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BILÉO
SOARES
As últimas pesquisas de opinião do ano, dos institutos Vox Populi e Datafolha,
revelam vários aspectos do futuro político brasileiro que enchem de orgulho os
partidos do campo da social democracia e deixam a maioria da população com
esperança de dias melhores. No campo presidencial, ambas as pesquisas foram
realizadas logo após um programa político que realçou sobremaneira a candidata
oficial. Diante disso, as pesquisas para a corrida presidencial neste fim de ano
podem ser consideradas altamente favoráveis ao PSDB, que mantém a dianteira
apesar do fabuloso esforço eleitoral que o governo Lula vem realizando para
empurrar sua candidata goela abaixo do eleitor.
Mas o PSDB não está na frente apenas pela antipatia da candidata oficial. Há
toda uma história recente do país que justifica a preferência do eleitor —
principalmente do eleitor dos centros mais desenvolvidos onde o voto é muito
mais difícil de ser trocado pela esmola de um programa assistencial. A economia
que tanto alavancou o governo atual e é a responsável direta pela popularidade
do presidente foi toda elaborada na era FHC, que acabou com a inflação, criou
uma moeda estável, fincou os pilares financeiros e pavimentou a estrada do
desenvolvimento, sem descuidar da população mais carente, para a qual — além do
enorme ganho com o fim da inflação — foi criada uma rede de proteção social,
hoje desvirtuada e transformada em moeda eleitoral. Não podemos esquecer também
que foi na era FHC que houve o enquadramento dos governos, submetendo-os à Lei
de Responsabilidade Fiscal, que acabou com os gastos além das possibilidades de
pagamento e com a farra no apagar das luzes dos mandatos em prefeituras e
governos estaduais.
Sucessivas crises — a média foi de uma por ano durante os oito anos do governo
tucano — e uma economia mundial instável impediram que o Brasil, entre 1995 e
2002, crescesse a percentuais chineses. A partir de 2003, com a estabilidade no
mundo e o agronegócio brasileiro gerando enormes superávits nas exportações, o
Brasil pôde usufruir das bases criadas no governo anterior. O volume de negócios
aumentou consideravelmente, dando ao governo folga nas contas e possibilidade
de, aí sim, crescer muito mais. Infelizmente, o atual governo fez o Brasil ficar
à rabeira do desenvolvimento dos emergentes e, ao enfrentar a primeira crise,
deflagrada no fim de 2008, apresentou um crescimento que, se não for negativo,
será bem próximo de zero em 2009.
Desse modo, a preferência do eleitor se justifica: ele quer um governo que sabe
lidar com o desenvolvimento sustentável como vem fazendo em São Paulo e como fez
no Brasil ao criar as bases responsáveis pela estabilidade, tão mal aproveitadas
nos últimos sete anos.
Pois as pesquisas para o governo estadual no maior colégio eleitoral do Brasil e
no estado mais desenvolvido, mostram a grande preferência do povo pelo candidato
tucano, Geraldo Alckmin, que já governou o estado e que tem nessa preferência,
portanto, uma confirmação positiva de seu governo. Austero nas contas, seguindo
as lições do saudoso Mário Covas, Alckmin vê agora seus esforços de manter a
qualidade do governo paulista recompensados: caminha para uma vitória no
primeiro turno em todos os cenários possíveis nas eleições de outubro de 2010. E
ainda prova que continuidade tem a ver com qualidade, não com índices de
popularidade.
Assim, o próximo ano se avizinha com o de confirmação do trabalho do PSDB no
maior estado do país e, no plano federal, de uma provável volta dos postulados
sociais democratas que tanto bem fizeram ao Brasil. O eleitor parece entender
que para o Brasil entrar definitivamente no clube dos grandes é necessário
acabar com a política antiquada, é preciso criar, definitivamente, o Brasil
moderno, um Brasil com todas as condições de se inserir como protagonista no
cenário mundial sem ter de apelar para bravatas, sem bajular ditaduras e sempre
ao lado dos países que realmente trouxeram o progresso social para a humanidade
sem ofender a democracia. Biléo
Soares é o vereador e líder do PSDB na Câmara de Campinas |