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10/06/2009 - 21:37

 

 

 

Bate-Papo da semana

 

foto: Edu Fortes / AAN

O vereador Biléo Soares mostra o projeto de lei em sessão da Câmara de Campinas hoje à noite: “A escola não pode formar apenas profissionais, mas cidadãos com caráter de ferro”

A Câmara de Campinas tem uma oportunidade de ouro para colocar o debate do bullying nas escolas públicas da cidade. Um projeto de lei do vereador Biléo Soares (PSDB) autoriza o Executivo a criar um programa de conscientização e combate a esta forma de intimidação que vem crescendo entre crianças e jovens. O projeto já foi aprovado em primeira instância (legalidade e redação). Ainda não há data para apreciação do mérito (segunda discussão). Se for sancionado, Campinas seria uma das primeiras cidades brasileiras a encarar o problema em sua rede de ensino a partir de um projeto sistematizado e oficial.

No parágrafo único do projeto, o vereador enumera as atitudes que especialistas e educadores consideram como uma forma de bullying. São elas: intimidação, humilhação, discriminação, insultos pessoais, apelidos pejorativos, gozações que magoam, acusações injustas, hostilização em grupo, ridicularização do outro, exclusão e isolamento social da vítima, danos físicos, morais e materiais, uso de tecnologias de informação para depreciar o colega e espalhar rumores maldosos, a popular fofoca.

Biléo lembra que as brincadeiras da infância e adolescência sempre permearam o universo escolar, mas ressalta que se o comportamento for “agressivo, intencional, repetitivo e sistemático”, estará configurado o bullying. “Esta humilhação provoca angústia, dor e sofrimento na vítima. Mas o agressor também vai sofrer. Ele terá certamente sequelas. Vai se transformar num adulto sem limites e sem parâmetro”, enfatiza.

O blog Uma Palavra decidiu ouvir o tucano sobre o projeto. Encontrou um vereador entusiasmado (o que não é novidade) e divertido. Ele mesmo fez questão de lembrar que soube assimilar o apelido que ganhou na infância, uma referência, segundo ele, a um remédio que tomava costumeiramente e do qual não lembra o nome agora. “Eu assumi o apelido quando saí do Colégio Coração de Jesus, onde era chamado de Gilbertinho, e fui estudar no Pio XII. Gostei e adotei. Para você ver como um apelido tem muita força”, recorda, acrescentando que, inclusive, tal como Lula (sem comparações ideológicas, é claro), passou a assinar Biléo no nome. Gilberto Celestino Brasio Biléo Soares é o que consta em sua identidade desde o início dos anos 90.

Um dos casos que mais marcaram Biléo, episódio que ajudou a embasar o seu projeto, foi o da tragédia de Taiúva, Interior de São Paulo, em 2003, cidade próxima a Jaboticabal. Um adolescente feriu seis colegas da escola a tiros, além de um professor e do caseiro, e se suicidou em seguida após um caso clássico de bullying. Obeso, era sistematicamente chamado de “gordo”. Depois, os apelidos migraram para “mongolóide” e “elefante cor-de-rosa”. Acuado, o garoto decidiu emagrecer e, após palpites de colegas, passou a tomar vinagre, imaginando que perderia peso. Não só não perdeu os quilos pretendidos, como ganhou outro apelido: “vinagrão”. O resultado foi o ato criminoso decorrente de um processo de hostilização e humilhação. Veja a seguir o bate-papo com Biléo Soares.

O que o motivou a apresentar o projeto contra o bullying nas escolas públicas de Campinas?
Comecei a sentir que era preciso levar este debate para as escolas. A idéia é atenuar e minimizar um processo que tem atormentado os alunos. Tiranizar, satanizar, ameaçar e amedrontar são atitudes que contrariam as regras e o código social. Um terço dos estudantes no Brasil já foi vítima de bullying ou o praticou. A escola não pode só formar o cara para ser um médico ou um empresário. É preciso formar cidadãos.

Como o programa seria sistematizado e que tipo de recurso de abordagem ele usaria?
São várias as formas de trabalho. São essenciais capacitar docentes e equipes pedagógicas; incluir no Regimento Escolar, após ampla discussão no Conselho de Escola, regras normativas contra bullying; desenvolver campanhas educativas, informativas e de conscientização com a utilização de cartazes e de recursos multimídia e orientar pais e familiares sobre como proceder diante da prática de bullying, entre outros pontos.

Como colocar a família neste debate e transformá-la em agente de transformação?
As famílias têm de conversar e orientar, ou seja, partir para o enfrentamento. Encarar o problema de frente. Não pode fingir que não é com ela. Tem de encaminhar o caso de bullying para os professores, os diretores, os coordenadores. A falta de enfrentamento piora a situação. Mas tem de ser uma reação condizente com as regras sociais. Não é, naturalmente, devolver a agressão. É ser firme no propósito de não deixar isso crescer. A família, aliás, tem de trabalhar em conjunto com a escola. Tem de haver um entendimento. Escola e família são os pilares do cidadão.

Você contou com a ajuda de alguém para preparar este projeto?
A minha mulher, Rita, e o meu filho mais velho, de 12 anos, me ajudaram. Ouvi também muita gente especialista no assunto. E depois que o projeto foi protocolado, conheci famílias que também passaram por isso (bullying). Fiquei muito impressionado com a repercussão na Câmara. Fui à Secretaria Municipal de Educação, conversei com o então secretário (Graciliano de Oliveira Neto) e agora pretendo fazer isso com o atual, José Tadeu Jorge.

Confia que o projeto passa em segunda discussão e que o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) o sancionará?
Confio na sensibilidade da Câmara. Mas se o prefeito vetar, estou fazendo a minha parte de propor esta discussão. O projeto oferece uma alternativa clara de enfrentamento deste problema. Fiz um projeto autorizativo para que não haja qualquer problema de natureza legal. E seria muito bom que este programa fosse estendido para a rede privada. É preciso plantar esta semente, envolver alunos, professores, orientadores, diretores, pais, comunidade e toda a sociedade. O projeto é concebido para o uso do diálogo. Ninguém vai para o Distrito Policial (DP). O programa usaria cartilhas, palestras, simpósios e ações educativas para capacitar os agentes escolares e minimizar esta forma de humilhação. Na nossa época, o pátio e o recreio eram espaços para flertar as meninas e falar sobre Ponte e Guarani. Hoje virou corredor polonês.

enviada por Marcelo Pereira

 

COMENTÁRIOS

 
17/06/2009 19:02:00 - enviada por: IONE
Torna-se evidente, no dia a dia de uma escola, a extrema urgencia em ser aprovado um projeto desse porte. E digo mais, que Campinas exporte essa idéia para todos os municipios do Brasil, pq o bullying é uma praga que corrói almas e sentimentos, solapando personalidades ainda em tenra formação.É preciso formar parcerias, um trabalho em conjunto de vários profissionais para que depois do projeto aprovado,a lei seja devidamente aplicada. Parabéns vereador Biléo,vamos unir forças. Conte comigo !
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15/06/2009 18:51:00 - enviada por: fernando eduardo ferreira
(fernando.ferbola@hotmail.com) Parabens pela matéria, este projeto do vereador Bileo precisa ser divulgado, pois acredito que muitos devem estar passando por este problema de Bullyng.
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13/06/2009 23:27:00 - enviada por: Marcosl
(marcos-mariano1@hotmail.com) Parabéns Marcelo pelo seu comentário, pois acredito que com o projeto do vereador Biléo Soares vá ajudar muitas escolas a melhorar o desenvolvimento de alunos que recebam o bullying. Este vereador respeitado por todos na Câmara e por eleitores vem, desenvolvendo trabalhos magnificos. Vendo um projeto como este, é merecido ele ser comparado como um senador!Não é atoa que seu nome é comentado por vários eleitores da cidade de Campinas.
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12/06/2009 12:20:00 - enviada por: Marcia
(mrpb30@yahoo.com.br) Sou professora e acredito que esse projeto irá beneficiar e muito a educação em nossa cidade. É importante resgatar valores como solidariedade, respeito ao próximo que infelizmente hoje em dia são muitas vezes esquecidos em nossa sociedade, e como o vereador Biléo bem afirmou a escola deve ir além se preocupando em formar cidadãos com caráter de ferro, não somente profissionais!
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12/06/2009 12:06:00 - enviada por: Marcia
(mrpb30@yahoo.com.br) Gostaria de parabenizar o vereador Biléo e sua equipe de trabalho pela iniciativa de implantar um projeto tão importante primeiramente nas escola públicas, e espero que se estenda para as escolas privadas. O bullying é um fenômeno que deve ser combatido por meio de informações e ações que envolvam a comunidade escolar, família e sociedade como um todo. Deve-se buscar acima de tudo o resgate de valores e princípios importantes para a formação de verdadeiros cidadãos.
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12/06/2009 12:01:00 - enviada por: cida fulfule
O projeto do vereador é de grande relevância e interesse publico. Esperamos que após passar na primeira votação não fique esquecido na sexta gaveta de prioridades de alguma comissão.Realmente qualquer tipo de discriminação ou humilhação marcam o carater e a personalidade da criança ou jovem para sempre. Parabéns ao vereador pela sensibilidade de captar essa mensagem.
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12/06/2009 11:57:00 - enviada por: MEIRE
Parabéns!!! Matéria maravilhosa. Qro registra que eu já sofri Bullying na escola. Cheguei ao ponto de ter que fazer terapia para vencer barreiras que colocaram em mim.E este proj do Vereador Biléo precisa ser divulgado.História como esta que foi relatada acontece dia-dia e temos que combater isso.Vereador, Deus que abençoe essa sensibilização de ver e compreender as nessecidades de nossas escolas que vivem esquecidas,tb e por incluir capacitações nos educadores, familiares e colaboradores.Parab
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12/06/2009 11:38:00 - enviada por: Andréa
Parabéns Marcelo por divulgar esta matéria com tal conteúdo, principalmente da maneira como você colocou este projeto. Ficou mto claro e bem explicado. E para sutir eficacia do msm, é preciso ser divulgado e isso vc está fazendo. No entento e qro registra meus parabéns a Você e a este Vereador, que vem abrilhantando a Câmara Municipal de Nossa Campinas. Informações desta magnitude é muito importante para acompanha os trabalhos do Legislativo de Campinas. Obrigada!

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