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Biléo
Soares
Vereador PSDB, Campinas
Na sessão de hoje, a Câmara de
Vereadores vai discutir e votar projeto de nossa autoria que autoriza a
Prefeitura a instituir o Programa de Combate ao Bullying nas escolas públicas
municipais. O programa consiste em adotar medidas de conscientização do
problema, bem como de seu combate e prevenção.
Bullyng é uma palavra de origem inglesa e significa tiranizar, ameaçar, oprimir,
amedrontar e intimidar sem motivação aparente. A prática é comum entre os
adolescentes e o problema vem sendo discutido com mais intensidade diante do
aumento da violência escolar. A pesquisa mundial mais recente, de 2008, feita
por uma ONG inglesa, apontou que, a cada dia, um milhão de crianças sofrem algum
tipo de violência nas escolas, afetando a sua personalidade, a saúde física,
mental e seu potencial futuro. Em outro estudo realizado pela Associação
Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência (ABRAPIA),
em 2002, no Rio de Janeiro, com 5.875 estudantes da 5ª à 8ª séries de onze
escolas, 40,5% mencionaram ter algum envolvimento direto em atos de bullying.
Existem alguns estudos do fenômeno realizados por Cléo Fante, em 2005, no Estado
de São Paulo. O primeiro foi feito em Barretos, em uma escola particular com 430
estudantes da 5ª à 8ª séries e da 1ª e 2ª série do ensino médio e mostrou que
81% desses alunos se envolveram em algum tipo de violência naquele ano. Desses,
41% foram considerados como bullying, dos quais 18% foram considerados vítimas,
14% agressores, e 9% vítimas e agressoras.
As condutas mais incidentes foram os maus-tratos verbais e psicológicos, por
meio de gozações, ameaças, intimidações e rumores maldosos; e os maus-tratos
físicos, por meio de “sardinhas” (bater o dedo de raspão, de cima para baixo,
nas nádegas do outro) e de chutes recebidos no “corredor polonês” (forma de
corredor humano estreito por onde a vítima é obrigada a passar sob tapas e
pontapés).
Outro estudo ocorreu em São José do Rio Preto, em 2001, com 431 alunos, de 7 a
16 anos. Neste estudo, 87% dos estudantes se envolveram em condutas violentas.
Desses, 47% envolveram em condutas bullying, dos quais 21,38% eram vítimas,
15,61% agressores e 10,1% vítimas agressoras.
Desses estudos, existem alguns percentuais de atitudes agressivas manifestadas
pelos alunos: 54% - apelidos que incomodam; 50% - brincadeiras que causam
aborrecimentos; 46% - acusações; 45% - discriminações; 41% - gozações; 40% -
ofensas.
Além das pesquisas, há fatos que comprovam que o bullyng pode provocar
tragédias. Em 2003, em Taiúva (SP), um aluno de 18 anos foi vítima do bullying
por 11 anos. Era chamado de “gordo, mongolóide e elefante cor-de-rosa”. Em razão
deste complexo adquirido, o estudante resolveu fazer um regime ingerindo um
litro de vinagre toda a manhã. Os agressores então colocaram nele o apelido de “Vinagrão”.
O garoto, que era tímido, que ficava calado, isolado e humilhado, pegou uma arma
e atirou contra seis colegas, o zelador e a professora, matando-os.
Em Remanso (BA), outro adolescente tímido e introvertido, foi excluído pelo
círculo de amigo da escola e foi humilhado durante anos. Inconformado com tal
situação e nutrido com um pensamento de vingança foi até a escola com a intenção
de matar, mas as aulas estavam suspensas. Em razão disso, dirigiu-se à casa de
seu principal agressor e desferiu um tiro na porta daquela residência. Depois,
foi para sua escola de informática e atirou fatalmente na cabeça de uma
secretária e em três alunos.
Por todas essas razões, se faz necessária a criação de um programa nas escolas
públicas de Campinas para a promoção de atividades didáticas, informativas de
orientação e prevenção do “bullying”. Isso se torna ainda mais imprescindível
quando nos atentamos ao detalhe de que esse fenômeno é muito confundido com
brincadeiras nas escolas, sendo certo que esses sofrimentos vividos pelas
vítimas podem causar traumas irreversíveis. Campinas não pode deixar de se
prevenir contra uma situação dessas, que sempre existiu, mas que agora, em
consequência dos estudos e pesquisas, pôde ser descoberta. E tem de ser
combatida.
Biléo
Soares é o líder da bancada do PSDB na Câmara de Vereadores de Campinas |