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22
/05/2010

José Roberto Martins

O clamor do centro

 
José Roberto Martins
zerobertomartins@uol.com.br

 

É impressionante como quando se leva a público uma determinada questão, a reação das pessoas se dá de forma imediata. É como um rastilho de pólvora que, depois de aceso, corre veloz em busca de seu objetivo.

Na semana retrasada escrevi aqui na coluna uma crônica com o título “Administração?”. Nela falava de meu inconformismo com a situação do Centro da cidade, mais especificamente nas esquinas de Álvares Machado com Costa Aguiar e com Ferreira Penteado. Nelas, barracas de camelôs, com base de alvenaria, estão construídas na faixa de rolamento das ruas obrigando os pedestres a dividir espaço com automóveis, vans, carros fortes e até caminhões.

Foi a conta! Gente tão indignada quanto eu, revoltada com o abuso e o descaso, com o cinismo e a indiferença das autoridades, com a prática abjeta dos “dois pesos e duas medidas”, encaminhou-me uma infinidade de e-mails, apontando um sem número de problemas de toda a ordem.

As pessoas que moram no Centro da cidade, que circulam no centro da cidade, não suportam mais esse estado de coisas. É humilhante, degradante e incompatível com a história de Campinas.

Outrora altiva, orgulhosa de seus luminares, de sua cultura, de seu nível de desenvolvimento, nossa pobre cidade se vê à mercê de forasteiros sem o menor comprometimento, sem nenhuma noção do que representa Campinas.

Vez por outra, um balão de ensaio é lançado na tentativa patética de acalmar a revolta e o furor do povo desta nossa Campinas. Coisas como investir 7,4 milhões de reais no velho Casablanca, apelidado de Teatro Castro Mendes, de sugerir a possibilidade da construção de um novo teatro num espaço multiuso e agora a famosa revitalização do Centro, começando pela fachada dos prédios. Ora, isso é começar a casa pelo telhado.

O Centro tem problemas imensos de ocupação indevida do solo. Obstáculos ao trânsito de pedestres e veículos, desrespeito total à legislação, sem contar os problemas causados por licenças e alvarás expedidos com base nessa mesma arcaica legislação. O Centro carece desesperadamente de segurança.

É preciso uma mobilização em regra da população. É preciso reclamar, denunciar, levar a público todos os desrespeitos, e desmandos que tem como vítimas a nossa cidade e nós que moramos nela.

É hora de retomar o velho orgulho, de fazer valer as tradições, porque são elas que mantém viva a história de uma cidade e de seu povo.

Na Campinas de hoje, nada é completo, tudo é feito a meio. É o lamentável estigma do “nada é, tudo será”! Nós, os campineiros e aqueles que adotaram esta cidade, e por isso são muito bem-vindos, jamais poderíamos permitir que a nossa Campinas funcionasse como trampolim para ambições políticas mais altas. Campinas não existe apenas para ser inserida em currículos de candidatos. A cidade precisa ser administrada com vontade, dedicação e o amor que só quem está profundamente envolvido com esta terra pode ter. Campinas precisa desse amor.

Em tempo: Nunca vi Campinas tão precisada de gente da terra. Nunca foi tão imperiosa a necessidade de gente que ame a cidade. Estou propondo aqui, à população de Campinas e inclusive a ele próprio — que ignorava esta minha atitude —, a candidatura de Biléo Soares à prefeitura de Campinas.

Conheço Biléo. Sei de sua honra, de sua dignidade e de seu profundo, inexcedível amor por nossa cidade! Vamos nessa, Biléo.

José Roberto Martins é radialista e professor.

 

 

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