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JUSTIFICATIVA
O bullying, palavra de origem
inglesa, significa tiranizar, ameaçar, oprimir, amedrontar e intimidar. A
prática já se tornou comum entre os adolescentes, problema esse que começa a ser
discutido com mais intensidade diante do aumento da violência escolar.
A pesquisa mais recente de
violência escolar mundial realizada em outubro de 2008, por uma Organização não
Governamental inglesa denominada PLAN, aponta que a cada dia um milhão de
crianças sofrem algum tipo de violência nas escolas, afetando a sua
personalidade, a saúde física, mental e seu futuro potencial. Os danos da
violência não só atingem os alunos, mas a família, a comunidade e a economia
nacional. Este estudo foi dividido em três temas: violência sexual, castigo
corporal e bullying. Os dados que mais chamaram atenção foram:
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I) |
meninas sofrem mais
com violência sexual; |
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II) |
meninos são mais
atingidos pelo castigo corporal; |
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III) |
vítimas de violência na
escola têm maior tendência a cometer suicídio; |
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IV) |
muitas vítimas
morrem devido a ferimentos, complicações de gravidez indesejada ou Aids; |
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V) |
garotas vítimas de bullying têm
oito vezes mais chances de serem suicidas. |
O mesmo estudo demonstrou que no
Brasil:
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84% de 12 mil estudantes de
seis estados reportaram suas escolas como violentas;
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Cerca de 70% desses 12 mil
estudantes afirmaram terem sido vítimas de violência escolar;
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Um terço dos estudantes
afirmou estar envolvido em bullying, seja como agressor ou vítima;
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Quando questionadas a respeito
de castigo corporal, crianças brasileiras de 7 a 9 anos disseram que a dor
nem sempre é só física. Declararam sentir “dor no coração” e “dor de
dentro”.
Outro estudo realizado pela
Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência
(ABRAPIA), em 2002, no Rio de Janeiro, com 5875 estudantes de 5ª a 8ª séries, de
onze escolas fluminenses, revelou que 40,5% dos entrevistados mencionaram ter
algum envolvimento direto em atos de bullying.
Existem quatro estudos do fenômeno
bullying realizados pela autora Cléo Fante (2005) no Estado de São Paulo.
O primeiro foi pesquisado na cidade interiorana de Barretos em uma escola da
rede particular de ensino com 430 estudantes de 5ª a 8ª séries e de 1ª a 2ª
série do ensino médio, sendo que 81% desses alunos se envolveram em algum tipo
de violência nesse ano letivo. Desses, 41% foram considerados como bullying,
18% foram considerados vítimas, 14% agressores, e 9% vítimas agressoras.
As condutas mais incidentes foram, os maus-tratos verbais e psicológicos, por
meio de gozações, ameaças, intimidações e rumores maldosos; e os maus-tratos
físicos, por meio de “sardinhas”(bater o dedo de raspão, de cima para baixo, nas
nádegas do outro) e de chutes recebidos no “corredor polonês” (forma de corredor
humano estreito por onde a vítima é obrigada a passar sob tapas e pontapés). A
exclusão do grupo foi detectada em 32% e os maus-tratos sexuais em 3% (FANTE,
2005, p.53).
O segundo estudo foi realizado em
São José do Rio Preto e em outro município de quatro mil habitantes que não
divulgou o nome, em 2001, com 431 alunos, de 7 a 16 anos. Neste estudo, 87% dos
estudantes se envolveram em condutas violentas. Desses, 47% envolveram em
condutas bullying, 21,38% eram vítimas, 15,61% agressores e 10,1% vítimas
agressoras.
As condutas que mais incidiram neste grupo estudado foram, respectivamente, os
maus-tratos verbais, por meio de gozações, apelidos indesejáveis, acusações,
insultos, humilhações, discriminações e agressões morais por comentários
maldosos, ameaças e chantagens, ataques à propriedade com furtos de materiais e
dinheiro; e os maus-tratos físicos, por meio de chutes, socos e indução à
agressão ao outros.
Constatamos, ainda que, 87% dos alunos envolvidos em bullying acreditam
que os maus-tratos entre os companheiros podem ser conseqüência direta da
violência doméstica, reproduzida na escola; 82% disseram que costumam reproduzir
a violência sofrida contra outros colegas; e 87% acreditam que, por causa do
autoritarismo dos pais, o filho tem que impor sua autoridade sobre outrem (FANTE,
2005, p. 54).
O terceiro estudo da autora Fante
(2005), na cidade de São José de Rio Preto, em 2002, em uma escola da Rede
Pública Municipal, com aproximadamente 450 alunos, sendo que 66,92% estavam
envolvidos com condutas bullying,sendo 25,56% vítimas, 22,04% agressores
e 19,32% vítimas agressoras.
Desses três estudos, existem
alguns percentuais de atitudes agressivas manifestadas pelos alunos: 54%
apelidos que incomodam; 50% brincadeiras que causam aborrecimentos; 46% de
acusações; 45% de discriminações; 41% de gozações; 40% de ofensas. Para as
vítimas, 39% sofreram furtos de materiais escolares, lanches e dinheiro e, 29%
de agressões morais por comentários maldosos. Em relação aos professores, 95%
afirmaram que é um problema de convivência escolar; 65% notavam os maus-tratos
entre os alunos; 47% responderam que dedicavam de 21% a 40 % na resolução de
indisciplina e conflitos entre os alunos. Por fim, os professores mencionaram
que a violência verbal era mais praticada pelos alunos seguido da violência
física (FANTE, 2005).
A autora Fante (2005) realizou o
seu quarto estudo em uma cidade do interior do estado de São Paulo com uma
população de cerca de 10 mil habitantes, com 450 alunos de 5ª a 8ª série,
constatando que 45% dos alunos estavam envolvidos em violência bullying,
sendo que 24% foram vítimas, 8% agressores e 13% vítimas agressoras.
Nesse ponto, relatar-se-á alguns
episódios verídicos ocorridos em razão da prática de Bullying em algumas escolas
brasileiras
Nesse diapasão, em janeiro de
2003, na cidade Taiúva-SP, houve um desfecho trágico. Um aluno de 18 anos foi
vítima do bullying por 11 anos, colecionando inúmeros apelidos como “gordo,
mongolóide e elefante cor-de-rosa”. Em razão deste complexo adquirido, o
estudante resolveu fazer um regime ingerindo um litro de vinagre toda a manha.
Por obvio, que os agressores não perdoaram e colocaram o apelido de “Vinagrão”.
Com isso, esse garoto tímido, que ficava calado, isolado e humilhado pegou uma
arma e atirou contra seus seis colegas que estavam em recuperação, no zelador e
na professora, matando-os.
Em Remanso-BA, um outro
adolescente tímido e introvertido, foi excluído pelo círculo de amigo da escola
e foi humilhado durante anos. Inconformado com tal situação e nutrido com um
pensamento de vingança foi até a escola com a intenção de matar, mas as aulas
estavam suspensas. Em razão disso, dirigiu-se à casa de seu principal agressor e
desferiu um tiro na porta daquela residência. Não satisfeito, foi para sua
escola de informática e atirou fatalmente na cabeça de uma secretária e em três
alunos. Toda essa chacina foi planejada pelo estudante que tinha a intenção de
ser reconhecido como um terrorista suicida brasileiro pelos próximos 100 anos.
Por derradeiro, o outro trágico
desfecho foi na cidade de Recife-PE. Um aluno de 11 anos foi transferido de uma
escola do Rio Grande Norte (RN) para Recife. Assim, em razão da diferença de
sotaque era constantemente agredido por seus colegas. O aluno agredido não
queria mais voltar à escola e, após um longo desaparecimento, seu corpo foi
encontrado e só foi reconhecido pelo exame de arcada dentária.
Em razão desses acontecimentos
chocantes e fatídicos, mister se faz a criação de um programa para a promoção de
atividades didáticas, informativas de orientação e prevenção do “bullying”.
Isso se torna ainda mais
imprescindível, quando nos atentamos ao detalhe de que
esse fenomeno é muito confundido com
brincadeira nas escolas, sendo certo que esses sofrimentos vividos pelas
vítimas podem causar traumas irreversíveis, como doenças emocionais, dificuldade
de relacionamento, distúrbios alimentares, diminuição na auto-estima, entre
outras coisas.
Sala das Sessões, em 12 de março
de 2009.
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Biléo Soares
Vereador PSDB |