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19/11/2009

 

PROGRAMA DE SAÚDE DO HOMEM É LEI

 

 

De acordo com o Ministério da Saúde, estudos comparativos entre homens e mulheres comprovam o fato de que os homens são mais vulneráveis as doenças, principalmente as graves e crônicas, e que morrem mais precocemente que as mulheres. A cada três mortes de pessoas adultas no Brasil, duas são de homens. Eles vivem, em média, sete anos menos do que as mulheres e tem mais doenças do coração, câncer, diabetes, pressão arterial e colesterol mais elevados.

O homem não tem o hábito de realizar consultas periódicas ao médico, uma atitude que impede o diagnóstico precoce das doenças e, muitas vezes, inviabiliza o tratamento. Muitos agravos poderiam ser evitados se os homens realizassem, com regularidade, as medidas de prevenção primária.

Pesquisas apontam várias razões para esse comportamento masculino, uma delas diz respeito a questões culturais. A doença é considerada como um sinal de fragilidade que os homens não reconhecem como inerente a sua própria condição biológica. O homem julga-se invulnerável, o que contribui para que ele se cuide menos e se exponha mais a situações de risco.

Existem também muitos tabus e preconceitos relacionados a exames preventivos como o de próstata. Além disso, grande parte dos serviços e estratégias de comunicação privilegiam ações de saúde voltadas a criança, ao adolescente, a mulher e ao idoso.

Diante desse preocupante cenário, os vereadores de Campinas (SP) Biléo Soares (PSDB) e Dário Saadi (DEM) desenvolveram uma lei que estabelece o Programa Municipal de Saúde do Homem, já aprovada e em execução pela Secretaria de Saúde.

Essa iniciativa atende à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, do Ministério da Saúde, que traduz um longo anseio da sociedade ao reconhecer que as doenças da população masculina são problemas de saúde Pública.

O Projeto Municipal de Saúde do Homem, que prevê atendimento multidisciplinar, tem o objetivo de estabelecer um programa de prevenção às doenças mais comuns do sexo masculino, de acordo com a faixa etária do paciente. Isso significa cuidados a partir dos dois anos de idade, prevenindo e detectando as doenças antes que causem um quadro de difícil tratamento.

O Programa dará maior ênfase ao sistema reprodutor e urinário, já que devido à cultura masculino não são regularmente examinados, o que traz como conseqüência o sacrifício da saúde e até da própria vida de milhares de homens. As doenças sexualmente transmissíveis e os cânceres, nos referidos órgãos, são assuntos de grande importância que também serão abordados. Com o intuito de quebrar tabus o programa divulgará as causas, sintomas, métodos de prevenção e tratamentos, tornando as consultas ao urologista uma prática rotineira.

Também serão difundidas informações sobre as conseqüências causadas pelo o uso de bebidas alcoólicas, anabolizantes, cigarros e outros tipos de drogas que possam comprometer a saúde física, mental e social do homem.

De acordo com a lei, a administração Pública é responsável pela divulgação do programa entre a população através de campanhas, palestras, propagandas, etc., tendo como meta o esclarecimento e a conscientização.

Um dos objetivos do Programa Municipal é aumentar o acesso e a adesão dos homens à rede do Sistema Único de Saúde, desde a atenção primária até a especializada e hospitalar. A implementação está dividida em ações a serem executadas até 2011, entre elas as de comunicação, promoção à saúde, expansão dos serviços, qualificação dos profissionais e investimento na estrutura da rede pública.

A lei também institui o Dia da Saúde do Homem. A data escolhida foi 12 de setembro, segundo os vereadores, uma homenagem ao dia de nascimento do grande Estadista, e também urologista, Juscelino Kubitschek.

Em entrevista ao Gabinete Digital, os vereadores Biléo Soares e Dário Saadi, que também é urologista, nos contaram como o protejo teve início e como está sendo a sua implementação.

Biléo Soares: "Em dezembro de 2005 descobri que tinha um câncer raro de uretra. Durante a Campanha Eleitoral de 2004 comecei a perceber um sangramento, mas deixei pra lá e resolvi que quando as eleições terminassem, procuraria um médico. Eu nunca tive preconceito em relação a alguns tipos de exames, mas dava mais importância a outras coisas como a minha política, a família, ao meu livro, ao jogo de futebol, o médico poderia ficar pra depois! Em fevereiro de 2005, tive um empurrãozinho da minha esposa e comecei a pesquisar. Um dia eu estava, a trabalho, no Gabinete do Deputado Carlos Sampaio e encontrei alguns amigos do alto escalão do Congresso Nacional, pessoas equilibradas, politizadas, conscientes de seus direitos e deveres, e disse que teria que fazer o exame de próstata. Para minha surpresa, duas pessoas disseram que prefeririam morrer a fazer tal exame. Eu fiquei muito impressionado com isso e disse que eles estavam malucos! Que história era aquela, a vida é o bem mais precioso que possuímos! Quando voltei para Campinas disse a mim mesmo que se eu voltasse a Câmara de Vereadores, iria buscar um Projeto para o combate e a prevenção de doenças do sexo masculino, principalmente as que dizem respeito ao sistema urinário e reprodutor, onde existe maior preconceito.
De volta a Câmara , comecei a elaborar o Projeto de Lei junto com o grande amigo e também vereador Dário Saad. Como urologista e especialista no assunto, ele poderia dar o tom técnico ao Projeto. Então desenvolvemos, a quatro mãos, o Programa Municipal de Saúde do Homem. Eu só fui descobrir realmente a minha doença no final de 2005 e hoje posso dizer que estou 99% curado, mas tenho consciência de que isso só foi possível porque fiz todos os exames e consegui identificar e tratar o problema antes que ele ganhasse força. Depois desse meu comprometimento, dessa minha nova filosofia, desse testemunho de vida, quero me solidarizar com as pessoas que tem ou eventualmente poderão ter a doença. Eu quero lutar para continuar vivendo! Tenho uma esposa maravilhosa, três crianças que precisam de mim, adoro fazer política, amo a vida, gosto de ajudar as pessoas e desejo contribuir cada vez mais com a sociedade".

Dário Saad: "O Programa Municipal de Saúde do Homem prevê a capacitação dos médicos da Rede Básica de Saúde, o que já está sendo feito. Se, por exemplo, o câncer de próstata for diagnosticado, o paciente será encaminhado para uma das unidades de referência, sendo elas: o Hospital Mário Gatti, o Hospital Ouro Verde, a Pucc e Unicamp, onde irá ser atendido por equipes de urologia que são referência no País. O fundamental é que o Programa consiga conscientizar, mudar a cultura, mudar um pouco a cabeça dos homens. Eu como urologista observo que muitos homens chegam ao consultório dizendo que só estão ali porque a mulher mandou! É impressionante, a mulher tem consciência para cuidar da sua saúde, da dos filhos, dos pais e da do marido! Está na hora do homem se responsabilizar pela própria saúde fazendo, no mínimo, o exame de próstata a partir dos 45 anos, uma vez ao ano. O câncer de próstata é o câncer que mais mata homens a partir dos cinqüenta anos. Quando o exame é realizado periodicamente e a doença é detectada, as chances de cura através da cirurgia ou da radioterapia são de 98%. Por outro lado, se o homem fica dois ou três anos sem fazer o exame e tem a infelicidade de ter um câncer, o tratamento passa a ser paliativo e as chances de cura são mínimas".

Segundo o Secretário de Saúde de Campinas, José Francisco Kerr Saraiva, o Brasil é o primeiro país da América Latina e o segundo do Continente Americano a implementar uma Política Nacional de Atenção Integral a Saúde do Homem. O primeiro foi o Canadá. "Campinas sai na frente como um dos primeiros municípios do Brasil a implementar essa Política".

Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura e Câmara Municipal de Campinas.
www.camaracampinas.sp.gov.br

Erika de Camargo

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