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28/12/2009

Opinião

A voz do povo nas pesquisas

BILÉO
SOARES


As últimas pesquisas de opinião do ano, dos institutos Vox Populi e Datafolha, revelam vários aspectos do futuro político brasileiro que enchem de orgulho os partidos do campo da social democracia e deixam a maioria da população com esperança de dias melhores. No campo presidencial, ambas as pesquisas foram realizadas logo após um programa político que realçou sobremaneira a candidata oficial. Diante disso, as pesquisas para a corrida presidencial neste fim de ano podem ser consideradas altamente favoráveis ao PSDB, que mantém a dianteira apesar do fabuloso esforço eleitoral que o governo Lula vem realizando para empurrar sua candidata goela abaixo do eleitor.

Mas o PSDB não está na frente apenas pela antipatia da candidata oficial. Há toda uma história recente do país que justifica a preferência do eleitor — principalmente do eleitor dos centros mais desenvolvidos onde o voto é muito mais difícil de ser trocado pela esmola de um programa assistencial. A economia que tanto alavancou o governo atual e é a responsável direta pela popularidade do presidente foi toda elaborada na era FHC, que acabou com a inflação, criou uma moeda estável, fincou os pilares financeiros e pavimentou a estrada do desenvolvimento, sem descuidar da população mais carente, para a qual — além do enorme ganho com o fim da inflação — foi criada uma rede de proteção social, hoje desvirtuada e transformada em moeda eleitoral. Não podemos esquecer também que foi na era FHC que houve o enquadramento dos governos, submetendo-os à Lei de Responsabilidade Fiscal, que acabou com os gastos além das possibilidades de pagamento e com a farra no apagar das luzes dos mandatos em prefeituras e governos estaduais.

Sucessivas crises — a média foi de uma por ano durante os oito anos do governo tucano — e uma economia mundial instável impediram que o Brasil, entre 1995 e 2002, crescesse a percentuais chineses. A partir de 2003, com a estabilidade no mundo e o agronegócio brasileiro gerando enormes superávits nas exportações, o Brasil pôde usufruir das bases criadas no governo anterior. O volume de negócios aumentou consideravelmente, dando ao governo folga nas contas e possibilidade de, aí sim, crescer muito mais. Infelizmente, o atual governo fez o Brasil ficar à rabeira do desenvolvimento dos emergentes e, ao enfrentar a primeira crise, deflagrada no fim de 2008, apresentou um crescimento que, se não for negativo, será bem próximo de zero em 2009.

Desse modo, a preferência do eleitor se justifica: ele quer um governo que sabe lidar com o desenvolvimento sustentável como vem fazendo em São Paulo e como fez no Brasil ao criar as bases responsáveis pela estabilidade, tão mal aproveitadas nos últimos sete anos.

Pois as pesquisas para o governo estadual no maior colégio eleitoral do Brasil e no estado mais desenvolvido, mostram a grande preferência do povo pelo candidato tucano, Geraldo Alckmin, que já governou o estado e que tem nessa preferência, portanto, uma confirmação positiva de seu governo. Austero nas contas, seguindo as lições do saudoso Mário Covas, Alckmin vê agora seus esforços de manter a qualidade do governo paulista recompensados: caminha para uma vitória no primeiro turno em todos os cenários possíveis nas eleições de outubro de 2010. E ainda prova que continuidade tem a ver com qualidade, não com índices de popularidade.

Assim, o próximo ano se avizinha com o de confirmação do trabalho do PSDB no maior estado do país e, no plano federal, de uma provável volta dos postulados sociais democratas que tanto bem fizeram ao Brasil. O eleitor parece entender que para o Brasil entrar definitivamente no clube dos grandes é necessário acabar com a política antiquada, é preciso criar, definitivamente, o Brasil moderno, um Brasil com todas as condições de se inserir como protagonista no cenário mundial sem ter de apelar para bravatas, sem bajular ditaduras e sempre ao lado dos países que realmente trouxeram o progresso social para a humanidade sem ofender a democracia.

Biléo Soares é o vereador e líder do PSDB na Câmara de Campinas

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