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18/05/2009

Legislação - Opinião

Bullying, é bom prevenir

Biléo Soares
Vereador PSDB, Campinas

Na sessão de hoje, a Câmara de Vereadores vai discutir e votar projeto de nossa autoria que autoriza a Prefeitura a instituir o Programa de Combate ao Bullying nas escolas públicas municipais. O programa consiste em adotar medidas de conscientização do problema, bem como de seu combate e prevenção.
Bullyng é uma palavra de origem inglesa e significa tiranizar, ameaçar, oprimir, amedrontar e intimidar sem motivação aparente. A prática é comum entre os adolescentes e o problema vem sendo discutido com mais intensidade diante do aumento da violência escolar. A pesquisa mundial mais recente, de 2008, feita por uma ONG inglesa, apontou que, a cada dia, um milhão de crianças sofrem algum tipo de violência nas escolas, afetando a sua personalidade, a saúde física, mental e seu potencial futuro. Em outro estudo realizado pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência (ABRAPIA), em 2002, no Rio de Janeiro, com 5.875 estudantes da 5ª à 8ª séries de onze escolas, 40,5% mencionaram ter algum envolvimento direto em atos de bullying.
Existem alguns estudos do fenômeno realizados por Cléo Fante, em 2005, no Estado de São Paulo. O primeiro foi feito em Barretos, em uma escola particular com 430 estudantes da 5ª à 8ª séries e da 1ª e 2ª série do ensino médio e mostrou que 81% desses alunos se envolveram em algum tipo de violência naquele ano. Desses, 41% foram considerados como bullying, dos quais 18% foram considerados vítimas, 14% agressores, e 9% vítimas e agressoras.
As condutas mais incidentes foram os maus-tratos verbais e psicológicos, por meio de gozações, ameaças, intimidações e rumores maldosos; e os maus-tratos físicos, por meio de “sardinhas” (bater o dedo de raspão, de cima para baixo, nas nádegas do outro) e de chutes recebidos no “corredor polonês” (forma de corredor humano estreito por onde a vítima é obrigada a passar sob tapas e pontapés).
Outro estudo ocorreu em São José do Rio Preto, em 2001, com 431 alunos, de 7 a 16 anos. Neste estudo, 87% dos estudantes se envolveram em condutas violentas. Desses, 47% envolveram em condutas bullying, dos quais 21,38% eram vítimas, 15,61% agressores e 10,1% vítimas agressoras.
Desses estudos, existem alguns percentuais de atitudes agressivas manifestadas pelos alunos: 54% - apelidos que incomodam; 50% - brincadeiras que causam aborrecimentos; 46% - acusações; 45% - discriminações; 41% - gozações; 40% - ofensas.
Além das pesquisas, há fatos que comprovam que o bullyng pode provocar tragédias. Em 2003, em Taiúva (SP), um aluno de 18 anos foi vítima do bullying por 11 anos. Era chamado de “gordo, mongolóide e elefante cor-de-rosa”. Em razão deste complexo adquirido, o estudante resolveu fazer um regime ingerindo um litro de vinagre toda a manhã. Os agressores então colocaram nele o apelido de “Vinagrão”. O garoto, que era tímido, que ficava calado, isolado e humilhado, pegou uma arma e atirou contra seis colegas, o zelador e a professora, matando-os.
Em Remanso (BA), outro adolescente tímido e introvertido, foi excluído pelo círculo de amigo da escola e foi humilhado durante anos. Inconformado com tal situação e nutrido com um pensamento de vingança foi até a escola com a intenção de matar, mas as aulas estavam suspensas. Em razão disso, dirigiu-se à casa de seu principal agressor e desferiu um tiro na porta daquela residência. Depois, foi para sua escola de informática e atirou fatalmente na cabeça de uma secretária e em três alunos.
Por todas essas razões, se faz necessária a criação de um programa nas escolas públicas de Campinas para a promoção de atividades didáticas, informativas de orientação e prevenção do “bullying”. Isso se torna ainda mais imprescindível quando nos atentamos ao detalhe de que esse fenômeno é muito confundido com brincadeiras nas escolas, sendo certo que esses sofrimentos vividos pelas vítimas podem causar traumas irreversíveis. Campinas não pode deixar de se prevenir contra uma situação dessas, que sempre existiu, mas que agora, em consequência dos estudos e pesquisas, pôde ser descoberta. E tem de ser combatida.

Biléo Soares é o líder da bancada do PSDB na Câmara de Vereadores de Campinas

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