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BILÉO SOARES E DÁRIO SAADI
Protocolamos projeto de lei na Câmara de Vereadores que institui o Programa
Municipal de Saúde do Homem. O objetivo de tal proposta é articular e organizar
todas as ações voltadas à saúde do homem na rede básica e nos hospitais
públicos, fazendo-se assim, um atendimento multidisciplinar, pertinente ao amplo
espectro de doenças da população masculina. Além disso, o projeto inaugura o Dia
e a Semana Municipal de Saúde do Homem, com os quais poderemos realizar
campanhas de orientação e prevenção às doenças que atingem os homens,
enfatizando e tentando esclarecer, elucidar e eliminar a ignorância com relação
ao câncer de próstata, do testículo, do pênis e doenças em geral do sistema
urinário e reprodutor.
Para se ter uma ideia mais precisa da necessidade desse alerta, elencamos alguns
dados da Sociedade Brasileira de Urologia com relação às doenças mais
especificamente masculinas.
O rim, por exemplo, tem 208 mil novos casos de câncer que causam aproximadamente
100 mil mortes anuais. Acomete mais os homens em uma relação de 2 por 1 e é mais
comum da quinta à sétima década da vida. Outros fatores causadores são a
obesidade, a hipertensão, a exposição ocupacional ao asbesto, à gasolina, a
solventes e outros.
A bexiga tem incidência de câncer três vezes maior no homem e ocorre devido a
determinadas substâncias químicas concentradas na urina, sendo o tabagismo o
principal fator de risco isolado e a causa subjacente de pelo menos a metade de
todos os novos casos. Inexistem no Brasil dados precisos sobre a incidência do
câncer de bexiga, contudo, se estatísticas mundiais puderem ser transportadas
para cá, este ano cerca de 35 mil brasileiros serão atingidos pela doença, 40%
dos quais causados pelo vício de fumar.
Por derradeiro, mister se faz falarmos do câncer de próstata que é o órgão
acometido por 1/3 de todos os cânceres detectados em homens brasileiros, o que
representa a maior incidência de tumores. Quanto à mortalidade, ele é o terceiro
que mais mata no Brasil.
O cerne do problema enfrentado pela população masculina está justamente na falta
de informação e de divulgação da necessidade de prevenção de modo que se quebrem
tabus e preconceitos ainda hoje muito comuns entre os homens.
Por isso, o treinamento e a capacitação dos médicos e demais profissionais,
incluindo os agentes da saúde da rede básica de Saúde é fator fundamental para o
sucesso do programa que ora esse projeto de lei institui. A definição do fluxo
de pacientes atendidos, bem como a estrutura hospitalar em condições de atender
à demanda também é fundamental para o sucesso do programa.
Ademais, é importante que, através da Secretaria Municipal de Saúde, exista uma
coordenação de todas as ações, desde o primeiro atendimento na rede básica até,
caso necessário, o procedimento cirúrgico. Para isso, o projeto de lei define a
possibilidade de os profissionais de saúde do município atuarem em diferentes
locais de sua lotação para o sucesso do programa.
Para que seja dado maior realce possível ao projeto ora proposto, nascerá o Dia
Municipal da Saúde do Homem na data de 12 de setembro, dia de nascimento do
presidente Juscelino Kubistchek, urologista, ocasião em que se esclarecerá a
população masculina sobre a importância de manter uma rotina médica preventiva.
Com isso, os estabelecimentos pertencentes à rede municipal de saúde promoverão
atendimento e realizarão exames clínicos referentes às doenças de maior
incidência na população masculina. Para tanto, a Secretaria Municipal de Saúde e
as instituições públicas de Ensino Médio promoverão informes educativos para
alertar os munícipes do grave problema.
Ao ser transformada em lei, essa proposição fará com que Campinas dê um grande
passo no sentido de acabar com preconceitos que ainda existem e que, na maioria
das vezes, são responsáveis pelo agravamento de doenças que, se prevenidas a
tempo, não alcançariam a gravidade que geralmente alcançam, poupando muito
sofrimento e, com certeza, muitas vidas.
Biléo Soares (PSDB) e
Dário Saadi (DEM) são vereadores da Câmara de Campinas. |