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08
/10/2009

Opinião

Uma solução para Viracopos

 

Nós entendemos como legítima e responsável a atitude do governador José Serra e de seu secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, quanto aos aspectos que envolvem os Estudos de Impacto Ambiental necessários à concessão de licença para desenvolvimento de projetos e obras de ampliação do Aeroporto de Viracopos em Campinas.

Ao declarar que a expansão tem de levar em conta fatores humanos e ambientais, as autoridades estaduais estão olhando para o futuro de modo correto, tentando preservar o que resta do meio ambiente e proteger populações inteiras de vários bairros da poluição que advirá. E é salutar que o prefeito de Campinas passe a fazer parte do time que quer sim a expansão, mas sem o desnecessário sacrifício ecológico e humano.

Como se sabe, o primeiro projeto de expansão de Viracopos previa a desapropriação dos bairros que se formaram no seu entorno – alguns legais, mas muitos resultantes de loteamentos clandestinos e de ocupações. Nessa área, já totalmente degradada ambientalmente, construir-se-ia a nova pista com espaço para obras do aeroporto-indústria no qual se pretende transformar Viracopos.

Só que, por motivos que até hoje não ficaram totalmente esclarecidos, o projeto foi modificado de modo a manter todos esses bairros – inclusive com um plano de melhorias de R$ 100 milhões – e avançar sobre áreas agrícolas e bairros resultantes das imigrações suíças e alemãs que ali se instalaram há mais de um século e até hoje mantêm suas tradições. Além disso, e de não menos importância, a área agora almejada é uma das últimas manifestações de bioma cerrado, tem rica fauna e abriga cerca de 40 nascentes que deságuam em rios importantes como o Capivari e o Capivari Mirim, responsáveis pelo abastecimento não só da região, mas de parte de Campinas e de quase a totalidade de Indaiatuba.

Ao mudar o projeto, a Infraero vai dilacerar e dizimar grande parte das centenárias comunidades de descendentes europeus, vai cobrir de concreto vasta área de cerrado, vai exterminar a fauna que ali sobrevive, vai acabar com uma exploração também centenária e sustentável da terra na região, vai enterrar as nascentes ou desviá-las do abastecimento dos rios e, na outra ponta do projeto, vai deixar exposta a uma pesada poluição sonora e ambiental mais de 30 mil pessoas que vivem nos bairros que a mudança de projeto preserva.

Nós da bancada tucana na Câmara somos favoráveis à expansão, mas com bom senso. Construir um aeroporto para 60 milhões de passageiros, como prevê a Infraero, é, no mínimo, um exagero que multiplicaria as responsabilidades de Campinas com serviços que custam caro ao orçamento municipal e que nem são oferecidos a toda população justamente por falta de verbas.

Como solução para os problemas criados com o novo projeto, entendemos que devemos salvar o cerrado, as comunidades tradicionais, as nascentes, a fauna e ainda dar um destino mais saudável àquela população que ficará à mercê do enorme ruído e de toneladas de produtos químicos advindos da queima do combustível dos aviões cujos pousos e decolagens aumentarão de modo significativo com a expansão.

E como solução para salvar o meio ambiente propomos que, caso se mantenha o atual projeto, a segunda pista seja construída a uma distância menor da primeira. Uma distância que seja tecnicamente viável e não invada o que se deve preservar. Essa solução diminuiria inclusive os custos, pois se prevê atualmente a construção da segunda pista a mais de três mil metros de distância da existente. Entre elas há um declive de mais de 50 metros. Para que as duas sejam niveladas, a movimentação de terra para o aterro será estratosférica, a um custo difícil até de calcular, e, com certeza, muito maior que o preço das possíveis desapropriações dos bairros que serão atingidos pela poluição. E a permanência daqueles bairros ali pode inviabilizar, inclusive, o funcionamento noturno do aeroporto.

Assim, a bancada do PSDB, se posiciona totalmente favorável à revisão do projeto de expansão de Viracopos, por entender que o progresso de um país como o Brasil, hoje uma reserva ecológica da humanidade, não pode sacrificar o meio ambiente e muito menos agredir o ser humano.

Biléo Soares, Artur Orsi e Valdir Terrazan são vereadores do PSDB em Campinas

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