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BILÉO
SOARES
Muito se tem falado nas últimas semanas sobre as condições do Parque Portugal,
uma das maiores, se não a maior, área de lazer de Campinas. Inaugurado nos anos
70, ele fez com que a região em volta da Lagoa do Taquaral adquirisse aspectos
nobres e se transformasse no local ideal para as saudáveis práticas de
exercícios físicos, como caminhadas, corridas e outras. Além disso, se tornou
área propícia para piqueniques e para apresentação de shows no Auditório
Beethoven, uma grande concha acústica ao ar livre que já recebeu grandes
artistas e, principalmente, a nossa Orquestra Sinfônica.
Assim que retornei à Câmara Municipal, no início de 2009, decidi realizar um
trabalho comum àqueles que são eleitos vereadores em Campinas: fui ver, in loco,
as condições de nossas principais praças e áreas de lazer. O que vi me deixou
estarrecido e foi objeto de inúmeros requerimentos — todos fartamente ilustrados
— solicitando ao governo de Campinas que tomasse providências urgentes para que
esses locais voltassem a ter, como em passado recente, condições de frequência
da população campineira.
De todas as áreas visitadas, o Parque Portugal foi o que mais me chamou a
atenção, pois mesmo com as péssimas condições de uso da grande maioria de seus
equipamentos, a frequência por ali continuava elevada. Sua reforma, portanto, se
mostrava mais urgente ainda, já que a falta de manutenção e a precária segurança
colocavam em risco até a vida dos frequentadores. Mas, infelizmente, de pouco ou
nada adiantaram meus protestos feitos da tribuna da Câmara ou meus requerimentos
aprovados e encaminhados ao prefeito Hélio de Oliveira Santos. Passou-se um ano
inteiro sem que nada fosse feito para melhorar as condições do Parque Portugal.
As quadras de esportes ali existentes continuaram com o piso rachado e sujas; o
banheiro continuou entupido, fazendo de seu uso um exercício de coragem; a pista
continuou sem manutenção, com pedras cada vez maiores a atrapalhar as
caminhadas; um pequeno lago paralelo à lagoa continuou fétido, depósito de
entulhos; o bosque ali existente e usado para piqueniques continuou com mesas
quebradas, com galhos espalhados pelo chão. A caravela, depois de adernar por
falta de manutenção, foi interditada às visitas e deixada ao tempo, apodrecendo
aos olhos de todos.
E, para confirmar o pouco caso de um governo que diz ter recebido grandes
recursos do governo federal como nunca antes na cidade, a única providência
ocorrida por ali foi a volta dos antigos pedalinhos — os novos, em forma de
cisne, apresentados como grande novidade, não tinham a segurança necessária e um
deles tombou no meio da lagoa. Agora eles voltaram e, espera-se, estejam seguros
para os usuários.
Tanto desleixo acabou resultando em perigo maior para a população: o bosque,
onde famílias inteiras faziam almoços festivos nos fins de semana, virou ponto
de encontro para prostituição masculina e sexo casual e de usuários de drogas,
afugentando todos que usavam a área como um local saudável de lazer.
Só então, quando o Parque Portugal se tornou um caso de polícia pela presença de
drogas e drogados e por seguidos atentados ao pudor, é que as autoridades
municipais resolveram se mexer. E assim mesmo após várias reportagens publicadas
neste Correio Popular e que expuseram a ferida para toda a cidade: um dos mais
belos cartões-postais da cidade estava agonizante e a população corria sério
risco de perdê-lo.
Providências agora começam a ser tomadas, mais de um ano depois das minhas
primeiras denúncias. É óbvio, são bem vindas. Espero que as reformas, a
manutenção e os serviços propostos sejam realmente realizados e recomponham o
cenário inigualável deste parque que simboliza a confraternização, a harmonia e
a paz entre as pessoas que vivem e amam nossa terra. Portanto, é fundamental
refletir e ponderar que o lazer do cidadão é um direito. Nossas praças, nossos
bosques não podem se transformar em lixões abandonados. O campineiro paga — e
paga um preço elevado — para ter uma cidade confortável e saudável. E,
infelizmente, não é isso que estamos vendo.
Biléo Soares é vereador
e líder do PSDB na Câmara. |