Por Eduardo Borges
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Vereadores segundo a grande maioria da população deveriam ser abolidos do país. Já ouvi o economista Eduardo Gianetti da Fonseca dizer o seguinte: os
empregos gerados pelas Câmaras Municipais do país superam os da indústria
automobilística. Agora, qual a relevância de ambos para o desenvolvimento do
país?
Alto lá! São situações diferentes, irão dizer os mais exaltados. “Concordo” (?!)
embora Vereador “bom” seja aquele que emprega bastante. Quanto mais empregar,
maior a chance de se reeleger!
A indústria automobilística tem é mesmo que robotizar cada vez mais, deixando o
“choque de gestão” para o poder público. Empregar o maior número de cabos
eleitorais, eis aí os preceitos da modernidade brasileira. Mas o poder
legislativo é considerado a “Geni” dos poderes. Por que será, hein?
Mas, fora as generalizações, cabem pinçarmos aqueles que são diferentes, pois há
gente boa em qualquer lugar. Se por um lado, estabelecemos vínculos
institucionais, por outro, temos as nossas preferências pessoais. Portanto, falo
agora, de um amigo. |
Quem não conhece o
Bíléo em Campinas está perdendo uma oportunidade. Trata-se de
uma figura apaixonada ao extremo, vive intensamente a política, todas as vezes
que vai à tribuna da Câmara fala com o coração. Ele é 100% sentimento,
principalmente, quando se refere ao PSDB. E, por estes dias, estabelecemos o
seguinte diálogo que, aliás, eu comecei provocando:
_ “Biléo, a direita no Brasil é representada pelo PSDB?”.
_ “Imagina, Eduardinho. O PSDB sempre foi de centro-esquerda. Você que é meio de
esquerda, e o pior, de uns tempos prá cá, fica colocando minhoca na minha cabeça
e nas dos outros, e digo mais, a chamada direita no Brasil está associada à
ditadura militar, e o PSDB abriga muitos neo-esquerdistas!”
_ “Olha, nobre Vereador, detesto esse negócio de neo.”
_ “Tá bom, abriga aqueles que são simpatizantes da esquerda.”
_ “E o Serra?”
_ “Pelo amor de Deus! O Serra também. Só que ele evoluiu, está mais ao centro.”
_ “Éhhhh, essa aprendemos com o Jarbinha. (Jarbas Orsi foi uma lenda na política
Campineira).”
_ “Pois é o Jarbinha faz muita falta. Era a pessoa que mais falava no telefone
do Brasil.”
_ “Mas, Biléo, porque o PSDB perdeu quatro eleições consecutivas em Campinas?”
_ “Lá vem você de novo com essa história.”. Ele fez um rosário, explicou tudo e
fui convencido pelo cansaço. Falamos do Magalhães Teixeira, Covas, Montoro,
Carlos Sampaio, parlamentarismo, votos distrital, reforma política,
administração do Dr. Hélio, e as tais prévias para a escolha do candidato a
Presidente pelo PSDB.
Depois de quase duas horas no telefone, perguntei como estava se sentindo como
Vereador que, aliás, é de oposição ao Dr. Hélio.
_ “Não faço oposição sistemática, cega e sectária. Sou a favor de Campinas.
Aquilo que estiver dentro lei e for de interesse público, a administração pode
contar com o meu apoio.”
_ “Mas Biléo, as leis não bastam, os lírios não nascem das leis”. Esta frase
pertence a Drummond. A partir daí enveredemos para filosofia. Trocamos algumas
farpas.
_ “Sou Vereador e tenho que cumprir o meu mandato. Existe um ritual legislativo,
pois a Câmara tem regime, lei orgânica e pareceres jurídicos, portanto, este
assunto você não entende nada.”
_ “Como não entendo, Biléo?”
_ “Não, não entende. Você vive elucubrando. No meu gabinete e nos dos 32
Vereadores de Campinas, as pessoas procuram algum aconchego, um quebra galho
dali, outro quebra galho acolá. É difícil ser Vereador, ainda mais sendo de
oposição. Existe uma deturpação institucional, os poderes são independentes,
precisamos repensar tudo, construir um novo pacto federativo, estabelecer maior
controle social, instituir os conselhos de participação popular, enfim,
construir a cidadania política plena.”
_ “Mas, Biléo, com tudo isso que você falou, só posso lhe chamar de poeta,
romântico e cego pelo PSDB.”
_ “Vamos com calma! Sonho com um mundo melhor, sim senhor! E olha, vou lhe
dizer o seguinte, a minha filosofia política vem de longe, e citou um pensamento
muito bonito: Se os homens bons não obedecerem às leis más, por que os homens
maus hão de obedecer às leias boas?”
_ “O que é isso, Biléo?”
_ “Isso é Sócrates, o filósofo grego.”
A partir daí, desligamos o telefone. A conversa acabou e comecei a pensar em
tudo que havíamos conversado. Ele gosta de abusar dos adjetivos, tais como:
insofismável, espírito beligerante, ilações e tantos outros.
Mais em linhas
gerais, eu afirmo, esse Vereador é dez!
Muita força e saúde, meu amigo.
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