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Nós entendemos como legítima e responsável a
atitude do governador José Serra e de seu secretário do Meio Ambiente, Xico
Graziano, quanto aos aspectos que envolvem os Estudos de Impacto Ambiental
necessários à concessão de licença para desenvolvimento de projetos e obras de
ampliação do Aeroporto de Viracopos em Campinas.
Ao declarar que a expansão tem de levar em conta fatores humanos e ambientais,
as autoridades estaduais estão olhando para o futuro de modo correto, tentando
preservar o que resta do meio ambiente e proteger populações inteiras de vários
bairros da poluição que advirá. E é salutar que o prefeito de Campinas passe a
fazer parte do time que quer sim a expansão, mas sem o desnecessário sacrifício
ecológico e humano.
Como se sabe, o primeiro projeto de expansão de Viracopos previa a
desapropriação dos bairros que se formaram no seu entorno – alguns legais, mas
muitos resultantes de loteamentos clandestinos e de ocupações. Nessa área, já
totalmente degradada ambientalmente, construir-se-ia a nova pista com espaço
para obras do aeroporto-indústria no qual se pretende transformar Viracopos.
Só que, por motivos que até hoje não ficaram totalmente esclarecidos, o projeto
foi modificado de modo a manter todos esses bairros – inclusive com um plano de
melhorias de R$ 100 milhões – e avançar sobre áreas agrícolas e bairros
resultantes das imigrações suíças e alemãs que ali se instalaram há mais de um
século e até hoje mantêm suas tradições. Além disso, e de não menos importância,
a área agora almejada é uma das últimas manifestações de bioma cerrado, tem rica
fauna e abriga cerca de 40 nascentes que deságuam em rios importantes como o
Capivari e o Capivari Mirim, responsáveis pelo abastecimento não só da região,
mas de parte de Campinas e de quase a totalidade de Indaiatuba.
Ao mudar o projeto, a Infraero vai dilacerar e dizimar grande parte das
centenárias comunidades de descendentes europeus, vai cobrir de concreto vasta
área de cerrado, vai exterminar a fauna que ali sobrevive, vai acabar com uma
exploração também centenária e sustentável da terra na região, vai enterrar as
nascentes ou desviá-las do abastecimento dos rios e, na outra ponta do projeto,
vai deixar exposta a uma pesada poluição sonora e ambiental mais de 30 mil
pessoas que vivem nos bairros que a mudança de projeto preserva.
Nós da bancada tucana na Câmara somos favoráveis à expansão, mas com bom senso.
Construir um aeroporto para 60 milhões de passageiros, como prevê a Infraero, é,
no mínimo, um exagero que multiplicaria as responsabilidades de Campinas com
serviços que custam caro ao orçamento municipal e que nem são oferecidos a toda
população justamente por falta de verbas.
Como solução para os problemas criados com o novo projeto, entendemos que
devemos salvar o cerrado, as comunidades tradicionais, as nascentes, a fauna e
ainda dar um destino mais saudável àquela população que ficará à mercê do enorme
ruído e de toneladas de produtos químicos advindos da queima do combustível dos
aviões cujos pousos e decolagens aumentarão de modo significativo com a
expansão.
E como solução para salvar o meio ambiente propomos que, caso se mantenha o
atual projeto, a segunda pista seja construída a uma distância menor da
primeira. Uma distância que seja tecnicamente viável e não invada o que se deve
preservar. Essa solução diminuiria inclusive os custos, pois se prevê atualmente
a construção da segunda pista a mais de três mil metros de distância da
existente. Entre elas há um declive de mais de 50 metros. Para que as duas sejam
niveladas, a movimentação de terra para o aterro será estratosférica, a um custo
difícil até de calcular, e, com certeza, muito maior que o preço das possíveis
desapropriações dos bairros que serão atingidos pela poluição. E a permanência
daqueles bairros ali pode inviabilizar, inclusive, o funcionamento noturno do
aeroporto.
Assim, a bancada do PSDB, se posiciona totalmente favorável à revisão do projeto
de expansão de Viracopos, por entender que o progresso de um país como o Brasil,
hoje uma reserva ecológica da humanidade, não pode sacrificar o meio ambiente e
muito menos agredir o ser humano.
Biléo Soares, Artur Orsi e
Valdir Terrazan são vereadores do PSDB em Campinas |