmara Municipal, que Campinas perde uma figura muito especial, muito querida, que fez muito pela educação do povo de Campinas, educar com a verdade, e fez muito para nossa família, uma pessoa que aos 89 anos, quer dizer, quando tinha 89, quando tinha 99 anos e quando tinha 101 anos, a lucidez, o aceno, a sinalização com a família e com o povo de Campinas foi sempre grande. Por isso, na segunda-feira, a Igreja Nossa Senhora das Dores tinha mais de 500 pessoas, a Esmeralda estava lá e hoje a missa super lotou, uma pessoa de 101 anos, que nós pensamos que era eterna, mas é eterna nos braços do Senhor.
Então, eu queria contar uma última história que foi pessoalmente comigo, muito especial, que quando eu ganhei a eleição, ela me chamou, toda semana eu estava lá, conversava com ela e etc, ela me chamou e me fez três pedidos. Eu falei: “Puxa, tia, mas três pedidos?” Isso foi agora, faz um ano, ela já tinha 100 anos, já tínhamos comemorado o centenário dela, foi no Coração de Jesus, ela me fez três pedidos, e eu pensei: “Mas, puxa, três pedidos, o que é isso, não é? O primeiro pedido, humildade; segundo pedido, humildade; terceiro pedido, humildade, e disse o seguinte: “Sempre se coloque a favor dos fracos, oprimidos, os deserdados da herança, se inquiete com o opressor e conforte o oprimido.
Então, esta é a lição que eu tive dessa senhora de 101 anos, que deu muito amor a Campinas, e deixou um século de vida e só fez o bem para o povo de Campinas; educando muitas pessoas e deixando um exemplo de dignidade, de honradez absoluta, de sinceridade, de dignidade, de ética, de amor ao próximo, de conforto às pessoas, de solidariedade, enfim, todos os adjetivos possíveis e imagináveis, essa minha querida tia tinha.
Então, eu estou muito triste, na semana passada eu não pude vir às Sessões, porque isso me gerou desconforto, em que pese todo o tratamento, mas eu quero dizer que eu estou muito bem, estou no fim do tratamento, mas essa perda me balançou, mas vai me dar mais coragem ainda, porque no último contato nosso, um momento antes de sua morte, ela pegou na minha mão e falou assim: “A sua saúde está comigo”.
Então, eu quero agradecer a essa minha tia por tudo o que fez por Campinas, por tudo que fez por nossa família, e dizer que a amo muito e estará sempre perenemente no meu coração.
Muito obrigado.
[palmas]

 

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