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É impressionante como quando
se leva a público uma determinada questão, a reação das pessoas se dá de
forma imediata. É como um rastilho de pólvora que, depois de aceso, corre
veloz em busca de seu objetivo.
Na semana retrasada escrevi aqui na coluna uma crônica com o título
“Administração?”. Nela falava de meu inconformismo com a situação do Centro
da cidade, mais especificamente nas esquinas de Álvares Machado com Costa
Aguiar e com Ferreira Penteado. Nelas, barracas de camelôs, com base de
alvenaria, estão construídas na faixa de rolamento das ruas obrigando os
pedestres a dividir espaço com automóveis, vans, carros fortes e até
caminhões.
Foi a conta! Gente tão indignada quanto eu, revoltada com o abuso e o
descaso, com o cinismo e a indiferença das autoridades, com a prática abjeta
dos “dois pesos e duas medidas”, encaminhou-me uma infinidade de e-mails,
apontando um sem número de problemas de toda a ordem.
As pessoas que moram no Centro da cidade, que circulam no centro da cidade,
não suportam mais esse estado de coisas. É humilhante, degradante e
incompatível com a história de Campinas.
Outrora altiva, orgulhosa de seus luminares, de sua cultura, de seu nível de
desenvolvimento, nossa pobre cidade se vê à mercê de forasteiros sem o menor
comprometimento, sem nenhuma noção do que representa Campinas.
Vez por outra, um balão de ensaio é lançado na tentativa patética de acalmar
a revolta e o furor do povo desta nossa Campinas. Coisas como investir 7,4
milhões de reais no velho Casablanca, apelidado de Teatro Castro Mendes, de
sugerir a possibilidade da construção de um novo teatro num espaço multiuso
e agora a famosa revitalização do Centro, começando pela fachada dos
prédios. Ora, isso é começar a casa pelo telhado.
O Centro tem problemas imensos de ocupação indevida do solo. Obstáculos ao
trânsito de pedestres e veículos, desrespeito total à legislação, sem contar
os problemas causados por licenças e alvarás expedidos com base nessa mesma
arcaica legislação. O Centro carece desesperadamente de segurança.
É preciso uma mobilização em regra da população. É preciso reclamar,
denunciar, levar a público todos os desrespeitos, e desmandos que tem como
vítimas a nossa cidade e nós que moramos nela.
É hora de retomar o velho orgulho, de fazer valer as tradições, porque são
elas que mantém viva a história de uma cidade e de seu povo.
Na Campinas de hoje, nada é completo, tudo é feito a meio. É o lamentável
estigma do “nada é, tudo será”! Nós, os campineiros e aqueles que adotaram
esta cidade, e por isso são muito bem-vindos, jamais poderíamos permitir que
a nossa Campinas funcionasse como trampolim para ambições políticas mais
altas. Campinas não existe apenas para ser inserida em currículos de
candidatos. A cidade precisa ser administrada com vontade, dedicação e o
amor que só quem está profundamente envolvido com esta terra pode ter.
Campinas precisa desse amor.
Em tempo: Nunca vi Campinas tão precisada de gente da terra. Nunca foi tão
imperiosa a necessidade de gente que ame a cidade. Estou propondo aqui, à
população de Campinas e inclusive a ele próprio — que ignorava esta minha
atitude —, a candidatura de Biléo
Soares à prefeitura de Campinas.
Conheço Biléo. Sei de
sua honra, de sua dignidade e de seu profundo, inexcedível amor por nossa
cidade! Vamos nessa, Biléo.
José Roberto Martins é radialista e professor. |