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De acordo com o Ministério da
Saúde, estudos comparativos entre homens e mulheres comprovam o fato de que os
homens são mais vulneráveis as doenças, principalmente as graves e crônicas, e
que morrem mais precocemente que as mulheres. A cada três mortes de pessoas
adultas no Brasil, duas são de homens. Eles vivem, em média, sete anos menos do
que as mulheres e tem mais doenças do coração, câncer, diabetes, pressão
arterial e colesterol mais elevados.
O homem não tem o hábito de realizar consultas periódicas ao médico, uma atitude
que impede o diagnóstico precoce das doenças e, muitas vezes, inviabiliza o
tratamento. Muitos agravos poderiam ser evitados se os homens realizassem, com
regularidade, as medidas de prevenção primária.
Pesquisas apontam várias razões para esse comportamento masculino, uma delas diz
respeito a questões culturais. A doença é considerada como um sinal de
fragilidade que os homens não reconhecem como inerente a sua própria condição
biológica. O homem julga-se invulnerável, o que contribui para que ele se cuide
menos e se exponha mais a situações de risco.
Existem também muitos tabus e preconceitos relacionados a exames preventivos
como o de próstata. Além disso, grande parte dos serviços e estratégias de
comunicação privilegiam ações de saúde voltadas a criança, ao adolescente, a
mulher e ao idoso.
Diante desse preocupante cenário, os vereadores de Campinas (SP)
Biléo Soares (PSDB) e Dário
Saadi (DEM) desenvolveram uma lei que estabelece o Programa Municipal de Saúde
do Homem, já aprovada e em execução pela Secretaria de Saúde.
Essa iniciativa atende à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem,
do Ministério da Saúde, que traduz um longo anseio da sociedade ao reconhecer
que as doenças da população masculina são problemas de saúde Pública.
O Projeto Municipal de Saúde do Homem, que prevê atendimento multidisciplinar,
tem o objetivo de estabelecer um programa de prevenção às doenças mais comuns do
sexo masculino, de acordo com a faixa etária do paciente. Isso significa
cuidados a partir dos dois anos de idade, prevenindo e detectando as doenças
antes que causem um quadro de difícil tratamento.
O Programa dará maior ênfase ao sistema reprodutor e urinário, já que devido à
cultura masculino não são regularmente examinados, o que traz como conseqüência
o sacrifício da saúde e até da própria vida de milhares de homens. As doenças
sexualmente transmissíveis e os cânceres, nos referidos órgãos, são assuntos de
grande importância que também serão abordados. Com o intuito de quebrar tabus o
programa divulgará as causas, sintomas, métodos de prevenção e tratamentos,
tornando as consultas ao urologista uma prática rotineira.
Também serão difundidas informações sobre as conseqüências causadas pelo o uso
de bebidas alcoólicas, anabolizantes, cigarros e outros tipos de drogas que
possam comprometer a saúde física, mental e social do homem.
De acordo com a lei, a administração Pública é responsável pela divulgação do
programa entre a população através de campanhas, palestras, propagandas, etc.,
tendo como meta o esclarecimento e a conscientização.
Um dos objetivos do Programa Municipal é aumentar o acesso e a adesão dos homens
à rede do Sistema Único de Saúde, desde a atenção primária até a especializada e
hospitalar. A implementação está dividida em ações a serem executadas até 2011,
entre elas as de comunicação, promoção à saúde, expansão dos serviços,
qualificação dos profissionais e investimento na estrutura da rede pública.
A lei também institui o Dia da Saúde do Homem. A data escolhida foi 12 de
setembro, segundo os vereadores, uma homenagem ao dia de nascimento do grande
Estadista, e também urologista, Juscelino Kubitschek.
Em entrevista ao Gabinete Digital, os vereadores
Biléo Soares e Dário Saadi,
que também é urologista, nos contaram como o protejo teve início e como está
sendo a sua implementação.
Biléo Soares:
"Em dezembro de 2005 descobri que tinha um câncer raro de uretra. Durante a
Campanha Eleitoral de 2004 comecei a perceber um sangramento, mas deixei pra lá
e resolvi que quando as eleições terminassem, procuraria um médico. Eu nunca
tive preconceito em relação a alguns tipos de exames, mas dava mais importância
a outras coisas como a minha política, a família, ao meu livro, ao jogo de
futebol, o médico poderia ficar pra depois! Em fevereiro de 2005, tive um
empurrãozinho da minha esposa e comecei a pesquisar. Um dia eu estava, a
trabalho, no Gabinete do Deputado Carlos Sampaio e encontrei alguns amigos do
alto escalão do Congresso Nacional, pessoas equilibradas, politizadas,
conscientes de seus direitos e deveres, e disse que teria que fazer o exame de
próstata. Para minha surpresa, duas pessoas disseram que prefeririam morrer a
fazer tal exame. Eu fiquei muito impressionado com isso e disse que eles estavam
malucos! Que história era aquela, a vida é o bem mais precioso que possuímos!
Quando voltei para Campinas disse a mim mesmo que se eu voltasse a Câmara de
Vereadores, iria buscar um Projeto para o combate e a prevenção de doenças do
sexo masculino, principalmente as que dizem respeito ao sistema urinário e
reprodutor, onde existe maior preconceito.
De volta a Câmara , comecei a elaborar o Projeto de Lei junto com o grande amigo
e também vereador Dário Saad. Como urologista e especialista no assunto, ele
poderia dar o tom técnico ao Projeto. Então desenvolvemos, a quatro mãos, o
Programa Municipal de Saúde do Homem. Eu só fui descobrir realmente a minha
doença no final de 2005 e hoje posso dizer que estou 99% curado, mas tenho
consciência de que isso só foi possível porque fiz todos os exames e consegui
identificar e tratar o problema antes que ele ganhasse força. Depois desse meu
comprometimento, dessa minha nova filosofia, desse testemunho de vida, quero me
solidarizar com as pessoas que tem ou eventualmente poderão ter a doença. Eu
quero lutar para continuar vivendo! Tenho uma esposa maravilhosa, três crianças
que precisam de mim, adoro fazer política, amo a vida, gosto de ajudar as
pessoas e desejo contribuir cada vez mais com a sociedade".
Dário Saad: "O Programa Municipal de Saúde do Homem prevê a capacitação dos
médicos da Rede Básica de Saúde, o que já está sendo feito. Se, por exemplo, o
câncer de próstata for diagnosticado, o paciente será encaminhado para uma das
unidades de referência, sendo elas: o Hospital Mário Gatti, o Hospital Ouro
Verde, a Pucc e Unicamp, onde irá ser atendido por equipes de urologia que são
referência no País. O fundamental é que o Programa consiga conscientizar, mudar
a cultura, mudar um pouco a cabeça dos homens. Eu como urologista observo que
muitos homens chegam ao consultório dizendo que só estão ali porque a mulher
mandou! É impressionante, a mulher tem consciência para cuidar da sua saúde, da
dos filhos, dos pais e da do marido! Está na hora do homem se responsabilizar
pela própria saúde fazendo, no mínimo, o exame de próstata a partir dos 45 anos,
uma vez ao ano. O câncer de próstata é o câncer que mais mata homens a partir
dos cinqüenta anos. Quando o exame é realizado periodicamente e a doença é
detectada, as chances de cura através da cirurgia ou da radioterapia são de 98%.
Por outro lado, se o homem fica dois ou três anos sem fazer o exame e tem a
infelicidade de ter um câncer, o tratamento passa a ser paliativo e as chances
de cura são mínimas".
Segundo o Secretário de Saúde de Campinas, José Francisco Kerr Saraiva, o Brasil
é o primeiro país da América Latina e o segundo do Continente Americano a
implementar uma Política Nacional de Atenção Integral a Saúde do Homem. O
primeiro foi o Canadá. "Campinas sai na frente como um dos primeiros municípios
do Brasil a implementar essa Política".
Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura e Câmara Municipal de Campinas.
www.camaracampinas.sp.gov.br
Erika de Camargo
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